Sempre sozinho, umas vezes com tudo programado, outras ao ritmo do improviso, preferencialmente de comboio, mas usando também o autocarro e a bicicleta e, quando assim tem de ser, o avião e o carro. É este o perfil de viajante de Pedro Gil, natural e residente em Leiria, que já visitou 75 países, espalhados pelos cinco continentes. A estreia aconteceu em 2002, com um bilhete de interrail global, com a duração de um mês. “Parti para um vício que me alargou, preencheu e proporcionou histórias e emoções que a vida quotidiana jamais poderia oferecer.”
Seguiram-se, depois, mais três interrails, com o viajante a apontar o comboio como a “simbiose perfeita”, já que dá acesso a “quase todos os locais, de maneira ecológica, e proporciona vistas únicas”. Foi, aliás, desta forma que Pedro Gil percorreu muitos países, em viagens que deixaram histórias para mais tarde recordar, como aquela passada numa estação ferroviária e quando um indivíduo, “visivelmente transtornado”, o abordou, dizendo “ser ex-combatente na guerra da Jugoslávia, que andava fugido e que estava farto de viver”. Enquanto falava, tirou “um aparelho artesanal” da mochila. “Desatei a fugir e fui ter com um polícia, informando que havia alguém com uma bomba. Andei três dias a ver a cara do homem em todo o lado.”
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