Na nova visita encenada ao Castelo de Leiria, que O Nariz estreia no fim-de-semana, a acção decorre em 1915 e num encontro que é tudo menos pacífico envolve três figuras com interesses conflituantes: o empreiteiro, rico em bitaites, para quem no negócio de partir pedra as soluções mais baratas e eficazes são as melhores; o arquitecto, sonhador, ansioso por melhoramentos custe o que custar; e o presidente de câmara, pragmático, que só está disposto a salvar o que puder e, sobretudo, não quer abrir os cordões à bolsa.
Ao empreiteiro, Manuel da Graça, não faltam ideias: no morro, um ascensor como aqueles de Lisboa (ou mesmo um teleférico desde a torre da sé) e lá em baixo, junto ao rio, um campo de futebol “todo ensaibrado” e “marcadinho a cal”, um mercado e uma piscina. “Estas muralhas, por exemplo, era tudo rebocado. Meio cimento, meio areia. Toca a andar. E depois pintávamos de branco. Ameias e tudo. Ficava tudo branquinho”. Manuel da Graça sugere, até, endireitar a porta do castelo, para grande irritação do especialista que o escuta. “Lá em cima, a muralha caiu. E não é que topámos com umas cabanas velhas lá do tempo da pré-história? O que é que fizemos? Tapámos. Não viesse para aí algum engenheiro e mandasse parar a obra”.
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