PUBLICIDADE
  • Edição Impressa
Jornal de Leiria
Assinar desde 0,39€ por semana
  • Iniciar sessão
  • Criar conta
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Opinião
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Saúde
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Depressão Kristin
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Opinião
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Saúde
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Depressão Kristin
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Jornal de Leiria
Assinar
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Opinião
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Saúde
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Depressão Kristin
Home Covid-19

Deixaram a casa, deixaram os seus. Fazem-no por amor e por missão

Daniela Franco Sousa Daniela Franco Sousa
23/04/20 03:04
em Covid-19
Deixaram a casa, deixaram os seus. Fazem-no por amor e por missão
Share on FacebookShare on Twitter

Por estes dias de confinamento, enquanto muitos se entregam aos beijos inocentes dos filhos e aos abraços cúmplices dos maridos e das esposas, para ultrapassarem em conjunto este período de restrições, são muitos os profissionais que, para poderem dar continuidade à sua missão, nos hospitais, nos lares, ou pelas estradas da Europa, estão a abdicar do contacto com a família. É uma atitude de amor e de responsabilidade, explicam alguns destes soldados, que falaram ao JORNAL DE LEIRIA acerca destes dias de guerra contra a pandemia.

Fazer do emprego a própria casa

Mãe pela primeira vez, Vanessa teve de deixar a filha bebé e, com grande tristeza, pôr um ponto final num dos gestos que mais as unia, a amamentação. Vanessa Póvoa, de 36 anos, é directora técnica da Residência Eira da Torre e faz parte do grupo de 23 colaboradores que desde 31 de Março permanecem em isolamento total com os cerca de 60 idosos daquele lar de Santa Eufémia, em Leiria.

É uma medida extrema e que implica grande espírito de missão por parte dos funcionários, conta a directora, que espera que, depois deste período, a actividade de quem trabalha nos lares seja mais reconhecida. Para já, frisa a responsável, a experiência já trouxe importantes mudanças de perspectivas. A partilhar o mesmo espaço durante tanto tempo, todos os colaboradores passaram a conhecer-se melhor enquanto pessoas, muito além do desempenho profissional de cada um. Além disso, o isolamento permitiu viver na primeira pessoa as dificuldades que alguns idosos enfrentam à chegada a uma instituição, seja a perda da casa, das rotinas ou do contacto com os seus, nota a directora técnica. Vivê-lo permite reflectir e tentar procurar ainda mais recursos que possam minimizar esses constrangimentos aos utentes, relata a responsável.

Vanessa Póvoa explica que são poucos os funcionários desta instituição que se encontram nas suas casas. Para algumas pessoas da equipa não havia mesmo alternativa e era preciso garantir assistência aos filhos, expõe a directora. Mas, todos os que puderam fazê-lo, decidiram em conjunto que a melhor forma de proteger os idosos era permanecer no lar.Com o apoio da Cruz Vermelha, da Câmara de Leiria e da União das Freguesias de Santa Eufémia e Boa Vista, foram cedidas as instalações do jardim-de-infância, que fica nas imediações do lar, para que alguns colaboradores ali pudessem permanecer, enquanto outros estivessem na residência, explica a directora.

Também o sistema de folgas se mantém, para que todos tenham direito a descanso, ainda que sem abandonar a instituição. Atenta ao desenrolar dos acontecimentos, a direcção irá reavaliar a situação no final deste mês, para perceber se será viável formar diferentes equipas, que possam de forma rotativa regressar a casa, e ficar por uma semana ou quinze dias, antes de voltarem para mais uma quinzena no lar. Vanessa Póvoa reconhece que, apesar de todo o carinho manifestado pelas famílias dos utentes, que quase todos os dias enviam bolos e mimos para idosos e funcionários, o esforço de cada colaborador é enorme. Bem como o dos seus cônjuges, que ficam sozinhos a gerir a casa e os filhos.

É esse o caso do seu companheiro, que reparte os dias entre o teletrabalho e os cuidados com a bebé de 18 meses, exemplifica a directora. Para Vanessa, há que evitar as penosas vídeochamadas com a menina, que se sempre a fazem desabar. São preferíveis as chamadas por voz, considera a directora, que já vai conhecendo as armas que melhor a defendem do ponto de vista psicológico.

