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Luís Mourão, dramaturgo Luís Mourão, dramaturgo
19 de Maio de 2026
em Opinião
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Luís Mourão, dramaturgo
Luís Mourão, dramaturgo19 de Maio de 2026

Em 1521 a cidade capital das Astúrias, Oviedo, começou a arder. O incêndio destruiu literalmente toda a cidade. As casas encavalitadas umas sobre outras, as ruas estreitas e sinuosas, a abundância de materiais de construção frágeis, madeira taipa e adobe e os muitos telhados de palha foram terreno ideal à progressão rápida e letal das chamas.

Os ovetenses fizeram certamente todos os possíveis para salvar tudo o que puderam das chamas mas quase tudo foi consumido. Oviedo, a velha cidade medieval farol da resistência cristã, não existia mais. Mas, ninguém desistiu. Primeiro pensou-se, conversou-se, discutiu-se e logo depois avaliaram-se todos os meios financeiros, humanos e materiais disponíveis ou de possível acesso e começou-se a construir uma nova cidade. Desta vez endireitando e alargando ruas, substituindo as madeiras das fachadas e paredes por pedra, o adobe e a taipa por tijolos, os cobertos vegetais por telhas e o chão, quase sempre de mato, por lajes e ladrilhos. Assim contam Alfonso Fanjul Peraza e outros no estudo “Historia de una casa. Arqueología de la vivienda popular postmedieval de la calle Ecce Homo 10 (Oviedo)”. A cidade não só ainda lá está como nunca mais ardeu.

A cidade francesa de Limoges também ainda lá está apesar de ter tido o seu incêndio em 1244. Nada que se compare com Oviedo mas ainda assim destruindo 22 casas. E fez-se o mesmo, pensou-se, avaliou-se e decidiu-se. Limoges construiu vários reservatórios de água, facilmente acessíveis e declarar obrigatório que cada casa tivesse um balde à porta. As casas reconstruíram-se, cada um como pôde, os mesmos materiais, os mesmos erros. Quem conta isto é Régine Pernoud no “Lumière du Moyen Âge”.

Além do caso de Lisboa em 1755 o mais conhecido destes incêndios urbanos devastadores é o que consumiu todo o centro de Londres em 1666 destruindo completamente a cidade medieval. Fez-se o mesmo que se tinha feito em Limoges, mantendo exactamente as mesmas ruelas e becos, um emaranhado de ruas que ainda hoje caracteriza o centro da capital britânica. Pouco se aprendeu. Haja fé.

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