PUBLICIDADE
  • Edição Impressa
Jornal de Leiria
Assine desde 0,39€ por semana
  • Iniciar sessão
  • Criar conta
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Opinião
  • Newsletters
  • Podcasts
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Opinião
  • Newsletters
  • Podcasts
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
Jornal de Leiria
Assinar
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Opinião
  • Newsletters
  • Podcasts
Home Opinião

“Todas as coisas maravilhosas”

Conviver de perto com a experiência de um suicídio provoca uma dor imensa que esmaga o coração.

Patrícia António, psicóloga e psicoterapeuta Patrícia António, psicóloga e psicoterapeuta
15 de Julho de 2021
em Opinião
Share on FacebookShare on Twitter
Patrícia António, psicóloga e psicoterapeuta
Patrícia António, psicóloga e psicoterapeuta15 de Julho de 2021

Há cerca de um mês na companhia das “minhas mulheres da redução de riscos e minimização de danos”, uma área importante do nosso trabalho clínico na intervenção nos comportamentos aditivos e outras dependências e que nos liga fortemente, imaginámos as cinco estar em Barcelona a conversar depois de assistirmos à peça do Ivo Canelas “Todas as coisas maravilhosas”.

O monólogo escrito pelo britânico Duncan Macmillan e maravilhosamente interpretado por Ivo Canelas já não era uma estreia no Time Out Market em Lisboa. Uma das amigas presentes já o vira duas vezes. Na plateia havia outras pessoas repetentes também. Para mim, naquele dia, foi uma estreia.

A peça recorda a importância de reconhecermos e nos deslumbrarmos com as coisas que nos rodeiam, através de uma lista – a “lista de todas as coisas maravilhosas que há no mundo” – que um miúdo decide começar a fazer aos sete anos para combater as recorrentes tentativas de suicídio da mãe.

É na grande maioria do tempo um monólogo que, apesar do humor, aborda temas muito sérios e importantes tais como: a depressão, o suicídio, o estigma, o silêncio, as crises existenciais, a família, os profissionais de saúde mental e a importância do amor. Ao longo da peça, alguns de nós são convidados a participar através de pequenos papéis com pequenas frases ou simples palavras que nos são atribuídos. O ambiente é intimista.

Os lugares sentados estão espalhados à volta do actor que se desloca no palco e nos olha profundamente nos olhos. Acompanhamos em silêncio o crescimento da criança ao homem adulto. A sua passagem à adolescência e a revolta. E depois ser adulto e não reconhecer as próprias mazelas daquela profunda dor emocional que ficou latente.

Estamos todos de máscara, mas os olhos comunicam entre si, emocionam-se, riem, entristecem-se. Durante a peça pensei como é fundamental fazer chegar a todos a esperança quando as lentes escuras interiores, os silêncios ruidosos, o abandono emocional, a tristeza, o medo, a apatia, o desânimo, a ansiedade, percorrem mente e corpo em simultâneo e nos fazem querer fugir ou lutar, ou simplesmente congelar, ficar ali quietos, imóveis por dentro e por fora.

Conviver de perto com a experiência de um suicídio provoca uma dor imensa que esmaga o coração. É sempre uma experiência traumática para familiares, amigos e membros da comunidade.

Ali, durante a peça, também sentimos esse esmagar e assistimos “ao vivo e a cores” através da interpretação do actor, à complexa gama de emoções que se podem vivenciar, que vão desde a dor à raiva, da culpa à incredulidade, do ressentimento à angústia, nem sempre fácil de pôr por palavras. Também o estigma da condenação que ainda rodeia o suicídio é referido e pode fazer com que seja extremamente difícil para os que sobrevivem lidar com a sua mágoa, levando a situações extremas de isolamento.

Durante aproximadamente duas horas de peça mantemos uma atenção absoluta, talvez porque também nós já perdemos alguém para a depressão ou para o suicídio. Enquanto escrevo estas linhas passam por mim muitos rostos, muitas histórias de vida que encerram essa dor.

O poder da arte transforma e promove a empatia, a possibilidade de nos colocarmos ali também em palco, sentir e saber que podemos também ser nós! Um poderoso instrumento transicional, como diria Winnicott, um psicanalista britânico dos anos 50, capaz de abrir à criatividade e à liberdade de ser, pensar e sonhar o nosso verdadeiro Self.

Tal como comentava a minha amiga Marta Borges: “É preciso olhar o alçapão, encará-lo e dar-lhe um sentido”. Barcelona foi a possibilidade de olhar para o “meu alçapão” e encará-lo de frente. Depois, mais tarde, já em Lisboa a decisão de enfrentá-lo numa relação analítica contentora e segura, capaz de lhe dar sentido e, ao mesmo tempo, promotora da liberdade, desimpedimento e expansão do meu verdadeiro Eu.

