Naquele momento, o azar e a sorte cruzaram-se no mesmo troço da viagem. “Fiz mal as contas, perdi-me”, explica. “Já de noite, tiveram de me ir buscar”. Os bombeiros ajudaram-no a seguir caminho e a aguarela que pintou inspirado pelo dia seguinte, a pedalar através da paisagem do Campo do Gerês, no distrito de Braga, é uma das que se encontra no Posto de Turismo de Leiria, desde sábado. A exposição documenta a aventura de Pedro Gil a ligar Moledo (no Minho) e Vila Real de Santo António (no Algarve) – de bicicleta. Primeiro, em Junho de 2021, um total de 1.500 quilómetros, sempre no interior e ao longo da fronteira com Espanha; depois, no ano seguinte, em Agosto, mais 1.200 quilómetros, mas junto à costa.
“A melhor história é a do Gerês”, diz ao JORNAL DE LEIRIA. “Se alguma vez estive no limite das minhas forças, foi nesse dia”. Há outras. Como quando atravessou um ribeiro com água pela cintura ou, já no Porto, levou a bicicleta a uma oficina e o mecânico lhe contou que ia acompanhando o projecto – surgido durante a pandemia, entre confinamentos – pelas redes sociais.
Se, no interior, tudo se revelou “muito intenso”, mais perto do mar, no entanto, Pedro Gil continuou a correr riscos. “Várias vezes ia sendo atropelado”, assinala. “O carro que me passou mais a razar foi um carro da GNR”.
A exposição Limites de Portugal Continental em Aguarelas reúne mais de uma centena de pinturas nos formatos A5 e A6. É uma versão (muito) aumentada da pequena amostra que Pedro Gil disponibilizou em Agosto do ano passado na Praia do Pedrógão, no contexto da biblioteca de Verão dinamizada pelo município de Leiria. Os trabalhos baseiam-se em fotografias captadas ao longo do percurso. E nas memórias da viagem, que continuam frescas.
Apoiar os autores e subscrever conteúdos
Isto é material de primeira qualidade. Subscreva para ler o artigo completo.










