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É péssimo?

Numa época de crises sobrepostas, quem deveria gerar opções deixou de o fazer

Carina João Oliveira, CEO da Insignare Carina João Oliveira, CEO da Insignare
30 de Setembro de 2022
em Opinião
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Carina João Oliveira, CEO da Insignare
Carina João Oliveira, CEO da Insignare30 de Setembro de 2022

O pessimismo tomou conta da sociedade? Talvez.

Ouvi há uns dias uma palestra de Geoff Mulgan e ele acha que sim.

Deu até como exemplo, nas novas gerações, a jovem Greta, e daí até aos pais desta geração e a crença de que o futuro dos filhos será pior que o seu.

Foi exactamente assim que terminei a minha crónica anterior, a dizer que uma medida do progresso seria ver os filhos melhor do que a geração que a antecede.

Como é que nos deixamos tornar tão pessimistas? Será que somos?

Ou, como costumo dizer de mim própria, uma realista bem informada pode passar por pessimista?

Fui à procura desse tema através de um dos livros do professor.

Essa busca não me trouxe respostas, mas muitas boas perguntas e muito boas ideias. Com isso, talvez ajude.

Diz ele que as pessoas ficaram irrealistas ao ponto de acharem que nada poderá melhorar, que essa é uma ideia espalhada na sociedade, mesmo que de forma abstracta.

Tal como outras ideias, há conceitos que passam para a sociedade de forma ampla, como os ideais dos direitos humanos ou da economia circular.

É por isso, um conceito que se espalha e cola…

Numa época de crises sobrepostas, quem deveria gerar opções deixou de o fazer.

Temos a crise do clima, das finanças (da crise de 2009 ainda ninguém recuperou e já aqui estamos em crise novamente…), temos a crise da alimentação, dos refugiados, os salários estagnados, da pandemia, da inflação… ok, não melhoramos em optimismo ao perceber este panorama.

Adiante.

Então e quem deveria gerar opções? Desde logo os políticos, que deixaram de pensar a 20/30 anos à frente, mas quedaram-se em horizontes e tácticas a dois/três anos.

Não ajuda de facto. O tempo encolheu, se somarmos isto à velocidade com que vivemos…

Depois, as universidades. Deixaram de desenhar opções. Fazem análises.

As pessoas sentem as ameaças à carreira e por isso acomodaram-se aos estudos e diagnósticos.

E por fim, a filantropia, que também deixou de o fazer para sua protecção, por ataque do poder político.

Temos então o diagnóstico feito. Resta-nos saber a prescrição.

Futuro sempre. E para isso são precisas boas ideias e respostas criativas. Não há outra forma, diz.

Novos métodos, por exemplo sobre políticas sociais, e que têm que ser experimentados.

São créditos fiscais? Salários? Categorias? Rendimentos universais e incondicionais? Alguma coisa tinha que ser feita.

Na pandemia percebemos o que eram os trabalhos “essenciais”, mas curiosamente muitos desses são os mais precários, de salários mais baixos e representam uma percentagem muito pequena na sociedade.

Ficamos na mesma? Não vamos mudar essa importância e reconhecer socialmente isso?

Como não ficar pessimista se assim for?

É muito difícil fazer shift´s económicos de um dia para o outro, sobretudo em sociedades com democracias consolidadas, mas, sabendo que vão demorar, temos que o fazer.

Não agir não é opção.

É preciso imaginação na política, nas artes, na ciência, educação, imaginar uma melhor sociedade com menos infelicidade, menos pobreza, menos violência, menos dano ecológico,… qual é o primeiro passo para acontecer?

Para já, é bom começar a falar disso.

O que, já de si, não é péssimo…

Tópicos: Carina João Oliveiraopinião
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