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Home Sociedade

 Bispo refere-se a este 13 de Maio como “a peregrinação mais difícil do Santuário”

“Não queria ficar na história como responsável por um agravamento da pandemia a nível nacional”, disse D. António Marto

Maria Anabela Silva Maria Anabela Silva
12 de Maio de 2020
em Sociedade
D. António Marto assumiu

D. António Marto assumiu (Foto: Santuário de Fátima recebeu “dezenas de emails” a pressionar para que se fizesse outro tipo de cerimónia)

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A peregrinação “mais difícil do Santuário e, porventura, a mais interpeladora”.

Foi desta forma que o bispo de Leiria-Fátima se referiu à celebração deste 13 de Maio em Fátima durante a habitual conferência de imprensa que marcou o início da peregrinação deste ano.

Com o vazio do recinto de oração como cenário, D. António Marto não escondeu o sentimento de “tristeza e de dor” pessoal, pelas circunstâncias em que vão decorrer as celebração, mas frisou que a decisão teve em conta o “sentido de grande responsabilidade humana e cristã, pela salvaguarda do bem público da saúde e da vida humana”.  

“Não queria ficar na história como responsável por um agravamento da pandemia a nível nacional”, afirmou o cardeal, revelando que, durante as últimas semanas, recebeu “dezenas de emails” a pressionar para que se fizesse outro tipo de cerimónia, mais participada, alguns deles “agressivos e ofensivos”.

“Chocou-me muito”, confessou o bispo, que disse também ter recebido felicitações pela decisão da igreja provenientes de “vários quadrantes” da sociedade.

Sobre a pressão para ter uma celebração com mais pessoas, como aconteceu com o 1.º de Maio, D. António Marto alegou que “não se pode comparar o que não é comparável. “Uma coisa é uma manifestação de carácter sindical ou político. Outra é a responsabilidade da Igreja de corresponder ao melhor que a situação nos parece exigir”, reforçou o cardeal, sublinhando que “era imprevisível saber que multidão vinha” a Fátima e “como gerir isso”.

Na sua mensagem inicial, D. António Marto não esqueceu os peregrinos que tinham planeado vir este ano a Fátima no 13 de Maio, muitos desejando cumprir as suas promessas, a quem expressou a sua solidariedade e a garantia de que os ter “particularmente” presentes nas celebrações.

Deixou-lhes ainda uma mensagem de resignação e, ao mesmo tempo, esperança. “Temos de enfrentar a vida como ela se nos apresentar” e “não ficar fechados” no “sentimento de tristeza e de dor” provocada pela ausência física do  santuário”, disse o cardeal, que apelou ao sentido de “responsabilidade, solidaridade e de fraternidade”.

São, defendeu, “palavras de ordem” essenciais para enfrentar “os dias difíceis que vivemos” e aqueles, “não menos dificies” que nos esperam”.

D. António Marto lembrou ainda as vítimas, directas e indirectas da pandemia, a quem deixou uma mensagem de “solidariedade e proximidade” e evocou o Dia Internacional do Enfermeiro, que hoje se assinala, enaltecendo a forma como tem estado na linha de frente no combate à pandemia, como “santos ao pé da porta”.

Questionado sobre o impacto do confinamento nas finanças do Santuário, que vive sobretudo da ofertas dos peregrinos, D. António Marto referiu que a instituição tem “sustentabilidade económica para fazer face aos pagamentos”, nomeadamente os salários dos seus cerca de 350 funcionários.

“É uma questão de honra. Não houve despedimentos nem recurso ao lay-off”, adiantou o bispo, assegurando que “preocupação social do Santuário permanece, com ajuda a instituições, famílias e até à Igreja em Portugal”. 

Tópicos: 13 Maiocerimóniareligiãosantuário de fátimasociedade
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