Manuel (nome fictício), 83 anos, recebe cerca de 600 euros de reforma. Esse dinheiro dura-lhe apenas uma semana, “e às vezes nem isso”. Não porque tenha assim tantas despesas, mas porque a raspadinha lhe leva grande parte do dinheiro. Só não o gasta todo, porque, sem saber, a filha vai retirando, aos poucos – “para que não se aperceba” – uma parte da reforma, para uma conta poupança.
Como perde a noção do dinheiro que levanta para a raspadinha, “nem se apercebe do dinheiro que eu e o meu irmão lhe tiramos”. “Eu? Como é que há pessoas que fazem isso? Não tenho problema nenhum. Isso são as outras pessoas. E aqueles números que aparecem na televisão para ligarmos, é só para sacar dinheiro.” Esta é a resposta habitual sempre que é confrontado pelos filhos com o vício da raspadinha.
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