PUBLICIDADE
  • Edição Impressa
Jornal de Leiria
Assine desde 0,39€ por semana
  • Iniciar sessão
  • Criar conta
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Opinião
  • Newsletters
  • Podcasts
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Opinião
  • Newsletters
  • Podcasts
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Jornal de Leiria
Assinar
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Opinião
  • Newsletters
  • Podcasts
Home Opinião

O fim do meu mundo

Isabel Miranda, autora do blog Por Acaso Não Acho Nada Isabel Miranda, autora do blog Por Acaso Não Acho Nada
21 de Julho de 2026
em Opinião
Share on FacebookShare on Twitter
Isabel Miranda, autora do blog Por Acaso Não Acho Nada
Isabel Miranda, autora do blog Por Acaso Não Acho Nada21 de Julho de 2026

Senti que o ar já arrefecera o suficiente para ser mais respirável, quase fresco nas narinas secas. Talvez, assim parecia, estivesse já nos mesmos 21 graus com que o oceano moribundo grita por socorro há vários dias. Entra-se mar adentro sem arrepio, sem a dança frenética de ossos a estalar que já esperamos por ter sido sempre assim. A sensação primária é de alegria por termos sul a oeste, mas basta arranjarmos um minuto para pensar, coisa que não apetece nada num dia de praia em toda a linha perfeito, para que a pele se arrepie e não é de frio – é de medo pela percepção inequívoca de finitude e de catástrofe generalizada à nossa espera. Estamos mesmo a chegar, sem pejo nem comoção, que os corais morrem longe e por cá aceitamos alegremente as emboscadas recentes do peixe-aranha apreciador de águas cálidas, tal como nós. Pode ser que não nos calhe a picada. É assim, tendemos a achar que a sorte há-de bafejar as nossas escolhas, por muito que a estatística nos esfregue na tromba que a probabilidade de correr mal é de levar muito em conta, no mar como na terra, na vida como na morte. No geral de se existir.

Podemos sempre fechar o cerco e tentar protecção no alheamento. Sobreviver a pão e vinho, livros e animais de estimação. Música e filmes, benzodiazepinas e recalcamento dos ímpetos que equivalem a conduzir um bólide desenfreado que corta curvas e contracurvas na estrada que conhecemos bem. Fechados em nós, encontramos a blindagem que seduz com carícias mansas de torpor seguro, vais salvar-te porque és só tu, o fogo cerrado do outro lado da linha, onde moram os outros, não ganha alcance que chegue para te furar a testa. Mas não é assim. Tens de perceber que o alheamento não passa de um paliativo rasca, de um genérico mal amanhado que cobra a sua ineficácia lá mais à frente, quando já não tiveres forças para emendar a mão. Quando o xeque já for mate e a condição de vencido te encostar no canto do tabuleiro, acocorado, incapaz de tentar outra partida que venha salvar-te a honra.

Então: parece-me haver que enfrentar. Resistir. Fazer com que valha a pena contribuir para alguma mudança, pouca que seja, manifestamente insuficiente e tardia, sim, mas que nos encha o pulmão de ar e nos instigue a expirar inspiração. Somos o que damos, não está certo guardar dádivas para peditórios que talvez nunca cheguem a estender-nos a mão. O apelo da causa planetária equipara-se à salvação da pequenez provinciana dos nossos egos fragilizados, antevemos a destruição em massa mas a sobrevivência da espécie assenta no prevalecer anterior e basilar de cada um de nós. A tentativa constante de sermos felizes não passa de uma necessidade primitiva de nos sentirmos fortes, relevantes e tendencialmente indefectíveis. Se possível, queremos ser importantes na deixa que abre espaço para a voz livre do outro, o que considero, aliás, uma forma muito completa de amor.

