A Induzir, empresa da Batalha que há mais de 30 anos desenvolve equipamentos para a indústria, designadamente soluções de eficiência energética e de descarbonização, vai produzir o primeiro forno industrial híbrido do País.
Nuno Vitorino, administrador e director comercial desta empresa localizada na Zona Industrial da Jardoeira, adianta ao JORNAL DE LEIRIA que, até ao final do ano, a Induzir vai iniciar a montagem do primeiro forno híbrido do País, à escala industrial, que opera com combustão e componente eléctrica, via resistências, a instalar no distrito de Aveiro.
“Vamos fazer o projecto de engenharia, construção e montagem”, especifica [LER_MAIS]o administrador. Com uma equipa de 40 colaboradores, a Induzir desenvolve equipamentos sobretudo para o sector da cerâmica (que absorve 70% a 80% da produção), tendo atingido, em 2025, volume de negócios na ordem dos 4,4 milhões de euros, metade dos quais através de exportação.
O crescimento da empresa tem sido sustentado pela criação de soluções de eficiência energética e de descarbonização com novos equipamentos, mas também pela renovação de tecnologia antiga, ao nível das unidades de controlo, dos sistemas de combustão ou conversão de sistemas de combustão para sistemas híbridos (gás e eléctricos).
Um dos seus projectos decorreu da criação das Agendas Mobilizadoras, com a Associação Portuguesa das Indústrias de Cerâmica e Cristalaria a congregar um consórcio de 30 entidades, entre as quais a Induzir e o Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro (CTCV), de Coimbra.
O projecto consistiu na criação de Laboratório Hipocarbónico e de um forno que, inicialmente, tinha o objectivo de receber testes de indústrias e validar a utilização de combustíveis verdes, como hidrogénio, mas que, no decorrer da Agenda, foi ajustado e pode hoje operar em modo combustão, 100% eléctrico ou combinado. Têm sido várias as empresas portuguesas a testar e a validar tecnologia através deste forno-protótipo, havendo já entidades estrangeiras que pretendem utilizá-lo.
E os resultados obtidos com este protótipo já motivaram investimentos, como é o caso da criação deste novo forno híbrido na região de Aveiro, explica Nuno Vitorino. É também em consórcio, envolvendo este centro tecnológico de Coimbra, que a Induzir está a desenvolver um projecto que visa converter energia térmica residual, até agora desperdiçada, em energia eléctrica.
Na calha está ainda um terceiro projecto, que aguarda aprovação, focado na captura de carbono.
Além de participar na criação de roteiros para a descarbonização e de reforçar a sua oferta formativa em áreas emergentes associadas à transição energética e descarbonização, o CTCV tem trabalhado com a Induzir e com várias indústrias do País, para que estas obtenham ganhos de eficiência energética, qualidade dos produtos e redução de emissões, salienta, por sua vez, o centro tecnológico de Coimbra.










