PUBLICIDADE
  • Edição Impressa
Jornal de Leiria
Assinar desde 0,39€ por semana
  • Iniciar sessão
  • Criar conta
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Opinião
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Saúde
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Depressão Kristin
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Opinião
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Saúde
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Depressão Kristin
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Jornal de Leiria
Assinar
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Opinião
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Saúde
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Depressão Kristin
Home Sociedade

“A cultura não é para dar, é para trocar por dinheiro” – Clara Leão, professora de dança

Cláudio Garcia Cláudio Garcia
17/12/15 12:12
em Sociedade
“A cultura não é para dar, é para trocar por dinheiro” – Clara Leão, professora de dança
Share on FacebookShare on Twitter

O que apareceu primeiro, a dança ou a filosofia?
A dança chegou muito tarde, curiosamente. Eu tinha imensos interesses diferentes. Era um pouco inconstante com 13, 14, 15 anos. E quando me lembrei da dança, a minha mãe disse-me 'pois, mas agora vamos ter de esperar algum tempo'. Para lhe responder à pergunta sobre filosofia, em criança uma das coisas que me dava maior prazer durante as festas dos meus pais era ficar sentada numa cadeira, no canto da sala, a ouvir tudo. Coisas que não entendia, muitas delas, mas a palavra, os raciocínios, as opiniões, tudo aquilo me fascinava.

A filosofia não foi a última escolha, o mal menor?
Não, embora nada na minha vida tenha acontecido por uma decisão fortíssima. A minha vida é feita do acaso, dos encontros. E as opções são fruto das circunstâncias que se apresentam. Houve uma altura em que tinha de escolher. A dúvida era tremenda, cheguei a achar que podia estudar Direito. No sétimo ano tive Filosofia, e aí, sim, apresentou-se-me o pensamento. O acto de pensar, os meandros do pensamento, isso foi para mim uma descoberta incrível.

E esse fascínio mantém-se até hoje?
Sim. O estranho disto tudo é que eu não queria nunca, jamais, ser professora. Eu precisava, e preciso, ainda, dessa coisa da filosofia, embora nunca tenha exercido.

E a dança aparece quando?
A dança aparece porque finalmente aos 14 anos a minha mãe lá achou que se eu continuava a falar na dança era capaz de ser a sério. E lá fui para uma escolinha fazer aquelas aprendizagens todas. Depois comecei a fazer workshops, a ir para Lisboa, a dançar nuns grupinhos, a fazer umas coisas, e quando acabou o tempo da faculdade decidi dar aulas a miúdos pequenos na escola onde tinha aprendido. Depois, comecei a perceber que entre a dança que eu tinha aprendido, a dança que era suposto estar a ensinar e aquilo que para mim seria a dança, havia um abismo, enorme. Então foi mais ou menos natural. Acabei o curso e de repente vi-me a dar mais aulas de dança e a pesquisar imenso sobre como fazer de outra maneira.

Vê pontos de contacto entre as duas áreas?
Agora vejo. Durante muito tempo não via. A dança que faço passou a ser uma procura de cada pessoa se encontrar de alguma maneira.

Também começa com um ponto de interrogação, como a filosofia?
Sim, e foi aí que percebi onde é que as duas coisas se encontravam. Porque a dança que faço é muito voltada para que cada aluno se reconheça nos seus limites, nas suas capacidades, na sua vontade, na sua forma de expressão, na ligação com o outro.

É um mundo demasiado competitivo?
Não acho que seja mais do que outros. É um mundo em que as pessoas ficam mais expostas, se quiser. A habilidade técnica é importantíssima. Agora, ter de ser melhor do que o outro, para mim é impensável. Eu tenho de ser melhor do que eu, se for possível. O outro não sou eu, logo, como é que vou comparar-me com alguma coisa que eu não sou? Não posso. Gosto muito de ver um bailarino com óptima capacidade de execução técnica, agora, não me revejo nisso como forma de chegar a mim e, portanto, não me posso rever nisso como forma de tentar que os meus alunos cheguem a eles.

Tem tido vários projectos na prisão e com crianças de etnia cigana ou portadoras de deficiência. O que a motiva e o que aprende?
Aprendo imenso e tenho imensa vontade de continuar a aprender. Não me imagino a viver uma vida em que não haja curiosidade e descoberta. E todos estes projectos, como é óbvio, dão-me noções da dança muito diferentes. E depois colocar os meus alunos perante esse contexto. E fazer com eles essa aprendizagem. É muito interessante perceber as reacções deles, a forma como passam a entender o outro. É isso sobretudo que me move, na minha vida: entender o outro. Cada vez que sou posta perante um outro que é muito diferente eu reconheço-me de outra maneira, tenho outro espelho, outro feedback. E é isso que quero que os meus alunos tenham. O facto de termos vários espelhos enriquece-nos e dá-nos uma noção muito mais sólida de nós próprios e, claro, instrumentos para lidar muito melhor com a diversidade. Isto tudo através do prazer de dançar. E essa descoberta passa também por outra vertente que é que todos os corpos são perfeitos. Todos os corpos dançam de uma forma perfeita, desde que haja essa vontade, essa consciência e essa busca. A expressão pela dança deste corpo é esta e portanto está certa.

