Lá de cima, instalado num hotel com as vistas largas sobre a Nazaré que só a Pederneira pode oferecer, Gabriel o Pensador está atento a todos os pormenores.
Aguarda nova chamada do amigo Sérgio Cosme e enquanto não volta à água, aproveita “para contemplar”. Encanta-se com a “luz do entardecer” e com o som das gaivotas.
Não havia show marcado para Portugal, mas mesmo assim o rapper brasileiro apostou em regressar ao palco de todas as aventuras que conheceu em Outubro de 2016.
“Avisei os amigos que tinha esse espaço na agenda, a previsão das ondas era boa e decidi vir. Vim sem prancha, sem nada. Ofereceram-me uma estrutura boa. São hospitaleiros e está sendo óptimo, uma experiência muito boa.”
O mar “está subindo aos poucos”. Para o próximo fim-de-semana são aguardadas ondas de vinte metros. “Estou pegando o jeito e me sinto muito bem”, revela o autor de 2345meia78, para quem a adrenalina “é muito importante”.
[LER_MAIS]É “muito impulsivo”, faz as “coisas por paixão”, pelo que nada melhor do que se desafiar neste canto com “um tipo de ondas que não existe em mais nenhum local do mundo”.
O mar sempre foi uma fonte de inspiração para Gabriel. “Acorde num domingo, tome seu café. Pegue a sua prancha, tome a bênção à mãe. Reze com fé e vai pro mar, e vai pro mar”, já diz ele na letra de Solitário surfista.
“Até pelo equilíbrio espiritual e mental que me traz”, justifica. “A minha vida é muito agitada. Amo o que faço, me emociono, mas é sempre uma vida muito louca de horários, não paro num local só. Então o mar me dá essa paz, me reconecta com a minha essência.” É um “prazer enorme” que vem da adolescência. Uma “conexão com a natureza e com o divino” e o regresso “da paz interior” que “inspira e ajuda o poeta a ter boas ideias”.
A “tranquilidade” na vila, que visitou pela primeira vez para surfar em Outubro de 2016, faz-lhe “falta”especialmente quando está na “cidade grande”, no “local violento, no “meio da confusão, do engarrafamento e da poluição”.
“Estar na Nazaré é o oposto disso tudo. É a natureza bem cuidada, as pessoas que gostam de desporto, os pescadores, os barcos…”
Em 2016, o cantor juntou-se a Carlos Burle e Maya Gabeira e Alemão de Maresias, puxado por Eric Rebière, que o colocou nas ondas de jet-ski. “Era um dia de ondas pequenas, puseram-me na água e ainda surfei uma ondinha”, relata.
Ficou de tal forma “fascinado” com a sensação que sentiu que tinha de voltar e voltou, no início deste ano, “curioso” por saber o que é lidar com as “ondas gigantes”.
Aconteceu em Janeiro deste ano e já viu ondas de 18 metros que o deixaram “fascinado”. “Era suposto ir no jet-ski só para ver o mar, mas no caminho já estava perguntando se dava para tentar pegar uma onda. Vimos como o mar estava e decidimos que dava para tentar pegar uma intermédia”, de nove metros, pelo que lhe disseram.
Na última viagem a trabalho a Portugal, fez uma
pequena sessão com Sérgio Cosme, que colocou Rodrigo Koxa na onda que detém, ainda, o recorde mundial. “às pressas de manhã, de olho no relógio para não perder o voo para o Brasil”, e regressou agora, “com mais calma”.Logo que chegou entrou no mar, numa sessão de surf já próximo do final do dia, sozinho, na Praia do Norte, com o apoio de Sérgio Cosme. É que não há tempo a perder…










