Foi um dia longo aquele 2 de Abril de 1976. Os trabalhos da Assembleia Constituinte começaram pelas 9:45 horas e só terminaram pelas 22:50, com aplausos “vibrantes”, ao som do hino nacional e com lágrimas à mistura. Após uma maratona de dez meses, com 132 sessões plenárias, estava aprovada a Constituição Portuguesa. Cinquenta anos depois, recordamos, pela voz de Álvaro Órfão (86 anos), Pedro Lagido (89 anos), António Aires Rodrigues (80 anos) e Abílio Lourenço (91 anos), os quatro deputados constituintes eleitos por Leiria ainda vivos, alguns dos episódios que marcaram os trabalhos parlamentares.
Antigo presidente da Câmara da Marinha Grande, o socialista Álvaro Órfão fala da aprovação da Constituição como um “dia memorável”. “Era a consagração de uma ideia de progresso, de democracia e de liberdade para o País”, partilha, com indisfarçável orgulho por o seu nome constar do livro original da Constituição e nos diários da assembleia que mandou encadernar. “Não por vaidade, mas pelo que representou para o País”, frisa o antigo constituinte, que ficou conhecido como o “deputado da bóia”.
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