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Mais vale tarde do que nunca, mas…

após muitos anos de notícias sobre a degradação e abandono dos centros históricos, começam agora a surgir trabalhos sobre investimentos e recuperações nestas áreas, como é exemplo a que publicamos nesta edição sobre o que está a acontecer em Leiria.

João Nazário João Nazário
13 de Outubro de 2016
em Opinião
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João Nazário
João Nazário13 de Outubro de 2016

É costume dizer-se que mais vale tarde do que nunca. No entanto, começa a ser difícil perceber por que é que em Portugal insistimos no atraso face aos países mais desenvolvidos, cometendo os mesmos erros que estes experimentaram ao longo dos seus percursos, mesmo que já tenham acontecido há 20 ou 30 anos. Parece que fazemos questão de ter as nossas experiências, apesar de sabermos de antemão no que vão resultar, perdendo a oportunidade de saltar sobre o que é menos positivo e de ir directo ao que se sabe ter melhores resultados. Os exemplos que se poderiam enumerar são muitos, mas neste caso falamos de um olhar mais atento que está a surgir sobre os centros mais antigos das cidades, depois de décadas de abandono que levaram à degradação da sua maioria.

Quando outros países nossos parceiros na Europa estavam já a recuperar o edificado mais antigo e a valorizar o seu património e a sua história, em Portugal o novo-riquismo que caracteriza a pobreza de espírito abandonava as suas raízes e procurava afirmar-se através do novo e do grande. As novas urbanizações, completamente artificiais e sem qualquer identidade, surgiram como cogumelos a cercar as cidades, havendo também quem apostasse em vivendas de catálogo para dar conta da sua suposta ascensão social.

Vivemos as últimas décadas completamente em contraciclo ao que acontecia nos países vizinhos, construindo dormitórios em qualquer palmo de terra disponível, ajoelhando-nos perante os grandes centros comerciais, deitando abaixo tudo o que tivesse ponta de verde. E não se pode dizer que a culpa foi dos investidores, pois é mais que sabido que estes decidem ao sabor do que é procurado pelo mercado.

Felizmente, surge agora uma nova geração com 'mais Mundo', que se recusa a viver nas 'berças' e procura locais com vida própria e com identidade. Que não mede a qualidade de vida pelos metros quadrados da habitação ou por ter uma casa a estrear. Ao mesmo tempo, Portugal entrou nos roteiros turísticos internacionais, com os turistas a procurarem o que nos distingue, a nossa história, a nossa genuinidade, o que, como é óbvio, não é encontrado nas Telheiras ou nas Carnaxides deste país.

Os centros das cidades tornaram-se, assim, mais desejados e procurados, começando os investimentos a surgir, primeiro em Lisboa e no Porto e agora nas cidades de segunda linha, como Leiria. Ou seja, após muitos anos de notícias sobre a degradação e abandono dos centros históricos, começam agora a surgir trabalhos sobre investimentos e recuperações nestas áreas, como é exemplo a que publicamos nesta edição sobre o que está a acontecer em Leiria. Vem com atraso e há muito que se podia ter começado este caminho, é verdade. É apenas o começo da resolução de um grande problema, sem dúvida. Tivéssemos olhado para o caminho de outros países e poderíamos ter evitado tantas curvas, é certo. Mas, como se diz no inicio do texto, mais vale tarde do que nunca! Venha agora a parte em que deixamos de fazer as coisas com um atraso de duas ou três décadas…

Tópicos: editorial
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