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Luísa Oliveira,cantora: “a primeira mulher a cantar com a Orquestra do Exército fui eu!”

O que saliento deste espectáculo, a que chamámos Memórias, é a intimidade que existe entre músicos e cantora, mas também com o público.

Jacinto Silva Duro Jacinto Silva Duro
20 de Fevereiro de 2017
em Viver
Luísa Oliveira,cantora: “a primeira mulher a cantar com a Orquestra do Exército fui eu!”
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Luísa Oliveira é um nome muito conhecido no concelho da Marinha Grande, mas agora a sua aposta é fazer carreira nacional e no estrangeiro…
Tenho muitos anos de trabalho na música. Comecei há décadas no Festival da Canção da Marinha Grande, seguiram-se muitos concertos pelo País e estrangeiro. A seguir fui seleccionada para concorrer no Festival da Canção da RTP, em 1993, com uma canção de Amadeu Diniz da Fonseca, cujo título era Talvez noutro Lugar. Depois, estive quatro anos na Orquestra Ligeira da Exército (OLE), como cantora solista, sendo que fui a primeira intérprete feminina a ser solista numa orquestra militar nacional. Após isso, nunca mais parei. Ou melhor, saí do circuito nacional durante quase 20 anos, enquanto andei embarcada na Classical International Cruises, uma empresa de cruzeiros, como cantora residente, pelo mundo fora. Findo esse tempo, considerei que estava na hora de me dedicar a outras coisas e deixar a música para trás. Mas não consegui. Estava fisgada. Contaminada por este bicho, não consegui deixar de voltar aos palcos. Em pouco mais de seis meses, já fiz um número considerável de espectáculos, sempre com casa cheia. Fiz um com a fadista Ana Laíns, outro com o senhor Carlos Guilherme e no sábado passado, foi na vila da Vieira de Leiria, só com os meus músicos. Agora, já estão a aparecer novos convites. Dia 19 de Março, vamos à Casa da Cultura da Marinha Grande e, ontem, soube que vou no dia 16 do mês que vem à RTP Porto.

Está a relançar a carreira em Portugal?
Quero sair dos limites do concelho da Marinha Grande e destas cidades da região à volta de Leiria e ir para mais longe, quem sabe para o estrangeiro? Que temas aborda nos seus concertos? Como estive tantos anos a cantar, todas as noites, nos cruzeiros, tenho influências variadíssimas. Várias línguas e um grande repertório… Se estava no Piano Bar, ou se tinha um público sueco ou chinês, o repertório recaía nos clássicos da música francesa ou inglesa. E mesmo ópera.

Mas, agora, conta já com temas portugueses inéditos?
Sim. Um lançámo-lo no último concerto, com a Ana Laíns, escrito por Zeca Medeiros. Vamos lançar outro no dia 19 de Março, com o senhor Carlos Guilherme, da autoria de Carlos Alberto Vidal… De resto, o repertório anda à volta dos grandes clássicos portugueses dos anos 40 aos nossos dias, como Tomás Alcaide, com Amor é cego e vê, passando por Tony de Matos, com Lado a Lado, Francisco José, Vitorino, Variações, Simone ou Zeca Afonso. Sempre temas muito fortes com grandes arranjos por parte do meu pianista. O que saliento deste espectáculo, a que chamámos Memórias, é a intimidade que existe entre músicos e cantora, mas também com o público.

É um espectáculo intimista.
Sim. Pode ser. E pode acontecer mesmo em espaços grandes, como aconteceu no auditório da Resinagem, na Marinha Grande. Vamos buscar as emoções e aquilo que as pessoas viveram no passado ao som daqueles temas. Conseguimos, mesmo com arranjos mais contemporâneos e com instrumentos diferentes dos que eram usados naquelas épocas, manter a nostalgia e a agressividade que algumas das canções têm… Como as do Ary dos Santos ou do Zeca Afonso. É muito importante ter um receptáculo onde não se corta com o que os autores queriam na época e não fazer uma coisa completamente diferente com outros sentimentos. Vamos buscar aquilo que imaginamos que o autor tenha sentido quando escreveu o tema e actualizá- lo com arranjos mais contemporâneos e mais leves, preservando sempre a letra e a música. Nos navios, tínhamos sempre de nos adaptar ao público e às circunstâncias, daí que tanto podia cantar o Avé Maria, de Schubert, como Ary dos Santos.

Em palco, como é constituída a sua banda?
Tenho três músicos, além de mim. Pianista, contrabaixo e percussão. Claro que, em locais onde seja possível colocar mais músicos, vamos buscar um violoncelo ou acordeão. Depende do que sentimos naquele momento.

Neste momento, precisa de dar o salto do concelho da Marinha, onde já é sobejamente famosa?
Preciso de mostrar este trabalho, que é excelente, noutras salas. Estou esperançada e estamos a trabalhar muito para que possa actuar noutros palcos fora do distrito. Queremos tentar o Teatro José Lúcio da Silva ou o Miguel Franco. Mas eu quero mesmo é ir para fora de fronteiras! Nos cruzeiros, com que cantores conhecidos se cruzou? O senhor Carlos do Carmo, o senhor Carlos Guilherme, a Nucha, Simone de Oliveira, Mariza, Ana Laíns, Vítor Miranda. Aprendeu muito com eles? Imenso… Sobretudo com o senhor Carlos do Carmo, que é um homem encantador e de poucas palavras.

Está sempre a chamar "senhor" a Carlos do Carmo e a Carlos Guilherme… É uma grande deferência por estas duas personagens da música nacional?
Jamais os tratarei por "tu"… Tal como a "dona" Simone de Oliveira. São senhores e senhoras. Com o senhor Carlos Guilherme há uma intimidade muito grande. Há um vídeo no Youtubeem que cantamosRita e Manecas, um clássico da Revista à Portuguesa. Que é um casal de namorados. Ele tem pouco e quer-lhe dar tudo, mas ela só quer o amor dele…
 

Perfil
A menina que cantava de colher-de-pau na mão
"Nasci em Montemor-o-Velho, em 1969 e vivi só três anos lá. Depois, o meu pai foi trabalhar para a Ricardo Gallo, na Marinha Grande."

A mãe, natural de Ereira, cantava e terá sido ela a influenciar Luísa. Aliás, se não fosse por insistência da mãe para que a cantora se inscrevesse num festival da canção da Marinha Grande, talvez a sua carreira nunca tivesse descolado.

"Já em pequena, cantava as canções todas da época, com uma colher-de-pau na mão, vestindo as batas da minha mãe e em cima da mesa de jantar." Em 1988, uma turma do 11.º ano, num trabalho para a escola, resolveu criar um festival de canção e eu concorri, influenciada pela minha mãe.

No primeiro ano, não ganhou, mas no segundo, em 1990, venceu tudo o que havia para ganhar.Começou a actuar nas colectividades, depois Jorge Humberto levou-a para Lisboa, onde começou a cantar e acabou nos Açores, onde foi desafiar o regente-capitão Reginaldo Neves, da OLE para os acompanhar.

Após cantar Don't Cry for me Argentina, a OLE começou a levá-la para todo o lado. Passou pelo Festival da Canção da RTP, com um tema de Amadeu Luiz da Fonseca e Luís Filipe e, na final, perdeu apenas para Anabela, por uma unha-negra.

Porém, nunca mais parou. Passou por casinos, Antena 2, RTP e RTP2, SIC, TVI… Ver mais sobre Luísa Oliveira AQUI, AQUI e AQUI.

Tópicos: cançãoentrevistaluísa oliveiraMarinha Grande
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