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Diana Alves coordena ensaios clínicos de oncologia em Inglaterra

Investigadora natural de Porto de Mós, está no Reino Unido desde 2011, mais propriamente na cidade de Bath, onde já fez voluntariado numa associação de apoio a sem-abrigo.

Maria Anabela Silva Maria Anabela Silva
17 de Outubro de 2020
em Sociedade
Diana Alves coordena ensaios clínicos de oncologia em Inglaterra
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Formou-se em microbiologia pela Universidade de Lisboa e, conduzida pelo desejo de “contribuir para o desenvolvimento de novos tratamentos”, acabou por enveredar pela área dos ensaios clínicos. Natural de Porto de Mós, Diana Alves, 33 anos, trabalha actualmente numa farmacêutica inglesa (Micron Group), onde faz a monitorização e coordenação desse tipo de ensaios na área da oncologia, mas também em doenças raras e infecciosas. No Reino Unido desde 2011, já fez voluntariado numa associação de apoio a sem-abrigo.

A decisão de deixar o País aconteceu na recta final do mestrado, quando se sentiu “um pouco perdida” sobre o rumo a dar ao seu percurso. “Não sabia se queria continuar a fazer investigação, mas sabia que não queria ir para um laboratório fazer análises rotineiras”, recorda. Nessa fase de indecisão, entusiasmou-se pela terapia fágica, uma área da microbiologia que “envolve o estudo do uso de bacteriófagos, vírus ‘parasitários’ das bactérias, como forma de combater as mesmas, evitando o uso de antibióticos”.

Após alguma pesquisa, contactou investigadores e professores que a ajudaram a perceber que existem empresas focadas no desenvolvimento desta área. Uma delas acabou por apoiar a sua candidatura a uma Bolsa Leonardo da Vinci, que viria a conseguir, mudando-se para o Reino Unido. [LER_MAIS]nicialmente seria por seis meses, para trabalhar num projecto de investigação sobre o uso de bacteriófagos no tratamento de mastite bovina, mas “vieram mais oportunidades” e Diana Alves foi ficando.

Concorreu, depois, a uma bolsa de doutoramento, atribuída por uma organizarão governamental britânica – Engineering and Physical Sciences Research Council -, para desenvolver tratamentos para a recuperação de doentes com feridas crónicas. A investigadora teve a colaboração de um grupo do Departamento de Química da Universidade de Bath, instituição onde, durante o doutoramento, deu aulas práticas a alunos de licenciatura e mestrado. Um procedimento “comum” em Inglaterra, que permite aos doutorandos dar assistência a professores, “assegurando que os alunos seguem os protocolos”, explica.

Contribuir para novos tratamentos Concluído o doutoramento, seguiuse o pós-doutoramento, também na Universidade de Bath e na área da terapia fágica. “Não estava muito convencida de que queria seguir a carreira académica. Sabia que queria continuar na minha área de especialização (terapia fágica) e poder contribuir para o desenvolvimento de novos tratamentos e estar envolvida na sua regulamentação, de forma a obter a sua aprovação e disponibilidade a todos nós”, conta.

Acabou por apostar na área dos ensaios clínicos, tendo sido admitida na Micron Group, “uma empresa pequena e, por isso, ideal” para o seu desenvolvimento profissional, diz Diana Alves, frisando que está “intensamente envolvida em todo o processo do ensaio clínico”, tendo, assim, a oportunidade de adquirir ferramentas que ambiciona.

No Micron Group, a jovem investigadora dedica-se à “monitorização e coordenação de ensaios clínicos”, desde o desenvolvimento do protocolo e a sua submissão às autoridades reguladoras e comités de ética, até à sua implementação e condução. O seu trabalho envolve também a identificação de equipas clínicas capazes de recrutar pacientes e executar os ensaios e a sua articulação com os vários parceiros, como equipas de distribuição do medicamento e laboratórios de análise, assim como o “treino” das equipas clínicas e farmacêuticos.

Neste momento, Diana Alves está a trabalhar em vários ensaios oncológicos, mas também em doenças raras e doenças infecciosas. A maioria decorre em hospitais ou clínicas privadas do Reino Unido. “O serviço nacional de saúde britânico promove e apoia muito os ensaios clínicos, já que percebe que é uma mais-valia para a população, permitindo-lhe ter acesso prioritário a medicamentos eficazes”, nota a investigadora.

Voluntariado com sem-abrigo

A par do seu percurso profissional e académico, Diana Alves temse dedicado ao associativismo e ao voluntariado. Numa dessas experiências colaborou com a Julian House, uma instituição de apoio a sem-abrigo na cidade de Bath. À sua responsabilidade, a jovem tinha a confecção de refeições para 15 a 20 pessoas.

“Contactar com a realidade em que vivem muitos dos nossos semelhantes tem sempre a virtude de nos alargar a consciência do mundo em que vivemos. Aprendemos assim a estar atentos e preparados para ajudar sem questionar”, diz Diana Alves, que em Portugal também já tinha feito voluntariado na associação Candeia, que trabalha na área da animação infanto-juvenil.

Em 2014 e 2015, foi vice-presidente da Associação Portuguesa de Investigadores e Estudantes do Reino Unido.

Tópicos: comundiadesdiana alvesensaios clínicosinglaterrainvestigadoraPorto de mós
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