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Home Sociedade

Investigador de Leiria é co-autor de estudo que alerta para o risco de “colapso” de ecossistemas

Ruben Heleno participou em trabalho internacional sobre redes ecológicas.

Maria Anabela Silva Maria Anabela Silva
19 de Abril de 2020
em Sociedade
Investigador de Leiria é co-autor de estudo que alerta para o risco de “colapso” de ecossistemas
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Investigador do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra e professor do Departamento de Ciências da Vida desta instituição, Ruben Heleno, natural de Maceira, Leiria, é um dos três autores de um estudo internacional que alerta para o risco de “colapso” de ecossistemas inteiros, em resultado das alterações às redes alimentares, por acção humana.

Neste trabalho, publicado recentemente na revista Web Ecology, os investigadores recolheram evidências “incontornáveis” de que essas alterações biológicas “não afectam apenas algumas espécies isoladas, mas que simplificam redes alimentares inteiras, ameaçando a persistência das comunidades biológicas naturais a longo prazo”.

“Todas as espécies dependem de outras espécies ao seu redor para sobreviver, de maneira que a energia do sol que as plantas conseguem captar e converter em biomassa, vai depois circulando por muitas cadeias tróficas até chegar aos predadores de topo”, explica Ruben Heleno.

Percurso
 
Doutorado em Ecologia, Ruben
Heleno, 38 anos, é professor do
Departamento de Ciências da Vida
da Universidade de Coimbra e
investigador do Centro de Ecologia
Funcional da mesma instituição. É
natural da Maceira, Leiria.
 

O investigador frisa que, à medida que se perdem espécies e se simplifica essa rede, “vamos reduzindo o número de vias através das quais a energia (e biomassa pode chegar a todas as espécies” e aumentando “a instabilidade do sistema”.

Dessa forma, reduzimos a capacidade de o sistema resistir a “perturbações futuras, como doenças, incêndios, cheias, derrocadas, invasões biológicas, alterações no clima”.

A perda de biodiversidade, quer a nível local quer a nível global, é, segundo Ruben Heleno, a principal ameaça às redes ecológicas.

“Por acção directa ou indirecta da actividade humana, todos os dias perdemos espécies que se extinguem de uma zona ou desaparecem completamente do planeta. Algumas são muito carismáticas, outras nem tanto, mas toda são peças importantes”, diz o docente da Universidade de Coimbra, doutorado em Ecologia, que compara a natureza ao jenga, jogo clássico que consiste em criar uma pilha de blocos e derrubá-la.

“Ao perdermos espécies, a “torre” não cai imediatamente, porque felizmente a natureza é muito resistente, mas vai ficando cada vez mais simples e mais frágil”, alerta. Ruben Heleno defende, por isso, que são precisas “medidas urgentes para proteger a integridade das cadeias ecológicas”, sob pena de “empurrarmos rapidamente ecossistemas inteiros para fora dos seus limites de segurança”.

Como? “O diagnóstico é fácil: precisamos de conseguir estancar a extinção de espécies, limitar as alterações climáticas a limites razoáveis, controlar a expansão de espécies invasoras e reverter a desflorestação”.

O complicado “é compatibilizar estas medidas com uma população humana galopante onde se acentuam, cada vez mais, as assimetrias e onde todos competem segundo as regras de um mercado global que não tem em conta os limites dos recursos naturais oferecidos pelo planeta”.

“Temos de encontrar formas de promover soluções de negócio e de vida que sejam realmente sustentáveis e aceitar que não podemos continuar a viver acima das possibilidades do planeta”, aponta o investigador.

Tópicos: centro de ecologia funcionalinvestigadorLeiriaredes alimentaresrubem helenoUniversidade Coimbra
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