E por falar em amor – às vezes sabe a banhos de mar perigosamente quentes, ameaça com incêndios de labaredas incontroláveis, expõe a nossa paz aos elementos que não se podem domar, acciona planos de contingência que nunca chegaram a desenhar-se, potencia terramotos que não cabem no jornal das oito. Mas é também indulto da desesperança, é profilaxia que salva da modorra letal, é unto na gangrena dos dias em ferida, é sempre a melhor forma de se andar por aqui. Quanto mais não seja, porque o mundo vai sucumbir e nós com ele. Se realmente houver aquele último lapso de segundo em que a vida inteira nos desfila pela mente, numa sequência vertiginosa das frames que no fim de tudo importam, tenho por certo que a metragem será curta, os actores serão amores e o guião contará a história dos momentos em que fomos vulneráveis e entregámos a depuração mais crua do muito que existiu em nós.

PartilharTweet

Mais informação

Factos foram julgados no Tribunal de Leiria
Sociedade

Pena suspensa para quatro jovens por roubo a idoso no concelho de Leiria

28 de Outubro de 2026
A categoria de longas teve espaço em Pombal pela primeira vez e premiou Óculos de Sol Pretos
Viver

Filme português ganha prémio principal do Ha Ha Art Film Festival

28 de Outubro de 2026
Projecto em marcha para recuperar Monte de São Bartolomeu e Mata do Valado, na Nazaré
Sociedade

Projecto em marcha para recuperar Monte de São Bartolomeu e Mata do Valado, na Nazaré

28 de Outubro de 2026
Próxima publicação
Calçada portuguesa fi

Porto de Mós presta homenagem ao calceteiro e à calçada portuguesa

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMOS ARTIGOS

Pena suspensa para quatro jovens por roubo a idoso no concelho de Leiria

Filme português ganha prémio principal do Ha Ha Art Film Festival

Projecto em marcha para recuperar Monte de São Bartolomeu e Mata do Valado, na Nazaré

Halloween: fantasmas nos castelos da região e cinema de horror

Rio Arunca junto a Pombal não terá açude

MAIS VISTOS

Factos foram julgados no Tribunal de Leiria

Pena suspensa para quatro jovens por roubo a idoso no concelho de Leiria

28 de Outubro de 2026
A categoria de longas teve espaço em Pombal pela primeira vez e premiou Óculos de Sol Pretos

Filme português ganha prémio principal do Ha Ha Art Film Festival

28 de Outubro de 2026
Projecto em marcha para recuperar Monte de São Bartolomeu e Mata do Valado, na Nazaré

Projecto em marcha para recuperar Monte de São Bartolomeu e Mata do Valado, na Nazaré

28 de Outubro de 2026
Um espectáculo interactivo e temático sobe ao castrelo de Leiria no sábado

Halloween: fantasmas nos castelos da região e cinema de horror

28 de Outubro de 2026
Segundo a autarquia, as comportas provocam eutrofização no Arunca

Rio Arunca junto a Pombal não terá açude

28 de Outubro de 2026
  • Empresa
  • Ficha Técnica
  • Contactos
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Publicidade Edição Impressa
  • Publicidade Online
  • Política de Privacidade
  • Termos & Condições
  • Arquivo
  • Loja
  • Livro de Reclamações

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Bem-vindo de volta!

Aceder à sua conta abaixo

Esqueceu-se da palavra-passe? Criar conta

Criar nova conta!

Preencha os campos abaixo para criar a sua conta

Todos os campos são obrigatórios. Iniciar sessão

Recuperar a palavra-passe

Indique o seu email para receber uma nova palavra-passe.

Iniciar sessão
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Edição impressa
  • Assine desde 0,39€ por semana
  • Subscreva as newsletters
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Contactos
  • Ficha técnica
  • Publicidade online
  • Publicidade edição impressa
  • Estatuto editorial
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • 50 anos do Poder Local
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Agenda
  • Lentriscas em castelo
  • Palavra de honra
  • Crítica
  • Opinião
  • Fotogalerias
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Arquivo
  • Loja
  • Política de privacidade
  • Termos e condições
  • Livro de reclamações
  • Empresa

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Tem a certeza de que quer desbloquear esta publicação?
Desbloquear à esquerda : 0
Tem a certeza de que pretende cancelar a subscrição?