PUBLICIDADE
  • Edição Impressa
Jornal de Leiria
Assinar desde 0,39€ por semana
  • Iniciar sessão
  • Criar conta
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Opinião
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Saúde
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Depressão Kristin
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Opinião
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Saúde
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Depressão Kristin
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Jornal de Leiria
Assinar
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Opinião
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Saúde
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Depressão Kristin
Home Opinião

Letras | David Teles Ferreira (2021), Nariz de mulher, focinho de cão, cu de gente

Cristina Nobre, professora do ensino superior Cristina Nobre, professora do ensino superior
06/11/21 11:11
em Opinião
Share on FacebookShare on Twitter
Cristina Nobre, professora do ensino superior

Quando, em 2019, escrevi sobre o livro de poemas, anti bucólicos, e o intitulei ‘o fim da ingenuidade’, estava longe de imaginar que o autor nos iria surpreender com este novo romance, mistura de ‘realismo mágico’, narrativa contada em 43 capítulos por um narrador participante e a escrever a sua autobiografia insólita e delirante.

O eu-narrador, um homem de meia-idade, a viver sozinho num prédio, e empregado num escritório, ‘trabalho de produção de inutilidades’, começa a voar e – a partir daí – tudo muda: o lugar das coisas, a forma como vê as personagens que com ele contracenam, as paisagens, os sonhos/pesadelos. Nunca perde a lucidez de raciocínio, nem as dúvidas – não é um louco… – e conclui, para descanso da sua timidez/misantropia: “Curiosamente, ou talvez não, ninguém parecia verme. Era como se eu estivesse invisível.” (opus cit., p. 9).

Será o relacionamento com os outros a dar-lhe alguma resposta para as suas muitas perguntas e inquietações. Assim com Alberto, o sem-abrigo, que parece ser o único a ter um vislumbre da estranheza/nova capacidade. Assim com Zé Manel, que tinha paralisia cerebral e andava numa cadeira de rodas, ou o Senhor Armindo, dono do quiosque de jornais e conhecedor das vidas íntimas da vizinhança; o Senhor Elias, da mercearia e padeiro; Nelo, o gago dos solilóquios; Alcina, a vidente; Rosália, a puta virgem, que acaba por casar com Rui, mais jovem e ajudante de oficina; Júlio, dono da oficina, setentão e sabedor de como se desenvencilhar das rixas idiotas; D. Etelvina e os amargos da sua solidão; as três Graças (idosas com mais de oitenta anos); o Senhor Plínio, senhorio do narrador; D. Lurdes, dona da pastelaria; Vanessa, a funcionária; Sr.ª D. Maria Hermengarda Pires Fonseca de Sousa Albuquerque e Alcaravela, a beata; Horácio e Maria Helena, os eternos namorados; D. Mariete, a fresca viúva cinquentona; a velha tia Rachel, participante na oposição clandestina; Bazaruco, vendedor de estatuetas de santos. Personagens fantásticas do quotidiano…

O primeiro indício de mudança será na p. 22, quando Alcina diz ao narrador: “– Não perguntes porque voas, mas o que voar pode provocar em ti.” Efetivamente, na sua invisibilidade voadora, o narrador vê situações humanas que o deprimem e a solidão começa a pesar-lhe. O segundo será quando ela lhe conta a sua história e mostra como a visão do que se passa dentro das pessoas se pode tornar inquietante e dolorosa – na intertextualidade o leitor pode encontrar uma Blimunda Sete Luas/Alcina, neste hic et nunc quotidiano.

Aos poucos, o narrador irá desenvolvendo a sua relação com os vizinhos, em especial com Zé Manel e Alcina, mas voar de cada vez o deixa menos satisfeito: “Remanescia, invariavelmente, a sensação de que faltava um propósito ou um significado.” (p. 127).

