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Home Sociedade

Ministro diz que prejuízo é inevitável se Trump “decidir mal” sobre Acordo de Paris

O ministro do Ambiente afirmou que se o Presidente dos Estados Unidos "decidir mal" e "relaxar" o compromisso no Acordo de Paris "haverá inevitavelmente um prejuízo", avisando que "o 'Armageddon' será em 2036" se emissões não diminuírem.

Redacção Redacção
1 de Junho de 2017
em Sociedade
Ministro diz que prejuízo é inevitável se Trump “decidir mal” sobre Acordo de Paris
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“Se o Sr. (Donald) Trump decidir mal, no sentido de relaxar o compromisso dos Estados Unidos da América com o Acordo de Paris, há inevitavelmente um prejuízo para todos nós, ainda que eu esteja convencido de que se trata mais de um sobressalto do que de uma tendência”, disse João Pedro Matos Fernandes à margem de um evento do grupo Águas de Portugal em Lisboa. 

As declarações foram feitas antes de ser noticiado por meios da comunicação social norte-americana, com base em fontes anónimas, mas próximas da presidência, que Donald Trump vai formalizar a saída do país do acordo de Paris sobre alterações climáticas. 

O ministro do Ambiente português destacou a situação dos países em vias de desenvolvimento e afirmou que no que diz respeito à dimensão de ajuda, financeira e técnica, aquilo a que chama “otimisticamente de sobressalto” acabará “por traduzir-se num prejuízo pesado”. 

“Temos todos consciência de que se não fizermos nada no sentido da redução significativa dos gases que provocam efeito de estufa é já em 2036 que o ‘armageddon’ [fim do mundo] pode estar à nossa frente. E aqui o ‘Armageddon’ não é um nome de filme. Atingiremos os tais dois graus acima da temperatura média do planeta, acima do que era no início da revolução industrial e a partir daí a vida na terra por razões climáticas será muito mais difícil do que aquilo com que já todos nos confrontamos”, afirmou. 

João Pedro Matos Fernandes considerou “uma asneira do ponto de vista de criação de riqueza, emprego e bem-estar, abandonar ou fazer perigar os compromissos de Paris”. Ainda assim, o governante português afasta o cenário de “reversão profunda” e destaca que “naturalmente num país e numa democracia como a dos EUA, o país é muito mais do que a sua administração”. 

“Aquilo que as empresas americanas investiram, nomeadamente empresas do sector do consumo, aquilo que é o papel que a própria comunidade científica americana desempenhou e desempenha, não permitirá que haja uma reversão profunda. 

Mas este sobressalto será certamente preocupante”, afirmou. Vários órgãos de comunicação social, incluindo o canal de televisão Fox, noticiaram que Trump decidiu que os Estados Unidos irão abandonar o acordo, e a agência Associated Press citou um responsável da Casa Branca dizendo que o presidente norte-americano deverá anunciar a saída. 

O mesmo responsável referiu que Trump pode “usar ressalvas na linguagem” que vai usar para anunciar essa saída — deixando aberta a possibilidade de a decisão não ser final. Na terça-feira, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, considerou “absolutamente essencial” que o acordo de Paris sobre combate às alterações climáticas seja concretizado. 

No seu primeiro grande discurso consagrado ao aquecimento global, e às subsequentes alterações climáticas, António Guterres considerou que os objectivos fixados pelo acordo, estabelecido em 2015, deveriam ser cumpridos “com uma ambição acrescida”. Concluído no final de 2015 na capital francesa por mais de 190 países e sob a égide da ONU, o acordo visa limitar a subida da temperatura mundial reduzindo as emissões de gases com efeito de estufa. 

O acordo histórico teve como “arquitectos” centrais os Estados Unidos, então sob a presidência de Barack Obama, e a China, e a questão dividiu a recente cimeira do G7 na Sicília, com todos os países a reafirmarem o seu compromisso em relação ao acordo com a excepção de Washington. 

Durante a campanha das presidenciais, Trump prometeu anular o acordo sobre as alterações climáticas, mas desde que está na Casa Branca tem enviado sinais contraditórios, reflectindo as correntes contrárias que atravessam a sua administração.

Lusa/JORNAL DE LEIRIA 

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