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Home Sociedade

Aeroporto da Região Centro!

A criação aeroportos fora das macrocéfalas Lisboa e Porto, foi ensombrado pela polémica e pouco transparente transformação da pista de Beja em aeroporto civil, é um estigma e serve de argumento aos opositores à abertura da BA5 a voos civis

Jacinto Silva Duro, jornalista Jacinto Silva Duro, jornalista
22 de Junho de 2018
em Sociedade
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Na verdade, ambas as situações não poderiam ser mais diferentes. Beja e aquela zona do Alentejo é uma região que, praticamente, não aufere de procura do ponto de vista turístico, de negócios ou da população nacional, o que não acontece com a zona Centro.

Sim, ouve-se falar no “aeroporto de Leiria” e “aeroporto de Monte Real”, quando se deveria falar em aeroporto do Centro (ou alguém duvida que todos os 100 municípios do Centro e ainda Fátima não irão beneficiar com esta infra-estrutura?)

Vamos ser intelectualmente honestos: a maior parte dos utilizadores de um aeroporto na região serão estrangeiros, atraídos pela bonomia que o turismo trouxe ao nosso País. E há que aproveitar antes que Portugal passe de moda e que Coimbra centralize mais uma infra-estrutura.

No Fórum Aviação Civil em Monte Real, que decorreu no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria, foi dito que o potencial de tráfego no curto prazo andará à volta dos 600 a 620 mil passageiros por ano, “sendo que os principais passageiros terão como destino o turismo religioso, Fátima e não só”.

Se o investimento fosse feito agora, orçaria em cerca de 25 milhões de euros e produzia dividendos de cerca de nove a dez milhões de receitas em 2025, que após essa data cresceriam 3% ao ano. É fazer contas.

Há quem diga que, com Lisboa e Porto, o País já está bem servido. Basta ler as notícias de há dois anos para cá para perceber que ambos os aeroportos recusam, diariamente, dezenas de voos e chegaria olhar para o norte, para a Galiza,onde há três aeroportos que recebem voos low cost – Vigo, Santiago e A Coruña – separados uns dos outros por cerca de 100 quilómetros de distância.

Em termos de acessibilidades, a vila de Monte Real é única. Tem, à porta, uma ligação ferroviária com Lisboa, Coimbra e Porto, duas auto-estradas e uma ligação privilegiada a Fátima. Vários candidatos à Câmara de Leiria defenderam que a modernização da Linha do Oeste é prioritária e é para ali que deve ser canalizado o investimento público.

É uma visão que não alcança os cenários macro e de desenvolvimento regional. Os portugueses não gostam de comboios. São caros, sofrem de pandemias de greves sindicalizadas e, pelo mesmo preço, ou menos, e maior comodidade, é possível utilizar a viatura própria.

Mas, mesmo que se modernizem as linhas e os comboios, será preciso mudar as mentalidades e isso faz-se pelo ensino e com campanhas bem focadas e dirigidas… cenários mais do que improváveis de acontecer a curto prazo.

Quem são os governantes, com falta de verbas, que investem milhões em algo que só daí a 20 anos começará a ser regularmente usado? Até lá os equipamentos deterioram-se, além das despesas correntes de manutenção. Sobra quem? Os turistas e regulares utilizadores de um aeroporto em Monte Real.

Modernizar a Linha do Oeste, no cenário actual, é queimar dinheiro que pode ser usado noutras tarefas mais urgentes (por exemplo, ordenar o território, as florestas e as plantações de eucalipto e pinheiro).

É urgente aproveitar o clima favorável do turismo, usando os seus proveitos – partilhados a nível regional -, para criar uma economia mais forte e sustentada noutros sectores, porque, eventualmente, Portugal sairá de moda e, por cá, tal como noutras ocasiões, ficar-se-á a discutir o que poderia ter sido, mas que não foi.

*jornalista

Tópicos: aeroporto civilBA5bejadesenvolvimento regionaleditorialFátimaMonte Realregião centro
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