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Home Opinião

A educação sexual nas escolas pode salvar vidas

Sem um ensino estruturado e ético, os jovens ficam sujeitos aos algoritmos perigosos e da crescente “manosfera” nas redes sociais

Miguel Bilhota Xavier, professor e presidente da InPulsar Miguel Bilhota Xavier, professor e presidente da InPulsar
1 de Maio de 2026
em Opinião
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Miguel Bilhota Xavier, professor e presidente da InPulsar
Miguel Bilhota Xavier, professor e presidente da InPulsar1 de Maio de 2026

A discussão sobre educação sexual nas escolas é, frequentemente, refém de tabus que ignoram a urgência dos factos.

Em Portugal, os dados revelam uma realidade incontornável: 70% das pessoas iniciam a sua vida sexual entre os 15 e os 20 anos. No entanto, o contacto com modelos de sexualidade ocorre muito antes da primeira experiência física.

Estima-se que a idade média do primeiro contacto com a pornografia em Portugal se situe nos 12 anos. Perante este cenário, a escola (e os governos) não pode ser omissa.

A questão não é “se” devemos educar, mas “como” o fazemos para garantir que o silêncio institucional não seja preenchido por conteúdos violentos e desumanizados.

A educação sexual moderna é também uma ferramenta de prevenção contra a violência. Sem um ensino estruturado e ético, os jovens ficam sujeitos aos algoritmos perigosos e da crescente “manosfera” nas redes sociais — ecossistemas digitais que promovem a misoginia e a ideia de que a masculinidade se afirma pelo domínio e pela negação da autonomia feminina.

Numa altura em que os números da violência doméstica e no namoro continuam a alarmar o país, ensinar a distinguir afeto de opressão é um ato de resistência necessário.

É urgente desconstruir a ideia de que o controlo ou o ciúme possessivo são “provas de amor”, combatendo as sementes do abuso antes que elas se cristalizem em ciclos de violência na idade adulta.

Neste processo, a autodeterminação física é o pilar central. É imperativo capacitar as jovens para conhecerem o seu próprio corpo, a sua anatomia e os seus limites.

Este autoconhecimento não é meramente biológico, é uma forma de soberania que permite identificar sinais de alerta e traçar fronteiras claras perante o outro. Uma jovem que conhece o seu corpo e entende o consentimento como algo que deve ser entusiasta, livre e reversível a qualquer momento, está preparada para exercer o seu direito ao “não” sem culpa e para exigir o respeito que lhe é devido. A educação sexual não antecipa calendários biológicos, ela oferece a maturidade necessária para lidar com eles.

Ignorar que pré-adolescentes de 12 anos já estão a ser expostos a conteúdos sexuais explícitos, ou que a esmagadora maioria iniciará a vida sexual antes dos 20 anos, é uma forma de negligência social.

Precisamos de um currículo nas escolas que proteja, que desmistifique e que, acima de tudo, ensine que o corpo de cada um é o seu primeiro e mais sagrado território de decisão.

Educar é o ato mais profundo de cuidado que podemos oferecer para travar o ciclo da violência e construir uma sociedade de respeito mútuo. É simples: a educação sexual nas escolas pode salvar vidas.

Texto escrito segundo as regras do Acordo Ortográfico de 1990

Tópicos: Miguel Xavieropinião
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