Foi reeleito presidente do Centro de Património da Estremadura. O que falta fazer para que esta região seja reconhecida dentro e fora de Portugal?
Não sei se vamos a tempo de ver a região Alta Estremadura ser reconhecida. É um conceito que surgiu nos anos 70, embora já o Alexandre Herculano tivesse falado na “Estremadura alta”, e nasce, de certa forma, para agregar Fátima, impulsionado por figuras da época, onde o folclore aparecia como símbolo identitário. Nos anos 80 e 90, surge a tentativa de pôr a Alta Estremadura no mapa. Nasceram a ADAE – Associação de Desenvolvimento da Alta Estremadura, nasce o CEPAE – Centro de Património da Alta Estremadura, a AFRLAE, Associação Folclórica da Região de Leiria e Alta Estremadura… Como região oficial nunca existiu, nem existe. Fizeram-se congressos para vincar a questão, mas com o tempo, a Alta Estremadura começou a diluir. O CEPAE passou a Centro de Património da Estremadura e começaram a aparecer outras divisões, com a da região de turismo. Com a Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIMRL), que ofusca a ADAE, e o resto, fez com que a ideia de criar a região não oficial da Alta Estremadura se diluísse. Vivemos, actualmente, uma forma indecisa de nos identificarmos. Quando se fala tanto da união das identidades, estamos sempre a dividir. A Alta Estremadura está a desaparecer. Deixou uma marca, mas não perdurará. Nem a área geográfica está definida. Com estas divisões, até o governador civil que representava o Governo no Distrito de Leiria desapareceu. Anulou-se o Governo Civil e o Distrito de Leiria passou a ser quase nada.
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