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Tão crescidos e com saudades de brincar com carrinhos e bonecas

Numa visita ao Museu do Brinquedo, em Ponte de Lima, descobrimos vários exemplares de brinquedos produzidos pelas fábricas de plásticos de Leiria

Jacinto Silva Duro Jacinto Silva Duro
6 de Março de 2016
em Viver
Tão crescidos e com saudades de brincar com carrinhos e bonecas
Fotografia: Marcelo Brites
Fotografia: Marcelo Brites
Fotografia: Marcelo Brites
Fotografia: Marcelo Brites
Fotografia: Marcelo Brites
Fotografia: Marcelo Brites
Fotografia: Marcelo Brites
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Actualmente, os artigos produzidos por estas marcas granjeiam grande valor sentimental e pecuniário, uma vez que são representativos de um tempo em que Portugal resistia à globalização e aos ventos de mudança

Na segunda metade do século XX, Leiria e a região circundante assistiram a uma verdadeira revolução industrial com a introdução da baquelite, resina sintética, quimicamente estável e resistente ao calor, que foi o primeiro produto plástico, e a abertura de unidades industriais pela mão de empresários como José Lúcio da Silva e outros pioneiros dos plásticos nacionais.

Mas a baquelite não servia apenas para produzir interruptores eléctricos, isolamentos ou peças de motor. Não. Havia outros artigos que podiam ser moldados nela. Os brinquedos faziam parte dessa extensa lista. Mais tarde, com a melhoria dos processos e com os novos materiais, também os brinquedos começaram a ser produzidos noutros tipos de plástico.

É certo que houve outras unidades industriais a fabricar brinquedos em Leiria e na região circundante, contudo, houve uma mão-cheia que se demarcou em termos de qualidade e cujo nome está inscrito no Museu do Brinquedo, em Ponte de Lima.

São elas a Fábrica Lena, Plásticos Santo António, Baquelite Liz e Faplana, mas poderíamos também juntar à lista a Motassis (Pombal), Leiriense Plásticos, Plastiguel ou a Plastimar (Peniche).

O espaço museológico coloca em destaque o confronto entre o brinquedo português e o estrangeiro e mostra mesmo como as quase duas centenas de fabricantes que existiram a nível nacional copiaram e imitaram moldes estrangeiros, não sem nelas cunharem sempre algo de nacional, nos temas, nas cores e na dicotomia que opunha as origens identitárias, numa apropriação que reflectia a(s) realidade(s) portuguesa(s).

De cantis de Fátima a aviões da II Guerra
A determinado momento, a indústria nacional produzia as rocas para bebés, as flautas de folha de flandres, usadas nas aulas de Educação Musical, os baldinhos de praia e as camionetas com as cores das várias companhias familiares que faziam as carreiras entre localidades. Mas também havia barcos, comboios, triciclos, carros a pedais e até soldadinhos de chumbo.

Para nossa história, interessam-nos as unidades que converteram parte da sua capacidade de produção de plástico a favor das brincadeiras de criança. “Poderíamos achar que não, mas a produção de brinquedos nas fábricas nacionais, pelo menos até à entrada na CEE, foi muito 'vigorosa', com muitos modelos, que encontraram caminho para as antigas colónias e Brasil.

Há, ao dispor dos coleccionadores, centenas de modelos, mas há também muito lixo a passar-se por material de qualidade”, alerta o coleccionador Pedro Ribeiro, 40 anos. Desde que começou, em 2000, a juntar brinquedos antigos de origem portuguesa, reuniu já mais de mil artigos, devidamente catalogados.

Os mais valiosos, por motivos sentimentais, são um par de cantis, um com o formato de um peixe e com a éfige dos pastorinhos de Fátima, e fita de plástico para pendurar ao pescoço, oferecidos, quando tinha 9 anos, por uma tia-avó que tinha ido a Fátima.

Aliás, o coleccionador refere que é o tipo de artigo, juntamente com as máquinas fotográficas com slides de paisagens do Santuário de Fátima, que deve ter feito parte da infância de quase todos os adultos a partir dos 30-40 anos.

Numa época em que o politicamente correcto e as novas mentalidades quase criminalizaram a diferenciação de brinquedos entre sexos, falar de máquinas de costura e cozinhas em miniatura, para as meninas, ou de bólides de Fórmula Um, feitos à imagem dos carros com que Juan Manuel Fangio, Fitipaldi, Nuvolari, Stirling Moss ou Alberto Ascari correram pelos perigosos circuitos da Europa e Américas, sem freio nos estribos, pode parecer ainda mais anacrónico do que a sua condição lowtech – vamos usar um termo estrangeiro.

Não vale tapar o sol com a peneira, há apenas algumas décadas, as crianças brincavam com piões de plástico e de lata que emitiam sons e tinham lançadores que os punham a rodar, puxando uma guita, aceleravam, mimetizando com os lábios o roncar dos motores imaginários de réplicas de tractores e dos aviões DC3, que tornaram populares as viagens aéreas…

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Tópicos: 2016fabricasdebrinquedosLeirianostalgia
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