Incêndios, Leslie a agora a Kristin. Parece haver um karma sobre a governação socialista na Marinha Grande.
Não. São fenómenos da natureza, que podem apanhar qualquer governação. Na verdade, são grandes desafios. Eu apanhei a situação do Covid-19 quando estava no Ministério da Defesa, portanto conheço bem esse outro desafio e a importância que já então os militares tiveram na resolução dessa outra crise, que foi nacional, europeia, mundial. Esta foi mais localizada, mas teve, tem e continuará a ter um impacto muito grande no território. Desde logo, em particular na Marinha Grande. Convém não esquecer, que foi pelo Município da Marinha Grande que a tempestade entrou. Esse foi o principal problema. Nós, do ponto de vista do território e do ponto de vista dos auxílios, ficámos isolados durante muito tempo. Ficámos isolados sem comunicações e ficámos isolados, porque ninguém se lembrou de nós. Apesar de, para mim, ser uma evidência que, vindo a tempestade do mar, a Marinha Grande precisava de auxílio, os auxílios paravam todos em Leiria. Essa foi uma das dificuldades iniciais que tivemos. Nós não tínhamos comunicações, tínhamos as estradas cortadas, tivemos que nos virar sozinhos no início.
E como avalia a gestão que está a ser feita desta situação de calamidade no concelho?
Eu estou com o executivo desde o primeiro minuto. Quando esta situação se dá, assim que consegui sair de São Pedro de Moel, onde eu vivo – e isso aconteceu logo de manhã cedo, porque o ICNF tratou logo de libertar as estradas nesta zona – consegui chegar ao estaleiro, onde me encontrei com a senhora presidente de junta. Abraçámo-nos as duas, olhámos em volta e percebemos que tínhamos que deitar mãos à obra, todos juntos. As pessoas [LER_MAIS]iam chegando e no início não eram muitas, porque toda a gente teve as suas casas destruídas e ninguém conseguia chegar sequer ao município, não conseguia transitar. À medida que a amanhã foi avançando, as pessoas foram chegando e da parte das juntas, da parte do município, foram inexcedíveis. Eu acompanhei na sala de crise mais de uma semana, todos os dias, desde cedo até altas horas da madrugada. Acompanhei o crescer da organização, porque, como se imagina, no primeiro dia estávamos incrédulos, procurando organizar-nos e, a partir de uma certa fase, toda a gente já sabia o que fazer. As pessoas foram-se organizando, os serviços foram-se interligando, o executivo da Marinha Grande e os presidentes de junta. E resolvemos muitos problemas juntos. Vi a forma como todos funcionaram em conjunto e não houve partidos políticos. Estivemos todos sempre em sintonia. Um mês depois, continuamos. Agora é um trabalho de reconstrução.
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