
As alergias deixaram de ser um problema exclusivamente primaveril. O Outono tem trazido diversas complicações para as pessoas que são alérgicas a gramíneas, com consequência para a sua qualidade de vida. Esta nova época de alergias está relacionada com uma das espécies invasoras que se tem multiplicado no litoral do país: a erva-das-pampas, ou Cortaderia selloana.
Esta é uma planta ornamental, originária da América do Sul, considerada uma das espécies mais alarmantes do ponto de vista da saúde pública e ambiental. Do ponto de vista da saúde pública, esta planta tem sido uma das causas das alergias durante o outono. Tal acontece porque a floração se inicia no final de agosto e se prolonga pelo outono.
Os seus tufos são capazes de produzir milhares de sementes que, ao serem dispersas pelo vento, favorece a sua propagação. As alergias podem provocar problemas respiratórios, como a asma, que representam um custo para os portugueses, estimado na ordem dos 920 € por paciente e por ano, de acordo com um estudo publicado em 2017 na Revista Portuguesa de Pneumologia [valor atualizado].
A espécie não é a única causadora de asma. A referência a este valor pretende, sobretudo, ilustrar a dimensão económica dos problemas respiratórios e o potencial contributo desta espécie para o seu agravamento. Do ponto de vista ambiental, trata-se de uma planta invasora cuja proliferação poderá competir com as espécies autóctones e alterar os ecossistemas.
A planta pode atingir dimensões consideráveis, dificultando a circulação da fauna e podendo provocar alergias e também ferimentos nos animais, devido às suas folhas cortantes.
O projeto Life Stop Cortaderia visa controlar esta espécie e reduzir a sua proliferação no norte e centro de Portugal, norte de Espanha e algumas regiões do sudoeste francês. Este projeto desenvolveu uma estratégia transnacional de luta contra a espécie, que inclui a interrupção da expansão, a criação de uma rede de alerta precoce, ações de controlo e erradicação, bem como propostas de legislação e de definição de responsabilidades dos diferentes agentes envolvidos.
Atualmente, de acordo com o Decreto-Lei n.º 92/2019, de 10 de julho, é proibido comprar, vender, distribuir, transportar ou manter a Cortaderia selloana em jardins privados. Os proprietários são encorajados a limpar os terrenos que possam esta espécie antes da floração, de modo a evitar a dispersão de mais sementes. Caso encontrem ou avistem esta espécie, poderão contactar o ICNF ou a rede invasoras. pt, assim como contactar as autoridades locais.









