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Home Economia

Primeiros ninhos de vespa asiática identificados no distrito de Leiria

Espécie que mata abelhas representa uma ameaça para a produção de mel.

Cláudio Garcia Cláudio Garcia
31 de Agosto de 2017
em Economia
Primeiros ninhos de vespa asiática identificados no distrito de Leiria
Primeiros ninhos de vespa asiática identificados no distrito de Leiria
Primeiros ninhos de vespa asiática identificados no distrito de Leiria
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Depois da notícia do JORNAL DE LEIRIA da semana passada, o Município de Ourém lançou um alerta para a presença de vespas asiáticas no concelho.

Matam as abelhas, alteram a relação de forças no ecossistema, prejudicam a polinização e ameaçam os rendimentos dos produtores de mel. Ninhos de vespa velutina, mais conhecida como vespa asiática, foram identificados pela primeira vez este ano no distrito de Leiria. A espécie entrou em Portugal em 2011 – pelo Alto Minho – e tem vindo a expandir-se para Sul. Nas últimas semanas, os serviços municipais de protecção civil detectaram colónias em Alvaiázere e Ansião, uma em cada concelho, entretanto destruídas.

No portal SOS Vespa, que é gerido pelo Estado, através do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), estão sinalizados dois avistamentos de vespas asiáticas, no arquipélago das Berlengas e no concelho de Leiria, ambos em 2015, num total de 13 exemplares. Mas nenhum ninho. E os ninhos validados em Alvaiázere e Ansião, os primeiros no distrito de Leiria a chegar aos canais oficiais, continuavam ontem, quarta-feira, pela manhã, sem registo na plataforma. INCF, Direcção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) e Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) não responderam ao pedido de informação do Jornal de Leiria.

 [LER_MAIS] 

A vespa asiática não é considerada mais perigosa para os seres humanos do que a vespa europeia. No entanto, é uma espécie predadora de outras vespas, de abelhas e de outros insectos. Representa um risco para a apicultura, a produção agrícola e para o próprio meio ambiente, devido ao sucesso na reprodução e na conquista de território. Cada ninho alberga até 2.000 vespas e 150 fundadoras, que no ano seguinte criam pelo menos seis ninhos. Quando não matam as abelhas, as vespas asiáticas levam-nas a restringir a actividade, o que também afecta a produção de mel e a polinização. 

Na última sexta-feira, 25, funcionários da Câmara de Alvaiázere acompanharam a destruição da primeira colónia no concelho, na zona da Várzea dos Amarelos. "Estava dentro de um anexo. As pessoas estão no estrangeiro, vieram passar férias e aperceberam-se do ninho, com cerca de um metro de altura", explicou Isabel Pimenta, técnica do gabinete municipal da Protecção Civil. Também no concelho vizinho de Ansião, o comandante dos bombeiros voluntários, António Marques, confirma uma outra ocorrência, na freguesia de Chão de Couce. E a poucos quilómetros, em Figueiró dos Vinhos, têm surgido suspeitas a motivar a intervenção dos bombeiros.

Esta semana, em declarações à rádio TSF, o presidente da associação ambientalista Quercus acusou o Governo de falhar no Plano de Acção para a Vigilância e Controlo da Vespa Velutina em Portugal. "Em 2012 começámos com nove ninhos e passado cinco anos temos milhares de ninhos (…) Os resultados falam por si, é um fracasso", afirmou João Branco, considerando que o modelo peca por excesso de burocracia. Além do ICNF, DGAV e INIAV, o Plano envolve municípios e juntas de freguesia, GNR, direcções regionais de Agricultura e Pescas, associações, proprietários e apicultores. A comunicação do avistamento da vespa asiática é obrigatória – através do portal www.sosvespa.pt, linha SOS Ambiente (808 200 520), via smartphone (aplicação SOS Vespa) ou directamente nas autarquias. E é responsabilidade da Protecção Civil zelar pela destruição dos ninhos. 

Segundo Anabela Mendes, técnica da Associação de Apicultores da Região de Leiria, Ribatejo e Oeste (AARL), o ano de 2017 marca a entrada da vespa asiática no distrito de Leiria. Até à data, o efeito na produção de mel "não é significativo", esclarece. "Nesta campanha passada notou-se mais o impacto da seca e dos incêndios. E há outra doença, que é grave, a varroose, bastante mortífera". Os 950 associados da AARL mantêm, em média, 25 mil colmeias e produzem 100 a 120 toneladas de mel por campanha. 

Como identificar a vespa asiática?

A vespa asiática distingue-se da vespa europeia porque tem as patas amarelas (e não castanhas), o tórax muito escuro quase preto (e não castanho) e a cabeça castanha ou preta (e não amarela). É uma vespa de grandes dimensões, com face laranja ou amarelada, corpo castanho-escuro ou preto, delimitado por uma faixa fina amarela e um único segmento abdominal amarelado-alaranjado, o que a diferencia de qualquer outra. As asas são escuras e as patas castanhas com as extremidades amarelas. As vespas nativas europeias são aliadas no combate à vespa asiática. Daí a importância de distinguir as duas espécies. A comunicação de avistamentos, ou suspeitas, é obrigatória. A subespécie de vespa asiática introduzida na Europa é a a vespa velutina nigrithorax, também chamada de vespa das patas amarelas. É originária do norte da Índia, Butão, China e Indonésia.

Tópicos: Leiriavespa asiática
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