Mal termina a vídeo-chamada com o JORNAL DE LEIRIA, há um novo alerta a soar no telemóvel de Manuel Nicolau, engenheiro civil, natural de Leiria e a viver em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, desde 2022. É mais uma mensagem das autoridades a alertar para uma possível ameaça de míssil e a recomendar que procure um lugar seguro. Tem sido assim desde 28 de Fevereiro, dia em que os EUA e Israel começaram os ataques ao Irão, que têm afectado os países vizinhos.
“Já rebentou. De novo, tudo tranquilo”, partilha Manuel Nicolau, cerca de meia hora depois do alerta. Em casa, com ele, estão os dois filhos gémeos, de oito anos, que já convivem com alguma normalidade com estes alarmes, seguidos de rebentamentos. “Alguns são próximos. Os vidros estremecem. Não sabemos quando páram, se são esporádicos ou prolongados, como se fossem rajadas”, descreve o engenheiro, contando que, às vezes, ao ouvirem soar o alerta no telefone, os filhos gritam “míssil, míssil”, uma palavra que, até há pouco tempo, “não sabiam bem o que queria dizer”. Quando os rebentamentos são mais intensos, refugiam-se na casa-de-banho, até voltar a acalmar.
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