PUBLICIDADE
  • Edição Impressa
Jornal de Leiria
Assine desde 0,39€ por semana
  • Iniciar sessão
  • Criar conta
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Opinião
  • Newsletters
  • Podcasts
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Opinião
  • Newsletters
  • Podcasts
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Jornal de Leiria
Assinar
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Opinião
  • Newsletters
  • Podcasts
Home Opinião

A sombra

Helena Rafael, assessora de imprensa Helena Rafael, assessora de imprensa
21 de Julho de 2022
em Opinião
Share on FacebookShare on Twitter
Helena Rafael, assessora de imprensa
Helena Rafael, assessora de imprensa21 de Julho de 2022

“Actualmente nove países possuem armas nucleares (…) o arsenal mundial é composto por 15.000 engenhos, cinco vezes menos do que durante a guerra fria, mas ainda assim largamente suficientes para destruir várias vezes o planeta. Acreditam que a minha história terminou? E se estiver apenas a começar?”

A vida de Didier Alcante, autor de banda desenhada de origem belga, mudou aos onze anos de idade, quando visitou pela primeira vez o Museu do Memorial da Paz de Hiroxima.

Na altura tinha apenas noções elementares de história, mas era já amigo de Kazuo, um rapazinho japonês que tinha ido viver para a Bélgica com os pais e de quem se tornou amigo.

Dotado de uma inteligência brilhante, Kazuo rapidamente aprendeu francês e o orgulho que sentia pelo Japão depressa contagiou Didier que, pelos olhos do amigo, descobriu, primeiro no papel, a beleza das cerejeiras em flor, os templos xintoístas, o código de honra dos samurais e a sofisticação tecnológica e arquitectónica de cidades como Tóquio.

Didier, por seu turno, simplificava a integração do amigo num país como a Bélgica revelando-lhe uma das suas mais celebradas manifestações artísticas – a banda desenhada.

Um ano bastou para que a relação de Didier e Kazuo ganhasse a fundação inabalável das grandes amizades da infância, que nem o regresso da família de Kazuo ao Japão conseguiu alterar.

Dois anos depois reencontrar-se-iam em Hiroxima.

Nada na cidade, excepto a ruína da cúpula do antigo Palácio Industrial, parecia, na mente de uma criança, denunciar a ferida aberta que a deflagração da bomba atómica no dia 6 de Agosto de 1945 deixaria no local.

Até ao dia em que Didier entrou no Museu do Memorial da Paz de Hiroxima. Uma entrada directa na idade adulta e o instante exacto em que sentiu que perdera a inocência.

Os números, as imagens, as réplicas do dia funesto que perduram pelas décadas, deram-lhe uma ideia de um país muito diferente daquele que imaginara através das descrições de Kazuo.

O que mais o impressionaria no museu, no entanto, seria a sombra de um desconhecido que morreu instantaneamente desintegrado em Agosto de 1945 – e que por um processo químico complexo ficou decalcada numa escadaria, a 250 metros do hipocentro da explosão.

Essa imagem, para sempre gravada no fragmento de escada guardado no museu, viria a ditar o rumo de grande parte da vida de Didier.

Da sua primeira viagem ao Japão traria duas perguntas obsessivas: Como foi possível ter chegado àquele ponto? Qual poderia ter sido a história daquela pessoa-sombra?

Aos onze anos Didier veio do Japão com um livro por escrever.

A ideia do projecto jamais o abandonaria, assim como a compulsão para se documentar e procurar fazer a reconstituição possível daquele acontecimento sem trair a sua aproximação subjectiva aos factos.

Já com uma carreira de argumentista afirmada, Didier decidiu avançar em 2015 para aquilo que seria uma novela gráfica de grande fôlego capaz de traduzir o impacto que aquela sombra tivera nele. 

Com a colaboração do co-argumentista Laurent-Frédéric Bollée e do ilustrador Denis Rodier, escreveu A Bomba, lançado agora em edição portuguesa em dois volumes (Gradiva, Junho, 2022).

