Quando Lourenço, 6 anos, Leonardo, 4 anos, Benedita, 3 anos, e Bela, 20 meses, chegam a casa do “avozito”, na Batalha, a primeira coisa que fazem é calçar as galochas, para andarem à vontade a alimentar as ovelhas, a recolher os ovos da capoeira, a apanhar fruta das árvores, a brincar nos fardos de palha, ou a pendurar-se nos ramos da árvore, onde João Vieira, 58 anos, construiu uma casa de madeira, para fazer actividades com os netos. Ao contrário de a maioria das crianças, os quatro irmãos não têm tablet, nem brincam com telemóveis, e não são tratados como bebés.
Encarregado geral de obras públicas, João Vieira tem flexibilidade no trabalho, o que lhe permite estar disponível para dar apoio à filha, Bárbara, 33 anos, terapeuta ocupacional. Sempre que é necessário, ou ele ou a mulher, Ângela, asseguram os transportes dos netos para o infantário, escola, catequese ou natação. “Chego a levar os dois mais velhos para as obras”, conta. Mas é aos fins-de-semana e nas férias que dedica todo o seu tempo às quatro crianças. “Tento arranjar uma actividade que seja consensual.”
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