Com a doença do Zé Manel, a ligação entre o narrador e Alcina aprofunda-se e transforma-se em amor; depois da morte de Zé Manel os escritos que fazia secretamente aparecem publicados em livro e são a metamorfose da vida no bairro.

A linearidade não é a norma deste romance delirante: há muitas histórias de personagens interrompidas e só a posteriori concluídas. Semeados na escrita do narrador, estão os provérbios/adágios, sabedoria popular transmitida pela avó – que fecha o ciclo com o título do romance. O quotidiano tem sempre algo de delírio…

Tópicos: Cristina Nobre

RELACIONADOS

Opinião

Respirar literatura | Natália Caseiro (2026), Hélène de Beauvoir. Os anos de Portugal. Ou a escrita austera sobre as pulsões da vida…

Julho 31, 2026
Cristina Nobre, professora do ensino superior
Investigação: as cartas de Nemésio e Afonso Lopes Vieira deram um livro
Viver

Investigação: as cartas de Nemésio e Afonso Lopes Vieira deram um livro

Maio 29, 2026
Letras | ACANTO – Revista de Poesia: objeto/livro da palavra poética
Opinião

Letras | ACANTO – Revista de Poesia: objeto/livro da palavra poética

Dezembro 6, 2021
Cristina Nobre, professora do ensino superior
Próxima publicação

Cinema | Um paraíso de referências, um inferno de incertezas

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMOS ARTIGOS

O seu filho não quer regressar à escola? Saiba quais são os sinais quando algo não está bem

Conferência internacional INOV.AM em Leiria

Máximas nos 37 e 38 graus em alguns concelhos. Distrito de Leiria sob aviso amarelo até segunda-feira

Inqualificável

Ourém abre concurso para construção de acesso mecânico ao castelo

MAIS VISTOS

O seu filho não quer regressar à escola? Saiba quais são os sinais quando algo não está bem

O seu filho não quer regressar à escola? Saiba quais são os sinais quando algo não está bem

Setembro 12, 2026
Conferência internacional INOV.AM em Leiria

Conferência internacional INOV.AM em Leiria

Setembro 12, 2026
Máximas nos 37 e 38 graus em alguns concelhos. Distrito de Leiria sob aviso amarelo até segunda-feira

Máximas nos 37 e 38 graus em alguns concelhos. Distrito de Leiria sob aviso amarelo até segunda-feira

Setembro 12, 2026
Inqualificável

Inqualificável

Setembro 12, 2026
Sónia Gonçalves Pereira, Médica, investigadora
Ourém abre concurso para construção de acesso mecânico ao castelo

Ourém abre concurso para construção de acesso mecânico ao castelo

Setembro 12, 2026
  • Empresa
  • Ficha Técnica
  • Contactos
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Publicidade Edição Impressa
  • Publicidade Online
  • Política de Privacidade
  • Termos & Condições
  • Arquivo
  • Loja
  • Livro de Reclamações

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Bem-vindo de volta!

Aceder à sua conta abaixo

Esqueceu-se da palavra-passe? Criar conta

Criar nova conta!

Preencha os campos abaixo para criar a sua conta

Todos os campos são obrigatórios. Iniciar sessão

Recuperar a palavra-passe

Indique o seu email para receber uma nova palavra-passe.

Iniciar sessão
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Edição impressa
  • Assinar desde 0,39€ por semana
  • Subscrever newsletters
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Comunidades
  • 50 anos do Poder Local
  • Agenda
  • Lentriscas em castelo
  • É quinta-feira, foge comigo
  • Palavra de honra
  • Críticas
  • Fotogalerias
  • Estatuto editorial
  • Contactos
  • Ficha técnica
  • Arquivo
  • Loja
  • Política de privacidade
  • Publicidade online
  • Publicidade edição impressa
  • Termos e condições
  • Livro de reclamações
  • Empresa

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Tem a certeza de que quer desbloquear esta publicação?
Desbloquear à esquerda : 0
Tem a certeza de que pretende cancelar a subscrição?