
Nunca tinha assistido a tanta pseudo-transformação sem estratégia ou estrutura no sistema nacional de ciência e ensino superior.
Alguém decidiu extinguir a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e a Agência Nacional de Inovação (ANI) para criar a AI2 – Agência para a Investigação e Inovação, sem estratégia clara, planeamento ou discussão com as instituições de ensino superior, de ciência e de inovação.
Hoje continuamos num limbo, sem rumo claro.
O mesmo acontece com a Universidade de Leiria e Oeste (ULO), que sucede ao Politécnico de Leiria.
Primeiro decidiu-se a transformação e só depois se pretende definir o que a nova universidade quer ser e fazer. No século XXI, é algo que considero impensável.
Temos um novo RJIES que mantém a autonomia científica e pedagógica das Escolas e Faculdades e que determina que, quando as instituições estão organizadas nestas unidades orgânicas, as mesmas disponham de Conselhos Científicos e de Conselhos Pedagógicos.
No entanto, surgem agora os estatutos da ULO, que extinguem os Conselhos Científicos e Pedagógicos das Escolas. Não consigo compreender nem a ausência de discussão interna, nem como o Ministério da Educação, Ciência e Inovação pode aprovar estatutos que, no meu entendimento, fragilizam a autonomia científica e pedagógica das Escolas e não cumprem a lei.
Sendo a ULO organizada em Escolas, estas deveriam, de acordo com a lei, manter a sua autonomia científica e pedagógica e os respetivos Conselhos Científico e Pedagógico.
A reflexão, a liberdade de pensamento e o pluralismo deveriam constituir pilares basilares das instituições cuja missão é formar cidadãos críticos e produzir conhecimento.
No entanto, parece que, no atual sistema nacional de ciência e ensino superior, tudo é possível.
Apesar do que acabo de escrever, sou otimista.
Espero que o aumento do número de estudantes no ensino superior promova também mais pensamento crítico.
Aos novos estudantes, desejo todo o sucesso e que nunca tenham receio de questionar, discutir e pensar. Porque transformar não é apenas mudar nomes, estruturas ou logótipos.
Transformar é saber para onde se quer ir e fazê-lo de forma colaborativa e aberta.
Texto escrito segundo as regras do Acordo Ortográfico de 1990








