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Home Economia

Indústria da pedra quer exportar mais, mas dificuldades logísticas impedem

Raquel de Sousa Silva Raquel de Sousa Silva
13 de Junho de 2022
em Economia
Indústria da pedra quer exportar mais, mas dificuldades logísticas impedem
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Apesar de enfrentar diversos constrangimentos, o sector da pedra natural é “bastante resiliente” e tem conseguido aumentar as suas exportações.

No ano passado as vendas aos mercados externos ultrapassaram os 435 milhões de euros e em 2022 há já um aumento na ordem dos 16% nas exportações.

Mas as empresas deparam-se com vários problemas que estão a afectar a sua actividade.

Depois da pandemia, e num cenário de guerra na Ucrânia, o aumento dos custos de contexto é uma das maiores preocupações, adianta ao JORNAL DE LEIRIA Célia Marques, vice-presidente executiva da Assimagra, associação que representa a indústria portuguesa dos recursos minerais.

“Os custos com energia e com combustíveis triplicaram, o que é um grande entrave à competitividade deste sector altamente exportador”, sublinha. As exportações estão ainda a ser condicionadas por questões logísticas. “Não há contentores e os preços aumentaram”.

A falta de mão-de-obra, não sendo de agora, é outra das grandes preocupações do sector. “Tem havido uma sangria nas empresas devido a reformas antecipadas.

Por outro lado, não há jovens a entrar”, frisa Célia Marques, considerando que a imigração pode ajudar a mitigar o problema, mas que tal só acontecerá se forem criadas condições de habitação e outras que permitam acolhê-los.

“Há obras, o sector tem trabalho, mas depara-se com questões como a falta de pessoal, custos de contexto elevados e problemas logísticos”, diz a vice-presidente executiva da Assimagra, apontado uma outra preocupação: o acesso ao território.

“Tem havido restrições ano após ano e estamos muito apreensivos com a nova lei das pedreiras. Esperamos que aquilo que vier a ser publicado seja aplicável no terreno”.

A Mocamar, uma das cerca de 100 empresas que na semana passada estiveram na feira Stone, na Batalha, tem sentido dificuldade em arranjar contentores para exportar as suas pedras.

Vende blocos para a China, chapa e produto acabado para todo o mundo. Desde que os portos foram obrigados a abrandar ou mesmo a parar, devido à pandemia, que se sentem problemas para arranjar contentores.

“E o preço dos fretes disparou”, afirma João Oliveira, responsável do departamento de vendas desta empresa de Alcanede, que também acusa a falta de mão-de-obra.

“Para a fábrica ainda se vai arranjando, para as pedreiras é mais dífícil. Precisávamos de pelo menos mais duas pessoas. Empregámos dez trabalhadores nos últimos dois anos”, conta.

Também a 2L Stone, empresa do concelho de Porto de Mós que transforma pedra para vários usos, precisa de contratar mais pessoas para a área da produção, para poder crescer.

“Mas não encontramos”, lamenta Homero Coutinho, técnico de gestão. “Nota-se um aumento do trabalho e queríamos até ao final do ano ser pelo menos seis pessoas, em vez das três actuais”.

Com 20 anos de actividade, a Rustistone, de Turquel, produz artigos de pedra em face natural, para o mercado português e para exportar para alguns países europeus.

Neuza Morgado, uma das responsáveis da empresa do concelho de Alcobaça, que também esteve na Stone, fala igualmente na dificuldade em encontrar mão-de-obra como sendo um dos principais constrangimentos.

A empresa conta com 20 trabalhadores, mas precisava de mais “para crescer”. “Só se encontram estrangeiros, e temos de ser nós a formá-los”.

Dado que os artigos que produz são feitos sobretudo de forma manual, com menor recurso a maquinaria, “é ainda mais difícil encontrar pessoas”, reconhece.

A gestora aponta como outros constrangimentos a “incerteza do mercado quanto ao que será o próximo ano”, devido à subida das taxas de juro e dos custos das matérias-primas, dos combustíveis e da energia.

Tópicos: economiaempresasexportaçõesnegóciospedra
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