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Home Comunidades

Chef Telmo Gongó mantém legado do Tromba Rija no outro lado do mundo

Natural de Leiria, cozinheiro está de regresso ao restaurante, instalado na Torre Macau.

Maria Anabela Silva Maria Anabela Silva
17 de Abril de 2021
em Comunidades, Sociedade
Chef Telmo Gongó mantém legado do Tromba Rija no outro lado do mundo
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O continente asiático já estava na lista de visitas gastronómicas que Telmo Gongó sonhava fazer quando, em 2014, foi desafiado a liderar a equipa do Tromba Rija que iria abrir na famosa Torre Macau. Não hesitou e rumou à Ásia.

Depois de ter passado pelo restaurante do Parisian Hotel Macau e pelo Chiado, de Henrique Sá Pessoa, o chef de Leiria está agora de volta ao Tromba Rija Macau, com um objectivo: que o restaurante, “com muita história em Portugal, continue a fazer história” do outro lado do mundo.

Neste seu regresso ao Tromba Rija Macau, Telmo Gongó quer manter a matriz identitária do espaço, para que continue a ser um “embaixador” da cozinha nacional, mas tenciona fazer incursões pela gastronomia asiática, com a introdução de alguns pratos de cozinha macaense, sobremesas e entradas.

Com essa estratégia, pretende oferecer “um docinho à boca dos locais, que gostam que se entre na sua cultura”, sem, contudo, desvirtuar o ADN do Tromba Rija como restaurante português, onde “99,9%” dos produtos utilizados são de origem nacional, do azeite às azeitonas, passando pelo queijo, pelo bacalhau ou pelo vinho.

O bichinho de Telmo Gongó pela cozinha foi-lhe transmitido pela avó, que lhe passou os primeiros ensinamentos.[LER_MAIS] “Cresci com ela, que estava sempre em casa e de volta do fogão. Era ela que cozinhava para mim e que me explicou como fazer arroz e massa”, conta o chef, de 39 anos.

Apesar do gosto pela gastronomia, este não foi o seu primeiro amor, em termos profissionais. No início da adolescência, quis ser professor de educação física e até sonhava seguir uma carreira desportista, nomeadamente ligada ao andebol, modalidade que praticava no Atlético Clube da Sismaria, a formação de Leiria que chegou a militar na primeira divisão nacional.

Telmo Gongó acabou, no entanto, por dar um rumo muito diferente à sua vida, ao ingressar no curso de cozinha da Escola Profissional de Leiria, com o “mestre” Alberto Vaz. “Foi amor à primeira vista”, confessa, admitindo que a perda da avó, quando tinha 17 anos, acabou por ter também alguma influência na decisão que tomou. “A cozinha era um dos elos que nos ligava. Consciente ou inconscientemente, a sua morte acabou por me chamar para este caminho.”

Terminado o curso, estagiou no Penha Longa, em Sintra. Acabaria por regressar a Leiria, passando por vários espaços, como o Pipo Velho, Martin & Thomas, Taberna Ibérica, Mata Bicho e Vinho em Qualquer Circunstância.

“Terra santa para viver”

Em 2014, por intermédio do chef Alberto Vaz, foi desafiado a dirigir a cozinha do Tromba Roja Macau. A resposta “não podia ser outra”. Fez as malas e rumou à Ásia, sozinho e sem conhecer ninguém naquele território. A adaptação reconhece, revelou-se “difícil”, sobretudo, pela barreira da língua.

“Não sabia nada de mandarim e nas movimentações do dia-a-dia, seja nos transportes ou nos locais de compras, quase ninguém fala inglês. Nas repartições públicas ainda encontramos quem saiba português”, conta Telmo Gongó.

Ultrapassadas as dificuldades iniciais, Macau revelou-se para o chef de Leiria “uma terra santa para viver”. É, diz, um território “super seguro, livre de impostos e com muitos apoios governamentais”, como tem acontecido durante a pandemia.

Além das condições de vida, destaca também a cultura e património macaenses e a ligação a Portugal, “muito presente” no território.

Há cinco anos sem se deslocar a Leiria, Telmo Gongó vai matando as saudades com as visitas que a mãe e os os amigos lhe vão fazendo. Já com uma filha e a segunda a caminho, não pensa regressar ao País no curto prazo. “A nossa terra é onde nos sentimos bem e por agora, sinto-me muito bem em Macau”, afirma

Tópicos: chefcomunidadesLeiriaMacautelmo gongóTromba Rija
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