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A Borboleta de Asas Multicores e a Planta Carnívora

Quando a Borboleta de Asas Multicores se bamboleava pelo ar, a Planta Carnívora seguia-a baloiçando-se, contagiada pela oscilação da Borboleta

Florbela Oliveira, Professora e escritora Florbela Oliveira, Professora e escritora
22 de Janeiro de 2026
em Opinião
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Florbela Oliveira, Professora e escritora
Florbela Oliveira, Professora e escritora22 de Janeiro de 2026

Uma Borboleta de Asas Multicores vivia feliz e livre, bailando pelo ar, rodopiando ao sabor do vento e dançando a cada sopro da natureza.

Uma rara Planta Carnívora, já uma das poucas da sua espécie, vivia alegre e firme agarrada a uma terra que, solidamente, a mantinha.

Quando a Borboleta de Asas Multicores se bamboleava pelo ar, a Planta Carnívora seguia-a baloiçando-se, contagiada pela oscilação da Borboleta. Era uma daquelas plantas carnívoras «tipo jaula» cujo formato se agrupava em duas metades que se fechavam ao perceber a presença da presa, mas que, ali, se uniam e se afastavam deleitadas com o espetáculo que lhe ofertava aquela Borboleta de Asas Multicores.

Pela sua natureza única, pelas cores vibrantes, pelo néctar e os odores próprios de uma planta carnívora, aquela não só atraia a sua alimentação como acicatava e desassossegava os humanos.

Num daqueles dias de Sol radiante e humidade acentuada, uns exploradores entranharam-se na frondosa floresta onde a Borboleta de Asas Multicores parqueara para entreter a sua amiga Planta Carnívora. Uns barulhos de rasgar de folhas sob pés humanos deixaram em sobressalto quer a Borboleta de Asas Multicores quer a Planta Carnívora.

Interrompendo, abruptamente, o seu bailado, a Borboleta de Asas Multicores elevou-se pelo ar como um pirata sobe ao mastro para se certificar da distância que o separa do tesouro. Neste caso, não era um tesouro o que traziam, mas antes um tesouro que queriam levar. Pelos apetrechos que empunhavam, as criaturas procuravam aquela enigmática e atrativa Planta Carnívora crentes de que lhes traria fortuna, lhes quebraria males, bruxarias e esconjuros.

Conforme ascendeu com rapidez, a Borboleta de Asas Multicores mergulhou na atmosfera ainda com mais velocidade e, percebendo que a sua fiel espetadora corria perigo, arriscou a própria vida, pois também ela era apetecida pelas suas exóticas características. Destemidamente, voou até aos invasores e, meneando-se, chamou para si os olhares deslumbrados dos humanos.

De repente, uma chuva própria de ambientes como aquele desabou e as criaturas usurpadoras abortaram, imediatamente, a razão da sua vinda.

A Borboleta tentou voar até à sua amiga, mas as asas pesavam toneladas e, numa situação de desgaste destas, como sabemos, inteligentemente, as borboletas recolhem-se e esperam, percebendo que a energia que perderiam ao lutar contra a intempérie, lhes faria falta para sobreviver. Teria de esperar pelo Sol. Fechou os olhos, mas uma inesperada corrente arrancou-a dali.

Acordou, atordoada, num ambiente quente e pegajoso.

– Já podes sair, Borboleta… A tempestade já passou! – A voz suave e viscosa da Planta Carnívora soou.

As duas metades abriram-se e ela, abandonando aquele ventre temporário, sacudiu as asas multicores e voou, dançando à sua frente, em jeito de agradecimento àquela planta predadora.

E, caros leitores, desenganem-se, isto não é sobre Borboletas de Asas Multicores e Plantas Carnívoras!

Tópicos: borboletacontoescritaescritoraFlorbela Oliveirajornal de leiriaLeiriaopiniãoplantaprofessora
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