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Home Opinião

Do momento em que me posiciono

torna-se claro e evidente que uma escolha é feita.

Paulo Henrique Paulo Henrique
27 de Maio de 2017
em Opinião
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Paulo Henrique
Paulo Henrique27 de Maio de 2017

Falo concretamente de ter decido começar a escrever no momento em que me sentei na carruagem do metro da linha 7. Em frente de mim, duas mulheres falam em chinês e uma delas come enquanto fala. Eu escrevo enquanto não como.

Se posicionar, é como decidir comer e comermos, ou decidir o que vamos comer, fazendo uma escolha. Como ler este artigo sentado. Também se pode ler de pé, como neste momento, no metro, outras pessoas lêm, no ecrã do telemóvel, outros ouvem música, ou nada. Tudo escolhas decisivas conscientes ou não. As mulheres asiáticas que comiam e falavam sairam na estação anterior.

Agora tenho à minha frente, uma outra pessoa de cabelos compridos, óculos e que ouve música. Eu também estou de óculos e tenho os olhos colados entre o teclado do computador e o ecrã. Os dois lugares ao meu lado ficaram livres, mas há um instante estavam ocupados e, mesmo que vissem o que estou a escrever, não entendiam, pois escrevo em português e a linha de metro onde estou a escrever é em Paris.

Os lugares ao meu lado estão vagos porque as pessoas decidiram sair na estação anterior. Por se terem posicionado em partir, partiram. Mas podiam ter partido também não por escolha sua. Como as pessoas que deixam de andar, de falar, ou as obrigadas a andar e a falar. Chego à estação de Ponte Marie, o sinal de fechar portas soa.

Ao meu lado, os lugares continuam vazios e à minha frente a mesma pessoa escuta música com os dedos entrelaçados sobre a mala, de mão pousada sobre os joelhos. Já deve ser a terceira ou quarta música da sua lista que escuta.

*Coreógrafo

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Tópicos: opiniãopaulo henrique
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