PUBLICIDADE
  • Edição Impressa
Jornal de Leiria
Assine desde 0,39€ por semana
  • Iniciar sessão
  • Criar conta
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Opinião
  • Newsletters
  • Podcasts
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Opinião
  • Newsletters
  • Podcasts
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Jornal de Leiria
Assinar
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Opinião
  • Newsletters
  • Podcasts
Home Sociedade

Meninos de São Bento, Porto de Mós, ficam para trás no acesso à escola online

Privados de rede de telemóvel e de banda larga, jovens sem aulas online desde o início do confinamento

Jacinto Silva Duro Jacinto Silva Duro
14 de Maio de 2020
em Sociedade
Crianças da serra podem ficar para trás no ensino à distância

Crianças da serra podem ficar para trás no ensino à distância (Foto: DR)

Share on FacebookShare on Twitter

Com o País inteiro a preparar-se para dar respostas ao ensino à distância e com o primeiro-ministro, António Costa, a garantir publicamente que nenhum aluno “ficará para trás por não ter acesso a computadores e internet”, há, no concelho de Porto de Mós, dezenas de jovens que irão, na prática, ficar para trás.

Não é caso único em Portugal, mas São Bento é paradigmático de um Portugal que, por questões de auto-regulação de mercado e ausência de política de serviço público no acesso às comunicações, aprofunda cada vez mais o fosso social nas zonas de interior.

A pandemia deixou à vista uma situação que, há décadas, se verifica em mais de 20 aldeias do concelho, mas que, no caso de São Bento, se estende a mais de 90% do território.

Ana e Teresa são duas alunas do 2.º Ciclo que, todos os dias, têm de ir a casa de um vizinho, que pagou do seu bolso amplificadores de rede e antenas direccionais, para usar a pouca rede GPRS que ali chega, para descarregar o material de estudo.

É um demorado processo, que não lhes permite aceder às aulas por vídeo. Ana e Teresa têm sorte. O vizinho não se importa de pagar do seu bolso os dados extra necessários para o ritual diário.

Outros jovens vivem na escuridão tecnológica, sem aulas, desde a sexta-feira, 13 de Março, data do início do confinamento, devido à pandemia de Covid-19.

É uma freguesia inteira quase sem telefone fixo, praticamente, sem rede de telemóvel e muito menos banda larga, para descarregar os pesados vídeos e conteúdos enviados pelas escolas.

“Temos um terminal de fibra da Meo no centro da aldeia, mas é só para as empresas, que têm de pagar a ligação desde o local onde estão até lá e há uma antena de telemóvel da Meo, mas está orientada para o Multibanco, no centro de São Bento”, diz o presidente da Junta, Tiago Rei, que lamenta que as pessoas fiquem para trás nas prioridades das operadoras, especialmente, quando já existe infra-estrutura instalada.

O JORNAL DE LEIRIA questionou a Altice/Meo, NOS e Vodafone sobre a ausência de acesso das crianças e jovens à internet, mas apenas a primeira, que adquiriu a Portugal Telecom, respondeu.

“Actualmente a freguesia dispõe de uma cobertura de rede 4G muito próxima dos 100%, o que permite viabilizar o acompanhamento das aulas online por parte da comunidade escolar da região”, considera a operadora. População e autarcas dizem que não é verdade e que bastaria visitar a freguesia para o verificar.

Em Novembro, um grupo de moradores enviou uma carta à Assembleia da República e à Comissão Europeia alertando para a discriminação das crianças de São Bento, face às que vivem a apenas sete quilómetros noutras freguesias.

Os vizinhos da freguesia de Serra de Santo António, Alcanena, têm acesso a telemóvel e internet pelas três operadoras. “Recebemos respostas politicamente correctas, mas o resultado foi nada.” Também foi feito um abaixo-assinado às operadoras com a mesma resposta.

