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Leiriense em Áquila continua a sentir abalos do sismo que devastou Amatrice

Isabel Brás, que já trabalhou na Câmara de Leiria, falou com o JORNAL DE LEIRIA sobre o que se sente em Itália

Elisabete Cruz Elisabete Cruz
26 de Agosto de 2016
em Sociedade
Leiriense em Áquila continua a sentir abalos do sismo que devastou Amatrice
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“Continuamos a sentir os abalos. Ainda esta noite acordei com mais réplicas”. Esta foi uma das primeiras frases ditas por Isabel Brás ao telefone esta manhã com o JORNAL DE LEIRIA, que vive em Áquila, a cerca de 60 quilómetros de Amatrice (segundo o google maps), uma das regiões mais afectadas pelo sismo de Itália.

A leiriense licenciada em História, na variante de Arqueologia, adianta que o sismo atingiu, sobretudo, a faixa central de Itália e recordou a todos os habitantes de Áquila o sismo de há sete anos, de magnitude 6,3 que causou mais de 300 mortos e devastou a região de Abruzos. 

“Foi mais um susto, porque já passámos por isto e sabemos bem a dor que aquelas pessoas estão agora a passar. Depois do sismo já aconteceram mais de 400 réplicas. É uma região de alto risco, com muita actividade sísmica, que agora está no seu auge”, acrescenta Isabel Brás. 

Segundo a leirense, Amatrice é uma vila idêntica a Monte Real. “Um local lindíssimo e uma zona de veraneio. Estariam lá muitas pessoas a passar férias. Era muito conhecida pelo seu spaghetti alla amatriciana. Quando vi as imagens da destruição doeu-me muito o coração”, revela. 

Isabel Brás diz ainda que as autoridades continuam no terreno à procura de sobreviventes e têm pedido aos italianos para não se dirigirem ao local para deixarem as vias de socorro livres.

“Dizem para mantermos a calma e apelam à solidariedade de todos. Há imensas pessoas que ficaram sem nada e estão em centros de acolhimento criados após o sismo. Quem quiser participar poderá contribuir com alimentos, roupa e água. Há vários números para ajudar.” 

Em Áquila a vida continua. Isabel Brás está, neste momento, a dar aulas de Português aos estudantes de Erasmus. 

“Estas tragédias fazem-nos reflectir e perceber a nossa fragilidade. Não vale a pena zangas. Todos devemos estar unidos, porque as coisas não acontecem só aos outros.” Para Leiria deixa uma mensagem: “Um abraço a todos da minha terra e que Deus vos proteja sempre.” 

O centro de Itália foi abalado esta quarta-feira por um sismo de magnitude 6,2 na escala de Richter. Na manhã de hoje, a Agência Lusa apontava para, pelo menos 267 vítimas mortais, de acordo com os números divulgados pela Protecção Civil local. 

O terramoto, que ocorreu às 03:36 horas (02:36 em Lisboa), a sudeste de Norcia, cidade da província de Perugia, na região da Umbria, teve o epicentro a dez quilómetros de profundidade, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), que monitoriza a actividade sísmica mundial.

O sismo foi seguido de diversas réplicas de 5,5 e 4,6 e 4,3, perto de Amatrice e de Norcia, e a principal, de 6, sentiu-se em Roma, a aproximadamente 150 quilómetros de distância. Desde o primeiro abalo já se seguiram centenas de réplicas, incluindo mais de 50 só na noite anterior. 

A chefe da Protecção Civil indicou ainda que 2.100 pessoas dormiram nos acampamentos instalados em vários pontos da zona afetada, contra as 1.200 da noite anterior, já que muitos decidiram pernoitar em tendas e nos ginásios em vez de no interior de automóveis ou ao relento. 

A Protecção Civil instalou diversos acampamentos e colocou à disposição ginásios e outros centros com um total de 3.500 camas para as pessoas que ficaram sem casa na sequência do forte tremor de terra. As equipas de resgate continuaram toda noite em busca de sobreviventes, debaixo dos escombros, tanto em Amatrice como em Pescara del Tronto, as localidades onde se estima haver ainda desaparecidos.

O presidente da câmara de Amatrice, na província de Rieti, na região de Lácio, afirmou que “metade da cidade desapareceu” e “há pessoas debaixo dos escombros”, afirmou o autarca de Amatrice, Sergio Pirozzi, em declarações aos media.

Sergio Pirozzi confirmou a existência de significativos desmoronamentos em vários edifícios e pontes que complicam o acesso ao local por parte das autoridades. “Temos espaço para que venham helicópteros de socorro, mas a prioridade é desimpedir as ruas.”

Por seu lado, o coordenador da Cruz Vermelha em Amatrice, Giussepe Pignoli, confirmou a queda de uma ponte na entrada da localidade, o que dificulta o acesso à zona. “Activámos o dispositivo de socorro da Cruz Vermelha. Há muitos danos, esperamos que não haja vítimas”, disse.

A Protecção Civil também avançou que ocorreram colapsos parciais em outras três províncias da região de Marcas: Ascoli Piceno, Fermo e Macerata. 

Jornal de Leiria com Agência Lusa

Tópicos: amatriceaquilaitáliasismo
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