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Home Opinião

O ópio do povo

Fernando Ribeiro, músico Fernando Ribeiro, músico
7 de Julho de 2026
em Opinião
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Fernando Ribeiro, músico
Fernando Ribeiro, músico7 de Julho de 2026

É difícil e penoso ser Português e desfrutar de futebol tal como ele é: um jogo.

Um jogo onde se ganha, perde ou empata.

Apoiar a seleção, neste sentido, tem sido um  verdadeiro pesadelo.

A semana depois do consentido e frustrante empate contra o Congo assemelhou-se a uma  violente viagem verbal , quase “rimbaudiana” aos infernos mais profundos e vis da maledicência nacional, com o CR7 (que esta semana descansou por causa dos golos ao Uzbequistão – quando escrevo este artigo ainda não se jogou contra a seleção colombiana) à cabeça, numa espécie de campeonato mundial de moralismo e ingratidão, em que somos exímios e tetra campeões, sem espinhas ou hesitações.

Perceber esta tendência que todos temos não do copo meio cheio ou vazio, mas do copo partido contra a parede, foi missão de vultos como Pessoa, Unamuno, Quental e Laranjeira (Manuel), tarefa bonita mas inconclusiva e, demasiadas vezes, com um fim trágico.

Talvez não saibamos perder, ou melhor, talvez estejamos demasiado habituados à perda, a não cumprir com metas e potencial. Talvez o nosso problema com o sucesso seja mesmo um problema com o sucesso, o de não saber lidar com o facto de que a nossa nação produz fenómenos musicais, desportivos, científicos, culturais e tecnológicos num contexto de extrema adversidade e num ambiente demasiado hostil.

Eu não me importa se Portugal não for campeão do mundo. Ou se não passar à fase seguinte. O que eu quero é que não se faça um drama acerca disso, cozendo vivo os poucos heróis e exemplos que temos no caldeirão da nossa profunda insignificância mundial, como país de serviços, característica da qual temos culpa e que, depois da semana passada que passámos enrolados em farpas, talvez seja o que merecemos.

Afinal o nosso desporto nacional não é o futebol. É a má-língua. O nosso mais reivindicado e português direito.

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