O Santuário de Fátima opõe-se à aplicação da taxa turística, por considerar que a medida “pode significar um entrave” a quem pretende visitar a Cova da Iria. A posição da instituição é assumida numa resposta a um pedido de esclarecimentos do JORNAL DE LEIRIA sobre as declarações proferidas pelo directord o Departamento Económico e Financeira da instituição num encontro entre hoteleiros e a Associação Empresarial de Ourém-Fátima (Aciso), realizado na quarta-feira.
Segundo o jornal Notícias de Fátima, nessa sessão Miguel Sottomayor disse que o Santuário admite encerrar casas de banho e parques de estacionamento que disponibiliza ao público, caso a taxa turística seja aprovada. “Tratou-se de uma forma de expressão”, alega o Santuário na resposta remetida ao JORNAL DE LEIRIA, na qual assegura que “não pondera” adoptar essas medidas.
Os representantes do templo mariano recordam, no entanto, que “é Santuário, e não a Câmara Municipal de Ourém, que assegura parte das infra-estruturas que servem os peregrinos, nomeadamente as casas de banho e os parques de estacionamento”.
Ainda de acordo com o Notícias de Fátima, naquela sessão sobre a taxa turística Miguel Sottomayor não poupou nas críticas à forma como o Município de Ourém tem conduzido o destino da cidade e à falta de estratégia. Deixou também reparos à “forte carga fiscal” já suportada pelos hoteleiros, considerando que uma nova taxa representaria mais um encargo para o sector.
Taxa de dois euros
O regulamento que cria a taxa turística em Ourém foi aprovado em Julho pela câmara e encontra-se em consulta pública até ao próximo dia 14. Depois disso, será apreciado e votado pela Assembleia Municipal. A intenção da câmara é que entre em vigor no início de 2027.
A proposta da autarquia aponta para uma taxa de dois euros por dormida, com isenção para menores de 12 anos e pessoas com incapacidade igual ou superior a 60%.
Com esta taxa, a câmara espera obter uma receita anual entre os 700 e os 800 mil euros, beneficiando do turismo de Fátima, que, no ano passado, registou cerca de 1,2 milhões de dormidas.
Segundo tem defendido o presidente da câmara, Luís Albuquerque, a verba arrecadada ser “exclusivamente” para investimentos na área do turismo, que serão “sempre alvo de aprovação prévia por uma comissão de acompanhamento”, que integrará representantes dos órgãos autárquicos e da associação empresarial.









