PUBLICIDADE
  • Edição Impressa
Jornal de Leiria
Assine desde 0,39€ por semana
  • Iniciar sessão
  • Criar conta
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Opinião
  • Newsletters
  • Podcasts
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Opinião
  • Newsletters
  • Podcasts
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Jornal de Leiria
Assinar
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Opinião
  • Newsletters
  • Podcasts
Home Opinião

Antero apressado

Dizia o Antero que se fosse para vivermos mergulhados teríamos nascido peixes, e enjoado que estava daquele mar morno e solitário que era o ventre da mãe

João Lázaro, psicólogo clínico e director do TE-ATO João Lázaro, psicólogo clínico e director do TE-ATO
23 de Março de 2023
em Opinião
Share on FacebookShare on Twitter
João Lázaro, psicólogo clínico e director do TE-ATO
João Lázaro, psicólogo clínico e director do TE-ATO23 de Março de 2023

O Antero nasceu por duas vezes antes do tempo e por vontade própria. Conforme a sua versão o pai teria oferecido à mãe cerejas à vez primeira que com ela dançou na festa da aldeia.

Fazendo fé do que sabia – não porque lho tivessem contado, mas porque assim lhe corria a fábula mais a jeito – o pai terá colocado uns brincos destas nas orelhas da cachopa e ela logo se afogueou pelo atrevimento do moço.

Sabido que é serem as conversas como as cerejas e sendo o dito pai de eloquência afamada, logo lhe comparou o rubor das faces ao carnudo vermelho dos frutos e o quanto lhe enchia a boca de água só de se imaginar a trinca-las.

Feita a ponte entre o galanteio e a vontade de provar, despertou-se a vontade dos corpos e o Antero foi abençoadamente concebido naquela noite quente numa véspera de S. João, que enquanto uns saltavam a fogueira, aqueles dois saltaram preceitos e tempos de espera para saciar o apetite natural de ambos que lhes vinha desde o tempo da mestra e da catequese.

Quando a mãe descobriu que o suco das cerejas tinha deixado de lhe escorrer naturalmente, informaram as famílias e afixaram-se os banhos à porta da igreja.

Inconformado, o Antero, por se saber nascido dum incidente feito de apetites e não por ter sido desejado, afirmava convicto que antes de nascer já tinha nascido pois que os olhos que tinha eram de todo cópia fiel dos olhos do carneiro que a imagem do Santo segurava entre os braços, e que num momento em que a mãe rezava para que o padroeiro lhe desse a graça de um amor, ele a tinha olhado, com os seus olhos de carneiro, no fundo dos olhos e a teria convencido numa ladainha sussurrada que a melhor forma de o amor garantir é  garantindo que o olhado amado vê mais que o costumado, e por via de assim ter escutado, ela se aventurou em permitir a visão da sua intimidade e resto já se fez o rol anteriormente.

A segunda vez em que o Antero precipitou o seu nascimento, desta feita da barriga para fora que o anterior foi nascido da não-vontade dos pais, ocorreu por uma noite geada como só o são as noites de fevereiro.

Dizia o Antero que se fosse para vivermos mergulhados teríamos nascido peixes, e enjoado que estava daquele mar morno e solitário que era o ventre da mãe, e porque também sabia e tinha saudades de como era o mundo cá fora, que bem o havido visto quando se acoitou sob o manto de gesso do carneiro que o S. João segurava ao colo, deu-lhe ganas de nascer num repente e sem aviso de receção.

Estava a mãe a lavar a louça na pia da cozinha, pois as máquinas e os maridos que partilham tarefas só se inventariam muito tempo depois, quando escoicinhou o ventre onde fora concebido sem pecado, que o desejo é natural do ser humano e do natural nunca se ouviu dizer haver culpa formada, e tão convicto chuto deu que a mãe logo gritou para dentro: chega-me uma ajuda que se rebentaram as águas e o pai, desconhecedor da hidráulica feminina respondeu sem tirar os olhos do televisor a preto-e-branco tal como a vida de então, que não podia ser pois ainda na véspera tinha estado a desentupir o ralo. 