Calar o coração e dar voz à razão

Rosa Fernandes, de 37 anos, enfermeira no serviço de Medicina do Hospital Bernardino Lopes de Oliveira, em Alcobaça, não vê o marido nem os dois filhos há semanas. Juntamente com o companheiro, também ele enfermeiro, optou pela separação de todos, como forma de proteger o agregado. Rosa passou a viver numa habitação emprestada por amigos, que estava desocupada, para que o seu marido pudesse ficar também sozinho, na casa de ambos. Quantos às crianças, de oito anos e 23 meses, passaram a residir com os avós.

“Há dias de muita saudade. Mas prefiro estar longe dos filhos sabendo que não têm qualquer problema, do que estar perto, sabendo que correm riscos”, justifica a enfermeira, que em nada se arrepende da decisão. “Calo o coração e penso no bem comum”, acrescenta Rosa. Através do telefone, tentam encurtar-se as distâncias. E quando o desespero aperta, faz-se uma visita e olham-se de longe, relata a enfermeira.

Bilhota Xavier, director do serviço de Pediatria do Centro Hospitalar de Leiria, explica que são muitos os enfermeiros e médicos que nesta fase estão a viver em isolamento, para proteger pacientes e a sua própria família. Embora tudo esteja a correr com mais tranquilidade do que noutras regiões do País, o risco existe e é preciso minimizá-lo. Mas os WhatsApp desta vida não colmatam a necessidade de contacto físico destes profissionais, que estão a passar por dificuldades ao nível psicológico, frisa o director.

O peso da discriminação

Os dias de Diogo Rodrigues são de uma solidão atroz. Nos últimos tempos, o camionista de 35 anos teve de tomar uma decisão difícil, mas que se impunha, para bem da sua família e para bem de todos aqueles com quem diariamente continua a cruzar-se. Ainda nem as escolas e as creches tinham sido encerradas e já Diogo tinha traçado uma estratégia com a família, de forma a que as suas viagens constantes pelo País, e fora dele, não colocassem em risco a saúde dos seus. Residia até agora na Marinha Grande, com a esposa e duas filhas, de 4 meses e 3 anos. Mas a pandemia fez trocar as voltas ao agregado, que passou a viver em Ourém.

Todos, menos Diogo, que ficou sozinho em casa, na Marinha Grande. “A minha mulher e as minhas filhas foram para casa da minha mãe, para que ela possa ter apoio com as meninas e ficar em teletrabalho”, explica o camionista. Depois de percorrer 600 ou 700 quilómetros por dia, Diogo regressa ao silêncio da casa, que já não é um verdadeiro lar. Vê as meninas através do telemóvel, mas os diálogos são breves instantes, como é de esperar em crianças tão pequenas, reconhece o camionista. Basta saber de um pequeno acidente doméstico, uma queda de uma das filhas, para se sentir “completamente impotente”. E há a casa para limpar, as compras para fazer, as refeições para confeccionar, sempre sozinho, depois de horas a conduzir igualmente sozinho.

Em todos estes dias, arriscou visitar a família poucas vezes, depois de muito sedesinfectar. Saboreiam-se uns abraços e é tempo de voltar à solidão. Mas não podia ser diferente, considera Diogo. Havia que continuar a trabalhar. Não só porque o vencimento faz falta ao agregado, mas também porque havia um sentido de missão latente. “Grande parte do que transporto são bens essenciais, que fazem falta às pessoas”, justifica o camionista.

Mas não é só a solidão que o fere. Diogo explica que, por medo, muitos clientes já não o deixam descarregar mercadoria. Apesar de utilizar máscara e luvas, os clientes preferem retirar os artigos do camião do que aceitar a sua ajuda. E já teve clientes que o despacharam da empresa à pressa, para evitar que pensasse sequer em utilizar a casa de banho ou tomar um café. “Não sou nenhum leproso”, desabafa o camionista.

O reconhecimento como combustível

Hugo Carvalho, de 36 anos, é técnico de emergência pré-hospitalar, pelo que assegura o transporte de doentes, de ambulância, em Leiria. O técnico faz parte de um grupo de sete profissionais, que desde logo optaram por não ir a casa e assim restringir ao máximo o contacto com as suas famílias durante essa fase de pandemia. “Todos nós estamos cientes do risco associado à nossa profissão, por isso, tentamos proteger os nossos”, justifica Hugo. Encontrar casas para este grupo foi relativamente fácil, explica o técnico.

