Fala através de provérbios e com provérbios explica que o apego pesa mais do que a algibeira. Fernando Varalonga, 78 anos, filho e neto de agricultores, pai e avô de agricultores, cinco gerações consecutivas no Vale do Lis. “Mais vale um gosto do que três vinténs”, atira. “Uma pessoa apaixona-se por aquilo que tem e mesmo que dê pouco mantém-se, porque gosta. Fui vidreiro 22 anos, mas nunca deixei o campo”.
Nem na juventude nem agora, apoiado na muleta, a recuperar uma perna partida, a mostrar fotografias impressas em tamanho A4 que denunciam como os terrenos de que é proprietário ficam debaixo de água sempre que chove acima da conta e os colectores transbordam, por deficiências da rede. São 30 hectares, onde espera voltar a plantar feijão, nabo, melancia e meloa, para depois vender no mercado grossista do Falcão ou através da empresa distribuidora com que costuma trabalhar.
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