Desta e doutras pressas de Antero se dirá em outro tempo que por ora se pensa daí vir o seu modo impaciente e fogoso de estar na vida e nas coisas de que ela é feita, pois que não acata nunca a ordem de espera e se pensa capaz de acelerar o tempo por cada vez que adianta os ponteiros do relógio.

Tópicos: aldeiaanteroconcebidocontoescritafamíliasfestaficçãoJoão Lázaronascimentoopiniãosantoventre
PartilharTweet

Mais informação

Opinião

A (ir)relevância de lamber um ecrã

27 de Outubro de 2026
Paulo José Costa, psicólogo clínico
Opinião

Stress a stress, enche o copo

27 de Outubro de 2026
Cláudia Camponez, psicóloga educacional
Opinião

Data centers e a fome por recursos

26 de Outubro de 2026
Ana Pires, Doutorada em Eng.ª do Ambiente
Próxima publicação
Marina Herlop com concerto em Caldas da Rainha

Agenda de cultura: Frankie Chavez, Festival Música em Leiria, Fernando Rocha e o Season Impulso

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMOS ARTIGOS

Gonçalo Lopes escreve livro sobre a experiência com a tempestade Kristin

Pena suspensa para quatro jovens por roubo a idoso no concelho de Leiria

Filme português ganha prémio principal do Ha Ha Art Film Festival

Projecto em marcha para recuperar Monte de São Bartolomeu e Mata do Valado, na Nazaré

Halloween: fantasmas nos castelos da região e cinema de horror

MAIS VISTOS

Livro relata a experiência do autarca com a crise Kristin

Gonçalo Lopes escreve livro sobre a experiência com a tempestade Kristin

28 de Outubro de 2026
Factos foram julgados no Tribunal de Leiria

Pena suspensa para quatro jovens por roubo a idoso no concelho de Leiria

28 de Outubro de 2026
A categoria de longas teve espaço em Pombal pela primeira vez e premiou Óculos de Sol Pretos

Filme português ganha prémio principal do Ha Ha Art Film Festival

28 de Outubro de 2026
Projecto em marcha para recuperar Monte de São Bartolomeu e Mata do Valado, na Nazaré

Projecto em marcha para recuperar Monte de São Bartolomeu e Mata do Valado, na Nazaré

28 de Outubro de 2026
Um espectáculo interactivo e temático sobe ao castrelo de Leiria no sábado

Halloween: fantasmas nos castelos da região e cinema de horror

28 de Outubro de 2026
  • Empresa
  • Ficha Técnica
  • Contactos
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Publicidade Edição Impressa
  • Publicidade Online
  • Política de Privacidade
  • Termos & Condições
  • Arquivo
  • Loja
  • Livro de Reclamações

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Bem-vindo de volta!

Aceder à sua conta abaixo

Esqueceu-se da palavra-passe? Criar conta

Criar nova conta!

Preencha os campos abaixo para criar a sua conta

Todos os campos são obrigatórios. Iniciar sessão

Recuperar a palavra-passe

Indique o seu email para receber uma nova palavra-passe.

Iniciar sessão
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Edição impressa
  • Assine desde 0,39€ por semana
  • Subscreva as newsletters
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Contactos
  • Ficha técnica
  • Publicidade online
  • Publicidade edição impressa
  • Estatuto editorial
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • 50 anos do Poder Local
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Agenda
  • Lentriscas em castelo
  • Palavra de honra
  • Crítica
  • Opinião
  • Fotogalerias
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Arquivo
  • Loja
  • Política de privacidade
  • Termos e condições
  • Livro de reclamações
  • Empresa

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Tem a certeza de que quer desbloquear esta publicação?
Desbloquear à esquerda : 0
Tem a certeza de que pretende cancelar a subscrição?