Durante anos, as máquinas fotográficas de José Fabião foram quase invisíveis para a família. Faziam parte da casa, dos dias, das festas, das férias, dos momentos grandes e dos pequenos. O avô de Sara Fabião andava praticamente sempre com uma câmara na mão. Fotografava os outros, mas também fotografava os seus. “Só mais tarde percebemos a dimensão do que ele estava, afinal, a guardar”, conta a neta.
O que José Fabião guardava eram pessoas. Rostos, famílias, casamentos, baptizados, festas, bailes, escolas, associações, acontecimentos desportivos e políticos, lojas, ruas e pedaços de uma cidade em transformação. Cerca de 250 mil películas, correspondentes a várias décadas de vida de Leiria, constituem hoje um arquivo cuja dimensão é difícil de imaginar e que, em grande parte, permanece por descobrir. É para ajudar a dar futuro a essa memória que nasceu a Associação Espólio Fabião.
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