Lá fora, roncam os motores do Leiria Sobre Rodas; do lado de dentro, no Teatro José Lúcio da Silva, plateia vazia e o palco entregue aos músicos da Associação de Filarmónicas do Concelho de Leiria (AFCL) que preparam o espectáculo com o cantor e compositor Tiago Bettencourt.
Durante o ensaio, escuta-se a mais conhecida de todas: a “Carta”.
Rita Duarte posiciona-se no naipe de clarinetes, quase ao centro. “Podemos fazer coisas pop rock, podemos fazer um concerto de bandas sonoras de filmes, somos muito versáteis”, diz ao JORNAL DE LEIRIA. O compromisso “é exigente” e implica profissionais (são cada vez em maior número) e amadores, “que semanalmente trabalham para os resultados saírem”.
Ela tem 21 anos, estuda no Porto e mantém viva a história da família iniciada pelo bisavô materno na Filarmónica do Arrabal, em que conta com a companhia da mãe, que também toca clarinete. De geração em geração, há uma luz que não se apaga. “Venho todas as semanas a Leiria para não faltar aos ensaios da minha banda”, assinala. “Os meus melhores amigos quase todos são da Filarmónica”.
A meio da tarde, troca de regentes. A direcção do conjunto de 60 instrumentistas é partilhada e Simão Francisco, em representação da SAMP – Sociedade Musical Artística dos Pousos, dá momentaneamente o lugar a Paulo Clemente, da Filarmónica de São Tiago de Marrazes, que comenta: “Não são só festinhas e arruadas. Hoje, as bandas têm possibilidade de tocar em qualquer lado e com qualquer artista porque têm músicos que são capazes de o fazer”. E colaborações com figuras como Tiago Bettencourt contribuem “para a captação de público”.
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