O Porto onde cresceu já era a cidade fervilhante que vemos hoje?
O Porto era uma cidade tímida. Vivia- se muito dentro de casa, não se vinha para a rua, mas era muito frequente haver festas em casa uns dos outros, onde iam os pais e os filhos. E, de facto, o Porto não era o que é hoje. Tinha o complexo de ser a segunda cidade. Portanto, quem visitava o Porto, não via uma cidade aberta.

Do Porto a Leiria
A menina tímida que estudou filosofia

Quando era criança, a mãe chegava a fechar-lhe a porta de casa, para obrigá-la a brincar na rua, com os vizinhos. Clara Leão cresceu num apartamento da Rotunda da Boavista, no Porto, e sempre preferiu o isolamento à companhia de terceiros. Depois de vencer a timidez, passou a utilizar a dança para se procurar a si própria e estudar o outro. É aí que encontra ligações com a filosofia, área em que se formou. Está em Leiria desde 1987, a formar gerações sucessivas de jovens. Além da Escola de Dança Clara Leão, dá aulas no ensino superior e está ligada a projectos com reclusos, crianças de etnia cigana, idosos e portadores de deficiência.

Leia mais na edição impressa ou descarregue o PDF gratuitamente

Tópicos: BalletclaraleaodançaentrevistaLeiria

RELACIONADOS

Conferência internacional INOV.AM em Leiria
Economia

Conferência internacional INOV.AM em Leiria

Setembro 12, 2026
Máximas nos 37 e 38 graus em alguns concelhos. Distrito de Leiria sob aviso amarelo até segunda-feira
Sociedade

Máximas nos 37 e 38 graus em alguns concelhos. Distrito de Leiria sob aviso amarelo até segunda-feira

Setembro 12, 2026
Leiria: Adlei defende plano de mobilidade inclusivo
Sociedade

Leiria: Adlei defende plano de mobilidade inclusivo

Setembro 11, 2026
Próxima publicação
(Actualização) – ÚLTIMA HORA – Um morto em colisão entre veículo ligeiro e pesado na EN242

(Actualização) - ÚLTIMA HORA - Um morto em colisão entre veículo ligeiro e pesado na EN242

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMOS ARTIGOS

O seu filho não quer regressar à escola? Saiba quais são os sinais quando algo não está bem

Conferência internacional INOV.AM em Leiria

Máximas nos 37 e 38 graus em alguns concelhos. Distrito de Leiria sob aviso amarelo até segunda-feira

Inqualificável

Ourém abre concurso para construção de acesso mecânico ao castelo

MAIS VISTOS

O seu filho não quer regressar à escola? Saiba quais são os sinais quando algo não está bem

O seu filho não quer regressar à escola? Saiba quais são os sinais quando algo não está bem

Setembro 12, 2026
Conferência internacional INOV.AM em Leiria

Conferência internacional INOV.AM em Leiria

Setembro 12, 2026
Máximas nos 37 e 38 graus em alguns concelhos. Distrito de Leiria sob aviso amarelo até segunda-feira

Máximas nos 37 e 38 graus em alguns concelhos. Distrito de Leiria sob aviso amarelo até segunda-feira

Setembro 12, 2026
Inqualificável

Inqualificável

Setembro 12, 2026
Sónia Gonçalves Pereira, Médica, investigadora
Ourém abre concurso para construção de acesso mecânico ao castelo

Ourém abre concurso para construção de acesso mecânico ao castelo

Setembro 12, 2026
  • Empresa
  • Ficha Técnica
  • Contactos
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Publicidade Edição Impressa
  • Publicidade Online
  • Política de Privacidade
  • Termos & Condições
  • Arquivo
  • Loja
  • Livro de Reclamações

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Bem-vindo de volta!

Aceder à sua conta abaixo

Esqueceu-se da palavra-passe? Criar conta

Criar nova conta!

Preencha os campos abaixo para criar a sua conta

Todos os campos são obrigatórios. Iniciar sessão

Recuperar a palavra-passe

Indique o seu email para receber uma nova palavra-passe.

Iniciar sessão
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Edição impressa
  • Assinar desde 0,39€ por semana
  • Subscrever newsletters
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Comunidades
  • 50 anos do Poder Local
  • Agenda
  • Lentriscas em castelo
  • É quinta-feira, foge comigo
  • Palavra de honra
  • Críticas
  • Fotogalerias
  • Estatuto editorial
  • Contactos
  • Ficha técnica
  • Arquivo
  • Loja
  • Política de privacidade
  • Publicidade online
  • Publicidade edição impressa
  • Termos e condições
  • Livro de reclamações
  • Empresa

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Tem a certeza de que quer desbloquear esta publicação?
Desbloquear à esquerda : 0
Tem a certeza de que pretende cancelar a subscrição?