Tiago Rei, presidente da Junta de São Bento

 

Entretanto, o agrupamento escolar de Porto de Mós informou os pais que deveriam ir levantar um hotspot da NOS, uma rede que, garantidamente, não tem cobertura no território, para aceder às aulas online. Tiago Rei questionou a vereadora da educação, Telma Cruz, que lhe respondeu “foi o que nos deram”.

“Pouco depois fui contactado pelo agrupamento de escolas que me informou que nem sabiam que não havia rede de telemóvel aqui”, conta o autarca. 

O presidente da Câmara, Jorge Vala, assegura que o município está a fornecer em papel as aulas aos alunos que não têm acesso à versão online com um professor.

Entre 2020 e 2021, a Altice garante que fará um investimento que permitirá a “cobertura de fibra óptica superior a 80% da população do concelho, e mais de 95% da população na freguesia de São Bento”.

“Factor económico” é quem mais ordena
“O factor económico sobrepõe-se ao resto. São alunos que têm os mesmos direitos do que os outros”, refere Jorge Vala, que, por várias vezes, tentou intervir sem sucesso, junto das três operadoras Altice/Meo, NOS e Vodafone.

A explicação é sempre o baixo interesse comercial.

“Recebi, há dias, um e-mail da Altice a informar que 90% do concelho tem 4G. Isso é como dizer que tenho 95% com água canalizada e esquecer os 5% que não têm um bem essencial.”

São Bento, no coração do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros é um território condicionado, sujeito a regras de protecção da natureza.

Conta com cerca de 800 habitantes, muitos deles idosos e o isolamento que outros decidiram por si, ao negar-lhes o acesso ao mundo, baseados nas “leis do mercado”, irá baixar muito mais este número. 

“Não há condições para captar novos habitantes, nem para manter os que temos e os jovens são obrigados a ir para a sede de concelho”, diz Tiago Rei, lamentando ter poucos eleitores e que o serviço público ali não chegue.

Para onde foi a responsabilidade social?
Jorge Vala recorda que o anterior Executivo municipal acordou com a Vodafone, ao abrigo de um protocolo de responsabilidade social, a instalação de banda larga no concelho e nas aldeias da serra.

“Já com o documento assinado na mão, a Vodafone não cumpriu. Colocou uma antena que nem 2 G deve ser na Barrenta e, quando os contactei, após assumir o cargo, disseram-me que ‘cobrir aquele território não é vantajoso comercialmente’. Sugeriram-me que a autarquia pagasse 35 mil euros para equipamentos. A Câmara não pode subsidiar o lucro das operadoras.”
 
Feitas as contas e promessas aparte, todo o território de São Bento e parte de Alqueidão da Serra e Arrimal ficaram de fora do século XXI, da banda larga e da rede de telemóvel.

Única antena de telemóvel da freguesia serve essencialmente a caixa de multibanco

O JORNAL DE LEIRIA questionou as três operadoras sobre a ausência de acesso das crianças e jovens à internet, mas apenas a Altice respondeu. Leia o comunicado, na integra, em baixo.

“Em primeiro importa referir que o investimento da Altice Portugal é privado, voluntário, autónomo e não tem qualquer comparticipação de entidades públicas ou instituições europeias. Por outro lado, são diversas as regiões do País, principalmente as mais desfavorecidas e desertificadas, em que apenas a Altice Portugal decidiu fazer investimento em redes de fibra óptica, nunca tendo sido secundada por mais nenhum investidor privado do sector.

No que respeita à cobertura de rede na freguesia de São Bento, a Altice Portugal esclarece que actualmente a freguesia dispõe de uma cobertura de rede 4G muito próxima dos 100%, o que permite viabilizar o acompanhamento das aulas online por parte da comunidade escolar da região. No que respeita a fibra óptica, a Altice Portugal é o único operador que garante actualmente cobertura de rede na região, abrangendo mais de 70% da população do município de Porto de Mós. Este é um investimento que prevê novas vagas, ainda em 2020 e 2021, que permitirão uma cobertura de fibra óptica superior a 80% da população do concelho, e mais de 95% da população na freguesia de São Bento.

