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Home Viver

“Acredito que Leiria se vai afirmando também no panorama jazzístico”

Eduardo Cardinho, músico de jazz.

Redacção Redacção
23 de Julho de 2016
em Viver
“Acredito que Leiria se vai afirmando também no panorama jazzístico”
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O que leva uma criança de 6 anos a ir para uma filarmónica?

Sempre gostei de música, particularmente de bateria. Em casa, estava sempre a tocar nas panelas. Os meus pais gostavam e davam-me quantos tachos e panelas quisesse, para tocar. Depois, revolveram inscrever-me na banda filarmónica dos Marrazes. Eu queria tocar bateria e fui tocar bateria.

Porquê jazz e não rock?

Quando queremos aprender música, ou vamos para escolas específicas – de pop/rock – ou vamos para um conservatório, como é mais habitual. E eu fui estudar música clássica para o Orfeão de Leiria – Conservatório de Artes. Mais tarde, quando fui para a Escola Profissional de Música de Espinho, é que percebi que realmente gostava de jazz. Comecei a ouvir discos e a ver e a ouvir os meus professores. Comecei também a ir a concertos… foi assim.

O que o fascinou no vibrafone?

Fui estudar para o Orfeão de Leiria quando transitei para o 5.º ano de escolaridade, que equivale ao primeiro grau do ensino musical. E enquanto na filarmónica só tinham bateria, bongo, e instrumentos desse género, no Orfeão havia maior variedade. Havia marimba, tímpanos, vibrafone… mais instrumentos de percussão. E foi lá que comecei a tocar marimba e vibrafone. Fiquei fascinado com as dimensões deste último instrumento e com a forma como os músicos o tocavam, com duas baquetas em cada mão. Gostei do que vi e, essencialmente, do que ouvi. O som do vibrafone fascinou-me.

Como é que o jazz é visto pelos jovens, actualmente?

O jazz não é uma coisa muito mainstream. Creio que a maior parte dos jovens não sabe o que realmente é o jazz. Conheço muita gente que diz que não gosta, mas quando ouve, afinal, até gosta. Existem diferentes tipos de jazz, e é um estilo musical que, ao longo dos anos, tem passado por várias fases e, todas elas, tiveram curtos espaços de tempo de existência. O jazz que se toca agora, aquele que eu toco, é completamente diferente daquele que se tocava nos anos 60.

E em Leiria, há espaço para este estilo musical?

Leiria tem tudo para ter espaço para o jazz. Tem óptimos auditórios, bons espaços ao ar livre… Há uns anos, não existia, na cidade, nenhuma orquestra de jazz. Hoje, já existe e isso é muito bom. Com calma, acredito que Leiria se vai afirmando também no panorama jazzístico. Mas penso que é preciso que as pessoas aprendam a ouvir e a gostar de jazz. Por exemplo, no Porto e em Lisboa cada vez mais se vêem jovens, e não só, a assistir a concertos de jazz. Nas cidades mais pequenas, não se vê tanto.

(…)

Perfil

Jazz corre-lhe nas veias

No futuro, ambiciona tocar jazz “por todo o lado, pelo mundo”, para já, percorre os palcos de Portugal, Holanda e Espanha. Eduardo Cardinho tem 23 anos e é natural dos Marrazes, Leiria. Deu os primeiros passos no mundo da música aos 6 anos de idade na Banda Filarmónica de São Tiago dos Marrazes. Enquanto estudante do Orfeão de Leiria, venceu vários prémios. Mais tarde, em 2013, com o Quinteto Eduardo Cardinho, conquistou o segundo prémio no concurso Prémio Jovens Músicos, organizado pela Antena 2, o que ainda lhe valeu um elogio do pianista Mário Laginha. Actualmente, além do Quinteto, está envolvido noutros projectos, como o Eduardo Cardinho Lisbon Trio, Home e Banda Sinfónica Portuguesa. Passou pelo Teatro Miguel Franco, há dias, para apresentar Black hole, o seu primeiro CD.

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Tópicos: Eduardo Cardinhojazzvibrafone
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