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Colégio de São Miguel, uma escola que casa exigência com afectividade

O JORNAL DE LEIRIA foi conhecer um pouco melhor a instituição, que procura casar a “exigência” com a “afectividade” e onde se estimula a participação dos alunos na melhoria da escola.

Maria Anabela Silva Maria Anabela Silva
28 de Fevereiro de 2019
em Sociedade
Colégio de São Miguel, uma escola que casa exigência com afectividade
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A arquitectura do imóvel, construído em 1972, com cimento à vista,que intercala com tijolo vermelho, transmite a ideia de um edifício robusto, “tal como tem de ser um projecto educativo”, e que “nada tem a esconder”, seguindo um dos lemas da instituição, “a verdade”.

A explicação, em jeito de curiosidade, parte de Manuel Lourenço, director do Colégio de São Miguel, instituição de Fátima que voltou a ser a escola da região (distritos de Leiria e Santarém) mais bem classificada no ranking nacional, elaborado com base nos resultados dos exames nacionais do ensino secundário.

E, tal como aconteceu no ano passado, foi também a melhor do País no indicador 'percursos directos de sucesso', que distingue as escolas que mais fazem evoluir os alunos ao longo de cada ciclo escolar, comparando estudantes com perfil semelhante.

A propósito destes dados, o JORNAL DE LEIRIA foi conhecer um pouco melhor a instituição, que procura casar a “exigência” com a “afectividade” e onde se estimula a participação dos alunos na melhoria da escola.

Este último é, aliás, o aspecto que João Jesus, aluno do 12.º ano, mais destaca no colégio. “O que mais gosto é a possibilidade de desenvolvermos projectos, de os debatermos com os colegas e de os aplicarmos na escola”, expõe o estudante que integra o clube da Amnistia Internacional, que envolve cerca de 60 estudantes e que desenvolve actividades na área dos direitos humanos.

João Jesus frisa ainda as reuniões regulares entre a direcção da escola erepresentantes das turmas, para discussão de propostas de melhoria. Foi, conta, no âmbito desses encontros que, por exemplo, ficou decidida a criação da sala do aluno ou do reforço da iluminação nas salas de aula.

 

955
é o número actual de alunos do Colégio de São Miguel, que dispõe ainda de 64 professores e 35 funcionários não docentes. Entre os alunos, há 349 que beneficiam de acção social e 79 de medidas de educação inclusiva

36
foi a posição que o Colégio de São Miguel registou este ano no ranking nacional das escolas, divulgado pelo jornal Público, que analisa os resultados dos exames nacionais do ensino secundário em mais de 700 estabelecimentos

“Isto desenvolve em nós capacidade e gosto em sermos activos e interventivos na sociedade”, alega o jovem, para quem a escola “não se pode focar apenas na matéria e nos currículos”.  Tem também de permitir “explorar outras vertentes como a participação cívica”, defende.

O director do colégio partilha “inteiramente” desta opinião,  [LER_MAIS] sublinhando a importância de a escola dar aos alunos “ferramentas para a vida”, como sejam a capacidade de “pensar o que está menos bem, estudar alternativas, defender ideias e mobilizar esforços” para a sua concretização.

“Ao longo da sua vida, estas capacidades valerão mais do que muitas notas 18 ou 19”, defende Manuel Lourenço, que destaca também a relevância da componente artística.  [LER_MAIS] A valorização desta vertente no colégio é feita, por exemplo, através do desafio “permanente” aos alunos para mostrarem os seus talentos.

Existe, inclusive, um pavilhão das artes, onde, “de forma muito estruturada,se trabalha o desenvolvimento artístico dos alunos”.

Não trabalhamos para os rankings”

Professora no Colégio de São Miguel há 26 anos, Ana Fazenda acredita que o sucesso da instituição, que “não se esgota nas notas e, muito menos, em rankings”, deve-se, em grande parte, à “estabilidade” do corpo docente e não docente, que tem também conseguido “reinventar-se e actualizar-se”, e “à consistência” do projecto educativo.

Aquela professora destaca ainda a capacidade “inclusiva” da escola. “A maioria dos nossos alunos não provêm de um contexto social favorecido. Muitos chegam-nos com situações pessoais de grande fragilidade”, reforça Manuel Lourenço, que aponta alguns números:
“Temos 30 crianças de instituições de acolhimento, 79 alunos beneficiam de medidas no âmbito
da educação inclusiva e 349 têm de acção social escolar”.

“Não trabalhamos para os rankings, mas para um projecto educativo integral, que promova a formação intelectual, física, moral, espiritual, relacional, artística e discursiva”, acrescenta o director, que acredita que os resultados se devem a um “binómio” que junta “muita exigência e muita afectividade”.

“Nenhum aluno fica para trás. Ninguém tem de ser o melhor, mas todos têm de dar o seu melhor. Isto é válido para alunos, professores e educadores [pessoal não docente].”

Ano lectivo 2019/20
Três turmas auto-financiadas

No próximo ano lectivo, o Colégio de São Miguel irá abrir três turmas, em início de ciclos (5.º, 7.º e 10.º anos), a pagar. Sem valor ainda definido, o director refere que a mensalidade será “baixa” e que o objectivo é “dar aos alunos, independentemente da sua área de residência, a possibilidade de usufruir do projecto educativo” da escola.

Esta medida vem no seguimento da redução do número de turmas financiadas pelo Ministério da Educação.

Desde o ano lectivo de 2015/16, a instituição perdeu 11 turmas com contrato de associação, o que representa cerca de um terço das que tinha. Um corte que, segundo Manuel
Loureço , “tem prejudicado, sobretudo, a população de Fátima”.

Tópicos: alunosColégio São Migueleducaçãoprojecto educativorankingsociedade
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