PUBLICIDADE
  • Edição Impressa
Jornal de Leiria
Assine desde 0,39€ por semana
  • Iniciar sessão
  • Criar conta
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Opinião
  • Newsletters
  • Podcasts
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Opinião
  • Newsletters
  • Podcasts
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Jornal de Leiria
Assinar
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Opinião
  • Newsletters
  • Podcasts
Home Opinião

Depois de Guilherme Stephens – anotações à margem da História

Depois de Guilherme Stephens - anotações à margem da História. O modelo de organização produtiva, centrado na Obra onde o mestre, sábio e discreto apoiado pelos seus ajudantes e aprendizes liderava, fez escola na indústria do vidro

João Gouveia Tomé, Militar da Armada aposentado João Gouveia Tomé, Militar da Armada aposentado
3 de Fevereiro de 2023
em Opinião
Share on FacebookShare on Twitter
João Gouveia Tomé, Militar da Armada aposentado
João Gouveia Tomé, Militar da Armada aposentado3 de Fevereiro de 2023

Numa rota já sondada pela historiografia e na qual Guilherme Stephens emerge como alma mater da comunidade vidreira, importa proceder à recolha de fragmentos ainda perdidos no mar imenso da História e relacionados com a temática. 

O historiador Jorge Custódio, na Conferência Internacional do Vidro que decorreu recentemente na Marinha Grande, classificou a Fábrica de Vidros Stephens como “Um conjunto monumental que é memória e identidade da cidade da Marinha Grande, e que está para esta como o Castelo para Leiria ou a Torre de Belém para Lisboa”. 

Visite-se pois esse complexo onde Stephens no segundo quartel do séc. XVIII instalou uma fábrica de vidros, um teatro, sim um teatro e ainda uma quinta. 

Logo que se passa o portão, saltam à vista as platibandas triangulares nos 3 edifícios que enquadram o jardim, e também o portal do seu sóbrio palacete onde se destacam as 2 colunas que decoram e distinguem a entrada de um templo maçónico. Não restam dúvidas sobre o simbolismo do ambiente arquitectónico que envolve o visitante. 

Escave-se depois um pouco no espaço/tempo da arqueologia e da antropologia . A Real Fábrica de Vidros da Marinha Grande guarda em si um conjunto de vestígios que configuram uma realidade socioeconómica inédita, ancorada num modelo de produção industrial disruptivo, totalmente inovador e super avançado para a sua época. 

A exposição dos 250 anos da Real Fábrica dos Vidros, o último trabalho em vida do ilustre marinhense Norberto Barroca, arquitecto, historiador de arte, homem do teatro e da cultura, um erudito apaixonado pela sua terra, trouxe à tona outras pérolas. 

Esta exposição, a rever brevemente na Casa Museu que receberá o seu espólio, assinala o início do fabrico do vidro em 16 de Outubro de 1769 para o que“ …Stephens contratou 7 mestres, 5 ajudantes e 3 aprendizes”. Uma inequívoca simbologia maçónica. 

Na Real Fábrica, o trabalho era retribuído com salários justos. Talvez por isso, sempre comparado por cima, em relação às outras profissões. Mais espantoso ainda para a época, foram os sistemas de apoio social e de saúde que beneficiaram os vidreiros, ao mesmo tempo que eram alfabetizados. 

O teatro construído dentro de um campus industrial será ainda hoje uma inovação. Foi lá que no séc. XVIII os vidreiros levaram à cena “Olympia” uma peça de Voltaire, também ele maçom e uma das luzes da Revolução Francesa. 

O modelo de organização produtiva, centrado na Obra onde o mestre, sábio e discreto apoiado pelos seus ajudantes e aprendizes liderava, fez escola na indústria do vidro. A disciplina hierárquica e o hermetismo ritualístico das obragens são qualidades que nos chegam pelo testemunho de quem ouviu os mais velhos vidreiros e radicam na antiga tradição das Corporações de Ofícios inglesas da Idade Média tardia, associadas aos primórdios da Maçonaria. 

Os vidreiros tornaram a Marinha Grande o centro de um operariado avançado, associado ao saber e ao poder. Cultos, disciplinados e com ideais de liberdade e de justiça social que Stephens lhes transmitiu, integraram mais tarde a vanguarda das grandes lutas operárias que tiveram o ponto mais alto na revolta do 18 de Janeiro de 1934.

Depois de 1827 e durante cerca de 100 anos, com o desaparecimento dos Stephens, a fábrica agonizou até à gestão de Acácio Calazans Duarte que promoveu o seu “renascimento”, seguindo os mesmos cânones dos fundadores. A fábrica conheceu então a sua segunda época de ouro. Júlio Pereira e João Vicente antigos vidreiros da Fábrica Escola destacaram em entrevista ao JORNAL DE LEIRIA, a competência e o humanismo reconhecidos a este administrador, também ele um maçom. 