O INEM, a Câmara Municipal de Leiria e o Politécnico de Leiria entraram em diálogo e num instante foram disponibilizadas residências de estudantes a este grupo, explica Hugo Carvalho, em jeito de agradecimento. No caso destes profissionais, a população tem manifestado reconhecimento pela sua missão. E este é de certa maneira o fuel que necessitam para continuar a dar o seu melhor, realça o técnico.

O facto de se manterem ao serviço e de poderem partilhar o seu dia- -a-dia com os colegas também facilita o processo. “Acaba por não se sentir tanto a solidão”, conta Hugo. “É bem pior para as nossas famílias”, realça o técnico, que nesta fase teve de deixar em casa a companheira grávida. E, como ele, há outros colegas que têm em casa os seus filhos pequenos. Quem fica tem de gerir a solidão e a vida doméstica. As novas tecnologias têm sido a tábua de salvação. Ver a família, mesmo que através de telemóvel, vai permitindo encurtar o distanciamento e manter a saúde mental de todos. Abraços e beijos estão por agora fora de questão. “Quando vamos buscar comida ou roupas a casa, ficamos a metros de distância”, relata Hugo.

Tópicos: covid-19idososLeiria

RELACIONADOS

Conferência internacional INOV.AM em Leiria
Economia

Conferência internacional INOV.AM em Leiria

Setembro 12, 2026
Máximas nos 37 e 38 graus em alguns concelhos. Distrito de Leiria sob aviso amarelo até segunda-feira
Sociedade

Máximas nos 37 e 38 graus em alguns concelhos. Distrito de Leiria sob aviso amarelo até segunda-feira

Setembro 12, 2026
Leiria: Adlei defende plano de mobilidade inclusivo
Sociedade

Leiria: Adlei defende plano de mobilidade inclusivo

Setembro 11, 2026
Próxima publicação
“O mundo não é para velhos. E cada vez menos”

“O mundo não é para velhos. E cada vez menos”

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMOS ARTIGOS

O seu filho não quer regressar à escola? Saiba quais são os sinais quando algo não está bem

Conferência internacional INOV.AM em Leiria

Máximas nos 37 e 38 graus em alguns concelhos. Distrito de Leiria sob aviso amarelo até segunda-feira

Inqualificável

Ourém abre concurso para construção de acesso mecânico ao castelo

MAIS VISTOS

O seu filho não quer regressar à escola? Saiba quais são os sinais quando algo não está bem

O seu filho não quer regressar à escola? Saiba quais são os sinais quando algo não está bem

Setembro 12, 2026
Conferência internacional INOV.AM em Leiria

Conferência internacional INOV.AM em Leiria

Setembro 12, 2026
Máximas nos 37 e 38 graus em alguns concelhos. Distrito de Leiria sob aviso amarelo até segunda-feira

Máximas nos 37 e 38 graus em alguns concelhos. Distrito de Leiria sob aviso amarelo até segunda-feira

Setembro 12, 2026
Inqualificável

Inqualificável

Setembro 12, 2026
Sónia Gonçalves Pereira, Médica, investigadora
Ourém abre concurso para construção de acesso mecânico ao castelo

Ourém abre concurso para construção de acesso mecânico ao castelo

Setembro 12, 2026
  • Empresa
  • Ficha Técnica
  • Contactos
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Publicidade Edição Impressa
  • Publicidade Online
  • Política de Privacidade
  • Termos & Condições
  • Arquivo
  • Loja
  • Livro de Reclamações

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Bem-vindo de volta!

Aceder à sua conta abaixo

Esqueceu-se da palavra-passe? Criar conta

Criar nova conta!

Preencha os campos abaixo para criar a sua conta

Todos os campos são obrigatórios. Iniciar sessão

Recuperar a palavra-passe

Indique o seu email para receber uma nova palavra-passe.

Iniciar sessão
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Edição impressa
  • Assinar desde 0,39€ por semana
  • Subscrever newsletters
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Comunidades
  • 50 anos do Poder Local
  • Agenda
  • Lentriscas em castelo
  • É quinta-feira, foge comigo
  • Palavra de honra
  • Críticas
  • Fotogalerias
  • Estatuto editorial
  • Contactos
  • Ficha técnica
  • Arquivo
  • Loja
  • Política de privacidade
  • Publicidade online
  • Publicidade edição impressa
  • Termos e condições
  • Livro de reclamações
  • Empresa

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Tem a certeza de que quer desbloquear esta publicação?
Desbloquear à esquerda : 0
Tem a certeza de que pretende cancelar a subscrição?