São cerca de 450 páginas sobre os meandros da construção da bomba de Hiroxima, as profundas contradições da guerra e dos seus agentes, os dilemas éticos e morais de quem esteve envolvido no processo e a absoluta ausência de sentido dos conflitos armados.

O desenho é extraordinário e o texto um mergulho avassalador e polifónico num momento histórico que adquire uma proximidade estranhamente preocupante no contexto que atravessamos.

Não é uma leitura de férias. É uma leitura para a vida, como foi o encontro de Didier com a sombra no degrau da escada do Banco Sumitomo.

Se puderem leiam e deem a ler. 

Tópicos: Helena Rafaelopinião
PartilharTweet

Mais informação

Opinião

A (ir)relevância de lamber um ecrã

27 de Outubro de 2026
Paulo José Costa, psicólogo clínico
Opinião

Stress a stress, enche o copo

27 de Outubro de 2026
Cláudia Camponez, psicóloga educacional
Opinião

Data centers e a fome por recursos

26 de Outubro de 2026
Ana Pires, Doutorada em Eng.ª do Ambiente
Próxima publicação
Leiria Medieval: quando o futuro de Ceuta e do Infante Santo se discutiu junto ao rio Lis

Leiria Medieval: quando o futuro de Ceuta e do Infante Santo se discutiu junto ao rio Lis

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMOS ARTIGOS

Pena suspensa para quatro jovens por roubo a idoso no concelho de Leiria

Filme português ganha prémio principal do Ha Ha Art Film Festival

Projecto em marcha para recuperar Monte de São Bartolomeu e Mata do Valado, na Nazaré

Halloween: fantasmas nos castelos da região e cinema de horror

Rio Arunca junto a Pombal não terá açude

MAIS VISTOS

Factos foram julgados no Tribunal de Leiria

Pena suspensa para quatro jovens por roubo a idoso no concelho de Leiria

28 de Outubro de 2026
A categoria de longas teve espaço em Pombal pela primeira vez e premiou Óculos de Sol Pretos

Filme português ganha prémio principal do Ha Ha Art Film Festival

28 de Outubro de 2026
Projecto em marcha para recuperar Monte de São Bartolomeu e Mata do Valado, na Nazaré

Projecto em marcha para recuperar Monte de São Bartolomeu e Mata do Valado, na Nazaré

28 de Outubro de 2026
Um espectáculo interactivo e temático sobe ao castrelo de Leiria no sábado

Halloween: fantasmas nos castelos da região e cinema de horror

28 de Outubro de 2026
Segundo a autarquia, as comportas provocam eutrofização no Arunca

Rio Arunca junto a Pombal não terá açude

28 de Outubro de 2026
  • Empresa
  • Ficha Técnica
  • Contactos
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Publicidade Edição Impressa
  • Publicidade Online
  • Política de Privacidade
  • Termos & Condições
  • Arquivo
  • Loja
  • Livro de Reclamações

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Bem-vindo de volta!

Aceder à sua conta abaixo

Esqueceu-se da palavra-passe? Criar conta

Criar nova conta!

Preencha os campos abaixo para criar a sua conta

Todos os campos são obrigatórios. Iniciar sessão

Recuperar a palavra-passe

Indique o seu email para receber uma nova palavra-passe.

Iniciar sessão
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Edição impressa
  • Assine desde 0,39€ por semana
  • Subscreva as newsletters
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Contactos
  • Ficha técnica
  • Publicidade online
  • Publicidade edição impressa
  • Estatuto editorial
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • 50 anos do Poder Local
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Agenda
  • Lentriscas em castelo
  • Palavra de honra
  • Crítica
  • Opinião
  • Fotogalerias
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Arquivo
  • Loja
  • Política de privacidade
  • Termos e condições
  • Livro de reclamações
  • Empresa

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Tem a certeza de que quer desbloquear esta publicação?
Desbloquear à esquerda : 0
Tem a certeza de que pretende cancelar a subscrição?