Nota: No dia em que termino este artigo, soube da triste notícia da morte do meu querido Professor António Coimbra de Matos, um amigo e um verdadeiro Mestre. É um dia triste para toda a comunidade de psicanalistas, psicoterapeutas e psicólogos do nosso País que ajudou a formar. Muitos e muitos, tal como eu, foram aqueles que aprenderam consigo em particular a linguagem do novo, do progresso, dos afectos, da autenticidade, da importância da nova relação consigo próprio e com os outros e a genuína aposta e esperança nas pessoas a serem mais livres e mais responsáveis. Nas suas palavras mais “abertas ao sonho-projecto” (2007, p.15). Até sempre Querido Professor! Ficará (e)ternamente no meu coração e saberei encontrá-lo sempre que precisar: na vida, na relação quotidiana com as pessoas com quem trabalho, na ousadia de pensar livremente o meu ser e a realidade à minha volta na busca dos afectos que tecem a nossa humanidade.

Tópicos: opiniãopatrícia antónio
PartilharTweet

Mais informação

Opinião

Stress a stress, enche o copo

27 de Outubro de 2026
Cláudia Camponez, psicóloga educacional
Opinião

A (ir)relevância de lamber um ecrã

27 de Outubro de 2026
Paulo José Costa, psicólogo clínico
Opinião

Data centers e a fome por recursos

26 de Outubro de 2026
Ana Pires, Doutorada em Eng.ª do Ambiente
Próxima publicação
Centenário do nascimento de Amália Rodrigues celebrado em Fátima e na internet

Centenário do nascimento de Amália Rodrigues celebrado em Fátima e na internet

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMOS ARTIGOS

Gonçalo Lopes escreve livro sobre a experiência com a tempestade Kristin

Pena suspensa para quatro jovens por roubo a idoso no concelho de Leiria

Filme português ganha prémio principal do Ha Ha Art Film Festival

Projecto em marcha para recuperar Monte de São Bartolomeu e Mata do Valado, na Nazaré

Halloween: fantasmas nos castelos da região e cinema de horror

MAIS VISTOS

Livro relata a experiência do autarca com a crise Kristin

Gonçalo Lopes escreve livro sobre a experiência com a tempestade Kristin

28 de Outubro de 2026
Factos foram julgados no Tribunal de Leiria

Pena suspensa para quatro jovens por roubo a idoso no concelho de Leiria

28 de Outubro de 2026
A categoria de longas teve espaço em Pombal pela primeira vez e premiou Óculos de Sol Pretos

Filme português ganha prémio principal do Ha Ha Art Film Festival

28 de Outubro de 2026
Projecto em marcha para recuperar Monte de São Bartolomeu e Mata do Valado, na Nazaré

Projecto em marcha para recuperar Monte de São Bartolomeu e Mata do Valado, na Nazaré

28 de Outubro de 2026
Um espectáculo interactivo e temático sobe ao castrelo de Leiria no sábado

Halloween: fantasmas nos castelos da região e cinema de horror

28 de Outubro de 2026
  • Empresa
  • Ficha Técnica
  • Contactos
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Publicidade Edição Impressa
  • Publicidade Online
  • Política de Privacidade
  • Termos & Condições
  • Arquivo
  • Loja
  • Livro de Reclamações

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Bem-vindo de volta!

Aceder à sua conta abaixo

Esqueceu-se da palavra-passe? Criar conta

Criar nova conta!

Preencha os campos abaixo para criar a sua conta

Todos os campos são obrigatórios. Iniciar sessão

Recuperar a palavra-passe

Indique o seu email para receber uma nova palavra-passe.

Iniciar sessão
Nenhum resultado
Ver todos os resultados
  • Edição impressa
  • Assine desde 0,39€ por semana
  • Subscreva as newsletters
  • Escreva ao director
  • Sugira uma notícia
  • Contactos
  • Ficha técnica
  • Publicidade online
  • Publicidade edição impressa
  • Estatuto editorial
  • Abertura
  • Entrevista
  • Sociedade
  • 50 anos do Poder Local
  • Saúde
  • Comunidades
  • Economia
  • Desporto
  • Viver
  • Agenda
  • Lentriscas em castelo
  • Palavra de honra
  • Crítica
  • Opinião
  • Fotogalerias
  • Newsletters
  • Podcasts
  • Arquivo
  • Loja
  • Política de privacidade
  • Termos e condições
  • Livro de reclamações
  • Empresa

© 2026 Jornal de Leiria - by WORKMIND.

Tem a certeza de que quer desbloquear esta publicação?
Desbloquear à esquerda : 0
Tem a certeza de que pretende cancelar a subscrição?