É evidente que Stephens deixou uma valiosíssima herança imaterial aos marinhenses. Moldou sociologicamente uma comunidade e influenciou o pensamento de gerações seguintes que muito se destacaram no combate pela cultura e pela liberdade e na luta por uma sociedade mais igualitária. Porém, o pensamento politicamente correcto não tem dedicado atenção à magnífica influência maçónica em todo este processo. 

A narrativa histórica oficial está incompleta. Siga-se a sugestão do Norberto Barroca, que na sua obra “Palco de Memórias” alerta: “Este livro poderá ser um ponto de partida para estudos mais aprofundados do que aqui iniciei”. 

Jorge Custódio, observou ao JORNAL DE LEIRIA, que “A Marinha Grande identificou a fábrica como sendo a sua matriz, o seu berço” e que “a memória e a identidade da comunidade marinhense reside na Fábrica Stephens”. A fábrica, a imago mundi da comunidade marinhense. 

Um ideal nunca se preenche na plenitude. Aponta um caminho. A rota da utopia. Utopia que iluminou Stephens, ao criar, educar e cultivar uma comunidade de tipo novo, antecipando de facto, no espaço e no tempo as palavras de ordem que a Revolução Francesa iria cunhar mais tarde: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. 

Que fantástica histórica a da Marinha Grande! Aprofunde-se o estudo, celebre-se o maçom Guilherme Stephens, e o seu sublime legado. 

O que seria hoje a Marinha Grande se não tivesse nascido neste berço maçónico? 

Tópicos: arteescolainovaçãoJoão Gouveia TomélutaMarinha GrandeNorberto BarrocaofíciosoperárioopiniãoStephenstradiçãovidreirosvidro
PartilharTweet

Mais informação

Opinião

A (ir)relevância de lamber um ecrã

27 de Outubro de 2026
Paulo José Costa, psicólogo clínico
Opinião

Stress a stress, enche o copo

27 de Outubro de 2026
Cláudia Camponez, psicóloga educacional
As primeiras seis viaturas já foram entregues a igual número de corpos de bombeiros da região de Leiria
Sociedade

Região de Leiria aprova concurso para comprar seis viaturas e entregar a bombeiros

27 de Outubro de 2026
Próxima publicação
Licenciamento é uma dificuldade, constatam especialistas

Transformam lojas em casas, mas esbarram no licenciamento

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMOS ARTIGOS

Gonçalo Lopes escreve livro sobre a experiência com a tempestade Kristin

Pena suspensa para quatro jovens por roubo a idoso no concelho de Leiria

Filme português ganha prémio principal do Ha Ha Art Film Festival

Projecto em marcha para recuperar Monte de São Bartolomeu e Mata do Valado, na Nazaré

Halloween: fantasmas nos castelos da região e cinema de horror

MAIS VISTOS

Livro relata a experiência do autarca com a crise Kristin

Gonçalo Lopes escreve livro sobre a experiência com a tempestade Kristin

28 de Outubro de 2026
Factos foram julgados no Tribunal de Leiria

Pena suspensa para quatro jovens por roubo a idoso no concelho de Leiria

28 de Outubro de 2026
A categoria de longas teve espaço em Pombal pela primeira vez e premiou Óculos de Sol Pretos

Filme português ganha prémio principal do Ha Ha Art Film Festival

28 de Outubro de 2026
Projecto em marcha para recuperar Monte de São Bartolomeu e Mata do Valado, na Nazaré

Projecto em marcha para recuperar Monte de São Bartolomeu e Mata do Valado, na Nazaré

28 de Outubro de 2026
Um espectáculo interactivo e temático sobe ao castrelo de Leiria no sábado

Halloween: fantasmas nos castelos da região e cinema de horror

28 de Outubro de 2026
  • Empresa
  • Ficha Técnica
  • Contactos
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Publicidade Edição Impressa
  • Publicidade Online
  • Política de Privacidade
  • Termos & Condições
  • Arquivo
  • Loja
  • Livro de Reclamações

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Bem-vindo de volta!

Aceder à sua conta abaixo

Esqueceu-se da palavra-passe? Criar conta

Criar nova conta!

Preencha os campos abaixo para criar a sua conta

Todos os campos são obrigatórios. Iniciar sessão

Recuperar a palavra-passe

Indique o seu email para receber uma nova palavra-passe.

Iniciar sessão
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Edição impressa
  • Assine desde 0,39€ por semana
  • Subscreva as newsletters
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Contactos
  • Ficha técnica
  • Publicidade online
  • Publicidade edição impressa
  • Estatuto editorial
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • 50 anos do Poder Local
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Agenda
  • Lentriscas em castelo
  • Palavra de honra
  • Crítica
  • Opinião
  • Fotogalerias
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Arquivo
  • Loja
  • Política de privacidade
  • Termos e condições
  • Livro de reclamações
  • Empresa

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Tem a certeza de que quer desbloquear esta publicação?
Desbloquear à esquerda : 0
Tem a certeza de que pretende cancelar a subscrição?