A Altice Portugal mantém a sua ambição de cobrir tecnologicamente o País com fibra óptica de última geração, pretendendo atingir mais de 5,3 milhões de lares e empresas com vista a contribuir para o desenvolvimento de regiões que têm sido esquecidas por outros.

Importa uma vez mais realçar o carácter totalmente voluntário deste investimento unilateral e privado protagonizado indistintamente em todo o território nacional pela Altice Portugal, sendo impraticável a responsabilização da única entidade que tem activamente levado a esta e a outras regiões do nosso País soluções, através de investimento seu, sem qualquer comparticipação do Estado ou Europa, que contribuem para a igualdade de oportunidades e para dinamização das economias locais.”

 

Tópicos: ensino à distânciaescolaSão Bento
PartilharTweet

Mais informação

.
Sociedade

Inclusão é isto. Quando a tua escola se torna nossa também

24 de Setembro de 2026
.
Sociedade

Degradação da EB João Beare preocupa pais

19 de Setembro de 2026
Escola básica de Castanheira de Pera inaugurada após obras de 3,6 milhões de euros
Sociedade

Escola básica de Castanheira de Pera inaugurada após obras de 3,6 milhões de euros

15 de Setembro de 2026
Próxima publicação
Com o acesso ao recinto vedado, alguns peregrinos rezaram junto às grades

Um 13 de Maio único em Fátima: Santuário fechado, orações na rua

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMOS ARTIGOS

Gonçalo Lopes escreve livro sobre a experiência com a tempestade Kristin

Pena suspensa para quatro jovens por roubo a idoso no concelho de Leiria

Filme português ganha prémio principal do Ha Ha Art Film Festival

Projecto em marcha para recuperar Monte de São Bartolomeu e Mata do Valado, na Nazaré

Halloween: fantasmas nos castelos da região e cinema de horror

MAIS VISTOS

Livro relata a experiência do autarca com a crise Kristin

Gonçalo Lopes escreve livro sobre a experiência com a tempestade Kristin

28 de Outubro de 2026
Factos foram julgados no Tribunal de Leiria

Pena suspensa para quatro jovens por roubo a idoso no concelho de Leiria

28 de Outubro de 2026
A categoria de longas teve espaço em Pombal pela primeira vez e premiou Óculos de Sol Pretos

Filme português ganha prémio principal do Ha Ha Art Film Festival

28 de Outubro de 2026
Projecto em marcha para recuperar Monte de São Bartolomeu e Mata do Valado, na Nazaré

Projecto em marcha para recuperar Monte de São Bartolomeu e Mata do Valado, na Nazaré

28 de Outubro de 2026
Um espectáculo interactivo e temático sobe ao castrelo de Leiria no sábado

Halloween: fantasmas nos castelos da região e cinema de horror

28 de Outubro de 2026
  • Empresa
  • Ficha Técnica
  • Contactos
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Publicidade Edição Impressa
  • Publicidade Online
  • Política de Privacidade
  • Termos & Condições
  • Arquivo
  • Loja
  • Livro de Reclamações

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Bem-vindo de volta!

Aceder à sua conta abaixo

Esqueceu-se da palavra-passe? Criar conta

Criar nova conta!

Preencha os campos abaixo para criar a sua conta

Todos os campos são obrigatórios. Iniciar sessão

Recuperar a palavra-passe

Indique o seu email para receber uma nova palavra-passe.

Iniciar sessão
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Edição impressa
  • Assine desde 0,39€ por semana
  • Subscreva as newsletters
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Contactos
  • Ficha técnica
  • Publicidade online
  • Publicidade edição impressa
  • Estatuto editorial
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • 50 anos do Poder Local
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Agenda
  • Lentriscas em castelo
  • Palavra de honra
  • Crítica
  • Opinião
  • Fotogalerias
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Arquivo
  • Loja
  • Política de privacidade
  • Termos e condições
  • Livro de reclamações
  • Empresa

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Tem a certeza de que quer desbloquear esta publicação?
Desbloquear à esquerda : 0
Tem a certeza de que pretende cancelar a subscrição?