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Home Crítica

Letras | Francisco Rodrigues Lobo

Este é o poeta seiscentista leiriense de cuja morte ora se celebram os 400 anos e de quem urge falar

Graça Sampaio, professora Graça Sampaio, professora
26 de Abril de 2021
em Crítica
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Graça Sampaio, professora
Graça Sampaio, professora26 de Abril de 2021

Não se conhecem ao certo as datas do seu nascimento ou da sua morte.

Presumem os estudiosos que terá nascido em Leiria ou arredores depois do ano de 1580 (quando a corte portuguesa era já acabada) e terá morrido em 1621.

«A morte foi de espécie violenta: Rodrigues Lobo navegava no Tejo, em jornada de Santarém para Lisboa, [na companhia do conde de Assentar] quando uma volta repentina de tempestade afundou a falua e afogou o infeliz poeta no rio. O cadáver, varado na praia, sepultou-se honorificamente na Capela das Queimadas, sita no Claustro do Mosteiro de S. Francisco da Cidade.» (Jorge, R. 1920)

Aparece em 1593 inscrito na Universidade de Coimbra onde se formou em Leis em 1602. 

Diz Agostinho da Silva no Prefácio à Corte da Aldeia que «a vida de Rodrigues Lobo que, por ser remediado de bens, não precisava de exercer a sua profissão, deve ter-se passado, senão propriamente em Leiria, pelo menos muito perto, em terras banhadas pelo Liz e pelo Lena» já que «todos os seus livros estão impregnados do tom fino e suave da paisagem dos arredores de Leiria.»

Frequentou a casa dos Bragança em Vila Viçosa, dos condes de Odemira em Penacova e mais demoradamente residiu nos paços dos Marqueses de Vila-Real em Leiria, casa soberana à época nesta cidade.

Pertencia a uma família de cristãos-novos, sendo ele também um cristão-novo judaizante. Alguns familiares seus foram alvo de inquéritos inquisitoriais, e ele próprio «denunciado ao Tribunal Eclesiástico de Leiria, aí por 1602, por um criado do 6.º Marquês de Vila Real e chamado à Mesa da Inquisição e interrogado sobre um livro, experiência que o terá sobressaltado.» (Pousão-Smith, Biblos, 2009)

O seu primeiro livro, publicado em 1596, é uma coleção de Romances, (um género particular de poesia da época) quase todos em espanhol e de escasso valor poético.

Em 1601 sai A Primavera, continuada por O Pastor Peregrino em 1608 e por fim, em 1614, O Desenganado – uma trilogia de romances pastoris (estes já sob a influência de Veja e de Gôngora) que contam as aventuras do pastor Lereno nas suas deambulações errantes (talvez pelos campos de entre Liz e Lena).  De igual inspiração, mas de índole mais moralista, são as Éclogas, publicadas em 1605.

Têm nome e aspeto de pastores, mas as falas são de verdadeiros cortesãos.

Diz A. Lopes Vieira que «estas personagens não vivem – declamam.»

Em 1919 sai A Corte na Aldeia, um livro de diálogos entre «homens de preço» que, num tempo em que já não havia corte em Lisboa, se juntavam nas noites de inverno alando sobre os preceitos que visam a formação do perfeito cortesão, o tipo ideal do fidalgo seiscentista. 

Versou ainda RL o poema épico. No dizer de Ricardo Jorge, «aqui nesta gleba nacional, quem não alçasse o metro à epopeia, a custo passaria de poeta minor».

Escreveu o Condestabre, que dedica a D. Teodósio, pai de D. João IV, embora sem o fulgor conseguido na lírica.

Texto escrito segundo as regras do Acordo Ortográfico de 1990

 

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