PUBLICIDADE
  • Edição Impressa
Jornal de Leiria
Assine desde 0,39€ por semana
  • Iniciar sessão
  • Criar conta
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Opinião
  • Newsletters
  • Podcasts
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Opinião
  • Newsletters
  • Podcasts
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Jornal de Leiria
Assinar
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Opinião
  • Newsletters
  • Podcasts
Home Crítica

Música | Mulatu Astatke: O arquitecto do ethio-jazz

Hugo Ferreira, fundador da Omnichord Records Hugo Ferreira, fundador da Omnichord Records
26 de Setembro de 2025
em Crítica
Share on FacebookShare on Twitter
Hugo Ferreira, fundador da Omnichord Records
Hugo Ferreira, fundador da Omnichord Records26 de Setembro de 2025

Poucos músicos podem reivindicar a invenção de um género musical. Mulatu Astatke pode. É dele o rótulo e a sonoridade do ethio-jazz, uma fusão entre as escalas etíopes e a harmonia do jazz, temperada a gosto com funk, soul e ritmo latino.

Mulatu Astatke nasceu em 1943, em Jimma, Etiópia, numa família que o queria engenheiro, mas o destino tinha outros planos. Desde cedo mostrou curiosidade para com a música, cantava nas escolas, acompanhava ritmos tradicionais e ficava fascinado pelos sons do mundo exterior, que chegavam à sua terra através de rádios e discos importados.

Ainda adolescente, decidiu que queria tocar jazz e estudar música e começou uma jornada que o levaria primeiro a Londres e depois a Boston e a Nova Iorque, onde se tornou o primeiro estudante africano da prestigiada Berklee College of Music.

Entre aulas de harmonia, improvisação e composição, Mulatu ía absorvendo tudo: bebop, jazz latino, soul, funk e música africana e enquanto os colegas sonhavam com big bands e recriavam standards, ele imaginava uma sonoridade que soasse etíope, mas, ao mesmo tempo, moderna e global.

Quando regressou a Addis Abeba, nos anos 60, levou bongos e um vibrafone no porão e uma bagagem musical inédita na capital etiope. Addis estava em ebulição com clubes noturnos, rádios locais, grupos, orquestras e jovens músicos talentosos, todos a tentar encontrar uma identidade própria.

Foi nessa tempestade perfeita que Mulatu criou o ethio-jazz. Uma fusão entre as escalas pentatónicas etíopes e a sofisticação harmónica do jazz com a cadência de ritmos latinos e funk. Canções como “Yekermo Sew” ou “Yegelle Tezeta” tornaram-se clássicos instantâneos, hipnóticos, dançáveis, modernos mas profundamente enraizados na tradição. A bateria conversava com o vibrafone enquanto o baixo mantinha tudo no sítio certo, os sopros improvisavam e estruturavam uma arquitetura sonora única.

A chegada do regime Derg e a repressão cultural na Etiópia obrigaram muitos músicos a dispersar-se pelo mundo. Mulatu continuou sempre a gravar e a tocar, mas a sua música tornou-se um tesouro escondido, circulando discretamente em lojas de vinil e entre colecionadores. A redescoberta veio com a série Éthiopiques, nos anos 90, que apresentou ao mundo o som psicadélico e sofisticado de Addis Abeba dos anos 70. DJs, produtores e músicos de várias gerações começaram a samplar, remisturar e a reinterpretar os seus temas. Trabalhou com nomes contemporâneos como The Heliocentrics, participou em muitas colaborações internacionais e intergeracionais e viu o seu nome associado a bandas sonoras de filmes como Broken Flowers, de Jim Jarmusch.

O impacto de Mulatu Astatke é inegável: criou um estilo único, abriu portas para a música africana no cenário global e influenciou artistas do jazz, funk, eletrónica e até do hip hop. É um exemplo de como tradição e modernidade podem coexistir e de como um músico pode ser simultaneamente guardião e inovador.

Hoje, com mais de 80 anos e em plena atividade, Mulatu é reconhecido pelos seus pares e reverenciado, mas mantém a humildade característica de quem trabalha incansavelmente pela música e não pelo ego. Se a música é uma linguagem universal, foi Mulatu que lhe acrescentou um irresistível sotaque etíope.

PartilharTweet

Mais informação

Um espectáculo interactivo e temático sobe ao castrelo de Leiria no sábado
Viver

Halloween: fantasmas nos castelos da região e cinema de horror

28 de Outubro de 2026
Segundo a autarquia, as comportas provocam eutrofização no Arunca
Sociedade

Rio Arunca junto a Pombal não terá açude

28 de Outubro de 2026
Reincidente em violência doméstica detido após agredir polícia e ameaçar a mulher em Pombal
Sociedade

Reincidente em violência doméstica detido após agredir polícia e ameaçar a mulher em Pombal

28 de Outubro de 2026
Próxima publicação
Cinema | Em direto para a internet

Cinema | Em direto para a internet

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMOS ARTIGOS

Halloween: fantasmas nos castelos da região e cinema de horror

Rio Arunca junto a Pombal não terá açude

Reincidente em violência doméstica detido após agredir polícia e ameaçar a mulher em Pombal

Trocado por miúdos | A razão mora onde?

Assalto ao castelo

MAIS VISTOS

Um espectáculo interactivo e temático sobe ao castrelo de Leiria no sábado

Halloween: fantasmas nos castelos da região e cinema de horror

28 de Outubro de 2026
Segundo a autarquia, as comportas provocam eutrofização no Arunca

Rio Arunca junto a Pombal não terá açude

28 de Outubro de 2026
Reincidente em violência doméstica detido após agredir polícia e ameaçar a mulher em Pombal

Reincidente em violência doméstica detido após agredir polícia e ameaçar a mulher em Pombal

28 de Outubro de 2026
Trocado por miúdos | A razão mora onde?

Trocado por miúdos | A razão mora onde?

28 de Outubro de 2026
Marta Bento, estudante de Relações Internacionais
Assalto ao castelo

Assalto ao castelo

27 de Outubro de 2026
Fernando Ribeiro, músico
  • Empresa
  • Ficha Técnica
  • Contactos
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Publicidade Edição Impressa
  • Publicidade Online
  • Política de Privacidade
  • Termos & Condições
  • Arquivo
  • Loja
  • Livro de Reclamações

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Bem-vindo de volta!

Aceder à sua conta abaixo

Esqueceu-se da palavra-passe? Criar conta

Criar nova conta!

Preencha os campos abaixo para criar a sua conta

Todos os campos são obrigatórios. Iniciar sessão

Recuperar a palavra-passe

Indique o seu email para receber uma nova palavra-passe.

Iniciar sessão
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Edição impressa
  • Assine desde 0,39€ por semana
  • Subscreva as newsletters
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Contactos
  • Ficha técnica
  • Publicidade online
  • Publicidade edição impressa
  • Estatuto editorial
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • 50 anos do Poder Local
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Agenda
  • Lentriscas em castelo
  • Palavra de honra
  • Crítica
  • Opinião
  • Fotogalerias
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Arquivo
  • Loja
  • Política de privacidade
  • Termos e condições
  • Livro de reclamações
  • Empresa

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Tem a certeza de que quer desbloquear esta publicação?
Desbloquear à esquerda : 0
Tem a certeza de que pretende cancelar a subscrição?