Nos dias de jogos ou de torneios, era presença assídua fora das quatro linhas. Desde pequeno que Bruno Pola faz parte do espectáculo do futebol de praia e a paixão cedo criada pela modalidade levava-o a querer sempre ser o apanha-bolas dos jogos. A sua primeira paixão foi, no entanto, o Sporting CP. A influência do avô fê-lo herdar uma costela verde e branca e, mesmo sendo natural da Nazaré, era o pai que o levava várias vezes por semana até à Marinha Grande, para treinar na então Academia do Sporting. Contudo, foi o futebol de praia que arrebatou este craque. “Até acho que foi no Facebook que a minha mãe viu uma publicação do Sótão a dizer que ir haver as escolinhas, como há sempre no Verão, e perguntou-me se queria ir. Disse que gostava de experimentar”, recorda. Levou consigo uns amigos do ATL e ficaram todos “com o bichinho do futebol de praia”. “A partir daí, o Sótão continuou a fazer as suas actividades, que ainda hoje fazem, para promover o futebol de praia de formação, e foi uma paixão que se criou dentro de mim, que ao longo dos anos se veio a provar que fazia sentido”, conta, antes de começar mais um treino no areal da Nazaré. Cresceu no clube da sua terra, a olhar para nomes que projectavam o futebol de praia português a nível internacional, como Jordan Santos, Rui Coimbra ou Duarte Vivo. E o sonho de se afirmar também como uma referência na modalidade acompanhava-o. “Quando era mais novo, ia para apanha-bolas nos jogos todos. Na altura da Covid-19, com os jogos à porta fechada, só os apanha-bolas é que podiam estar lá dentro e eu, para ver os jogos, ia fazer este trabalho. Estes pequenos pormenores sempre me deram um bocadinho mais de vontade de querer ser jogador de futebol de praia e, a partir daí, a paixão foi crescendo e, hoje em dia, estou e espero chegar muito mais longe.” Com apenas 20 anos, este nazareno já cumpriu muito do que sonhou. Foi distinguido como melhor jogador jovem do mundo pela Beach Soccer Worldwide, instituição rege a modalidade, fruto do destaque ao serviço do ACD O Sótão e da primeira selecção nacional de sub-20. Foi chamado a vestir as cores lusas, pela primeira vez, em Outubro de 2025, para dois amigáveis frente ao Japão. Continuou a merecer a confiança do seleccionador nacional e foi com “tremenda honra” que envergou a braçadeira de capitão no primeiro Europeu de sub-20, conquistado pelos portugueses. “Mostrámos o que valíamos e que foi uma boa aposta, conseguimos ser campeões europeus”, enaltece. A festa foi curta, já que tiveram de regressar ao trabalho nos clubes, e Pola também se estreou pela selecção A, na qualificação para a fase final do Europeu. Não esquece os nomes daqueles que lhe deram a oportunidade, de dar prova das suas capacidades. “Quando o treinador Nuno Vasco me deu a oportunidade de passar para a equipa B do Sótão, agarrei-a. Dois ou três anos depois recebi o convite do treinador Edi Milhazes para a equipa principal (…). Foi um dos treinadores que mais apostou em mim, tanto ele como o Tropa que, ainda com 12 anos, chamou-me para um torneio de sub-16.” No campeonato português e italiano O apogeu foi a distinção como melhor jogador jovem do mundo, um sonho cumprido que o leva a querer mais. “Sempre sonhei com isto, mas não esperava que fosse naquele momento. É um episódio engraçado. Estava sentado e o Jordan estava duas cadeiras ao meu lado, e quando subiu o vice-presidente da federação ao palco, o Jordan começou a tocar-me na perna e a dizer: vais ganhar, vais ganhar. Pensava que ele estava a gozar comigo, na brincadeira, e quando ele disse o meu nome, não tive reacção. Fui ao palco receber e só quando me sentei novamente no lugar, com o prémio ao colo, é que me caiu tudo. Fartei-me de chorar”, menciona. Com o início de mais uma época de futebol de praia, Bruno Pola quer “aproveitar o momento” e “crescer” ao lado dos colegas. “Têm muito para me ensinar, ao lado deles ainda sou um bebé”. Sabe que treinar ao lado de atletas como o Jordan, o Fabinho, o Rui Coimbra ou o Duarte Vivo “torna tudo um bocadinho mais fácil”, para tirar o melhor proveito de tudo o lhe ensinam. Enquanto estuda Optometria e Ciências da Visão, na Universidade do Minho, garante que quer viver do futebol de praia. Além de integrar o plantel do Sótão, esta época irá representar também o Viareggio BS, um dos principais emblemas do campeonato italiano. Enaltece o crescimento do futebol de praia em Portugal e gostaria que a época se prolongasse durante mais tempo, como já acontece na Polónia, por exemplo, onde há jogos dentro de pavilhões. “Quanto mais competição, melhor.”










