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Home Sociedade

Casal em silêncio no julgamento do caso da barriga de aluguer contratada no Brasil

A polícia brasileira alertou as autoridades portuguesas para um eventual crime de tráfico de pessoas

Elisabete Cruz Elisabete Cruz
12 de Novembro de 2025
em Sociedade
Casal em silêncio no julgamento do caso da barriga de aluguer contratada no Brasil
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O casal que está acusado de tráfico de pessoas e falsificação de documento, num caso em que uma mulher terá sido barriga de aluguer para que o filho fosse registado em nome de um dos arguidos começou hoje a ser julgado no Tribunal Judicial de Leiria, com os arguidos a remeterem-se ao silêncio.

Uma das testemunhas foi um dos inspectores da Unidade Nacional Contraterrorismo da Polícia Judiciária que acompanhou o caso e explicou que chegou a Portugal a informação do alegado crime via Polícia Federal brasileira. As autoridades deste país denunciaram que uma cidadã brasileira “se iria deslocar a Portugal para fazer o parto de uma criança e que havia a suspeita que a criança seria entregue a alguém”, verificando-se um “um suposto negócio”.

A polícia brasileira enviou a identificação de um dos arguidos, que constava num documento a assumir a “responsabilidade de receber a senhora”, e da mulher, seguindo assim o seu rasto.

Os inspectores chegaram à casa de um dos arguidos e interrogaram-no, vindo a saber depois que a mulher já tinha dado à luz no hospital de Leiria e que o bebé tinha sido registado pela mãe e por um dos arguidos, que assumiu não ser o pai biológico, acrescentou a testemunha.

A criança foi sinalizada pela assistente social do hospital e pouco depois o processo deu entrada na Comissão de Protecção de Crianças e Jovens. “Soubemos que havia indicação da PJ para não dar alta social à criança, enquanto não fosse verificada uma eventual situação de perigo. Haveria um acordo para o progenitor, que registou o bebé, ficar com a criança”, revelou ao tribunal colectivo a responsável pela CPCJ.

Após uma entrevista com os progenitores, no seguimento da comunicação de perigo, o homem “assumiu que não era o pai biológico da criança e, tendo em conta situação da criança foi dada medida preventiva”, que teve o acordo dos progenitores para a intervenção da CPCJ, que encaminhou a criança para um centro de acolhimento temporário em Peniche, acrescentou.

No despacho de acusação a que a agência Lusa teve acesso, lê-se que um dos arguidos, de 49 anos, “planeando ser pai de um bebé do sexo masculino, manteve conversações com várias mulheres grávidas” brasileiras em grupos no Facebook, Telegram e WhatsApp.

Inicialmente, além do casal a mãe da criança estava também acusada no processo, mas o Ministério Público (MP) requereu a separação de processos quanto à arguida, que prestou termo de identidade e residência (TIR) sem qualquer validade.

Segundo o despacho de acusação do MP, nas conversas o arguido “explicava o que era necessário para tais mulheres virem para Portugal”, onde o parto seria realizado, para que “passasse a constar como pai de um menino e pudesse viver com um bebé como se de pai e filho se tratassem”.

De acordo com o MP, o arguido contava com a ajuda de uma amiga residente no Brasil, que “auxiliava tais mulheres de acordo com as indicações” daquele, sobretudo a nível financeiro.

Num desses grupos, com o nome “barrigas de aluguer”, o arguido, no primeiro trimestre de 2022, conheceu uma mulher grávida com quem passou a manter conversas pelo WhatsApp.

Ambos “planearam a viagem desta para Portugal”, para que o bebé aqui nascesse e onde passaria a viver com o arguido e o companheiro deste.

Para tal, o arguido, “muitas vezes através de transferências bancárias da conta da amiga”, pagou todas as despesas da grávida, incluindo “o passaporte e as viagens para outras cidades, para conseguir rapidamente o passaporte e a entrevista, necessários para a vinda a Portugal”.

As alegações finais ficaram agendadas para o dia 14 Janeiro, às 14 horas.

 

Tópicos: Barriga de Aluguerfalsificação de documentosjulgamentojustiçasociedadeTráfico de pessoastribunal
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